Bragantino é superior, mas Guarani não precisava ter descartado o jogo

Bragantino é superior, mas Guarani não precisava ter descartado o jogo

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Sobre esse melancólico empate por 1 a 1 da Ponte Preta contra o praticamente despachado São Bento, em Campinas, na noite desta terça-feira, o comentário fica por sua conta, caro pontepretano, visto que o comando da coluna ficou para o jogo em Bragança Paulista, no mesmo horário, com derrota do Guarani para o Bragantino por 3 a 1.

Tá certo que a fragilidade dos clubes encrencados na zona de rebaixamento desta Série B permitiu ao Guarani aproveitar a 'gordurinha' adquirida ao longo do segundo turno da competição, e até teoricamente descartar resultado favorável contra o Bragantino, com a preservação de alguns jogadores tidos como desgastados, visando recuperá-los para o dérbi do próximo sábado, no Estádio Brinco de Ouro.

Todavia, se confronto campineiro é um campeonato a parte para o bugrino, de certo há contestação por tanto receio nesta partida contra o Bragantino, o que implicou em queda de rendimento da equipe comparativamente às últimas partidas.

Evidente que enquanto teve pernas a equipe do Guarani lutou bravamente na tentativa de segurar o ímpeto do Bragantino, e até oportunidades de gols também foram criadas.

DAVÓ

Convenhamos: embora pendurado, precisava o treinador Thiago Carpini sacar o atacante Davó pouco depois do intervalo?

Risco de cartão não havia. Davó também não aparentava desgaste. Assim, o comandante renunciou a única esperança ofensiva de sua equipe, pois em campo via-se a inoperância do atacante Nando, escalado para este jogo, enquanto Diego Cardoso - substituto de Davó - é sempre uma incógnita.

Precisava arriscar com Bidu na lateral-esquerda, no lugar de Thalyson? O garoto recém-saído da base destoou e ainda cometeu pênalti desnecessário sobre o atacante Wesley, do Bragantino, em lance que determinou o segundo gol, na cobrança do lateral Pio.

Estaria Lucas Crispim em precaríssima condição física pra não ser escalado pelo menos até o intervalo?

É inaceitável a insistência de Carpini com o atacante Victor Feijão, em minutos de partidas.

E embora tenha feito o gol de honra do Guarani, em chute cruzado aos 46 minutos do segundo tempo, não era jogo para Bady.

Credite como positivo ao treinador bugrino ter acreditado na recuperação do meia Rondinelly, que agora tem-se mostrado interessado até em ajudar na marcação.

Com melhoria na saída de bola, houve igualmente rendimento aceitável de Artur Rezende.

CONTRA-ATAQUE

Flagrante desigualdade técnica do Bragantino para o Guarani implicou no time da casa tomar iniciativa do jogo, ter mais posse de bola, provocar sucessivas viradas de jogo, e consequentemente, rondar a meta do goleiro bugrino Jefferson Paulino com frequência, tanto que ele foi obrigado a praticar duas defesas difíceis em sequência, e outra em que o lateral Pio marcaria gol olímpico.

O goleiro ainda contou com sorte em arremates de Morato e Claudinho que atingiram a trave.

O Guarani também parou em defesa difícil do goleiro Júlio César em chute de Artur Rezende e bola chutada na trave através de Ricardinho. Além disso, rondou a área do Bragantino, mas na maioria das vezes acabou absorvido pela precisa marcação.

Curiosamente dois erros capitais marcaram a arbitragem do gaúcho Roger Goulart.

Primeiro ao não assinalar pênalti em chute de Claudinho e bola interceptada com o braço, dentro da área, pelo zagueiro bugrino Giaretta.

Depois quando validou gol de cabeça do volante Ryller em flagrante impedimento, o que abriu o caminho da vitória do Bragantino e gerou protesto dos jogadores bugrinos e paralisação da partida por quatro minutos.

No terceiro gol do mandante o Guarani já estava entregue e Pedro Naressi aproveitou para fazer jogada pessoal e chutar sem chances de defesa para Jefferson Paulino.

Assim, a vitória resulta em acesso antecipado do Bragantino ao Brasileirão de 2010, e por isso foi muito comemorada por jogadores e torcida.

MAIS CREDENCIADO

Prognósticos em dérbis são arriscados porque nem sempre prevalece a equipe que precede de melhores atuações.

Todavia, com o retorno dos titulares bugrinos, considerando-se torcida única no Estádio Brinco de Ouro no próximo sábado, e as incertezas da Ponte Preta, teoricamente seria a maior chance nos últimos anos de o Guarani quebrar tabu que tem se arrastado.

Não bastasse a intenção de dar o troco no rival, o Guarani ainda precisa somar pontos para se livrar de vez de qualquer risco de rebaixamento.

Por sorte mantém confortável distância de cinco pontos para quem abre a zona da degola, caso do Figueirense, que empacou num empate sem gols com o Vila Nova, em Florianópolis. Oeste e Londrina igualmente foram derrotados, e apenas o Vitória se beneficiou ao vencer o Brasil de Pelotas.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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