Que desastre, heim Ponte Preta! Quantos erros, hein Kleina!

Que desastre, heim Ponte Preta! Quantos erros, hein Kleina!

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Aqueles rasgados elogios ao time pontepretano na goleada sobre o Cuiabá fizeram um mal danado. A boleirada ficou 'cheio de pernas', entrou na partida contra o Botafogo em marcha lenta, e o próprio treinador Gilson Kleina não preparou a equipe adequadamente. Se biblicamente a soma do pecado é a morte, a Ponte foi goleada implacavelmente por 4 a 1 na manhã/tarde deste sábado em Ribeirão Preto, pela Série B do Brasileiro.

Há jogadores que ficam marcados positivamente numa partida apenas por um lance. O único lance lúcido do meio-campista Gerson Magrão contra o Cuiabá foi o cruzamento rasteiro que resultou no terceiro gol pontepretano.

Se para muitos treinadores ainda prevalece a máxima de que time que ganha não se mexe, Kleina deu camisa de novo para Magrão, que não convenceu na marcação, não organizou e muito menos atacou. Ou melhor: covardemente agrediu o adversário Didi, caído no gramado, e só escapou da expulsão porque a árbitra Edina Alves Batista não viu o lance.

Puro corporativismo de Kleina, no intervalo. Se faltou-lhe coragem para fazer o óbvio e sacar Magrão, preferiu trocar o nervoso Vico por Dadá, quando o prudente seria tranquilizar Vico.

DISCURSOS ERRADOS

Kleina, com a capacidade de persuasão, errou em dois discursos de preparação da equipe.

Andou alardeando que se trouxesse o empate contra Botafogo o resultado seria bem recebido. Esse tipo de discurso geralmente coloca freio no time.

Pior ainda quando a pauta da semana foi o impróprio horário das 11h, que condicionou a boleirada pontepretana a se poupar para evitar desgaste.

Já o Botafogo encarou o sol do meio-dia como se fosse o de quatro da tarde, e impôs o ritmo natural de jogo.

E não adianta Kleina, no pós-jogo, reconhece que a estratégia do treinador do Botafogo, Hémerson Maria, foi mais adequada. Teria que pensar antes, ou ser advertido por Gustavo Bueno, o homem do futebol no clube.

ERROS & ERROS

Pois a desconcentração da Ponte foi castigada logo aos três minutos, quando Marlon Freitas teve liberdade para conduzir a bola, enquanto Renan Fonseca se afastava, para em seguida arriscar chute de fora da área e abrir o placar.

Foi o suficiente para a Ponte entrar em parafuso. Aos 16 minutos, precisava o lateral-direito Arnaldo tentar dar o bote no meio de campo, quando ali era atribuição de um dos volantes?

Pois Arnaldo perdeu o tempo do bote, tomou a bola nas costas, o zagueiro Renan Fonseca deu distância para Murilo, que arrematou e ampliou a vantagem botafoguense.

ROGER E TREVISAN

Se no ataque Roger nada acrescentava ao time pontepretano, e imprudentemente tentou cavar pênalti, a pior mancada foi reservada aos 18 minutos do segundo tempo, ao empurrar Marlon Freitas na área e cometer pênalti, convertido pelo próprio botafoguense.

Poblema é que a desarticulação era quase completa no time pontepretano.

Analista que saiu em defesa da efetivação de Trevisan - como eu - tem que assumir parcela de culpa.

O fato dele ser originariamente zagueiro, ainda dá espaço a atacante de beirada do adversário, e essa marcação à distância propiciou que o Botafogo criasse mais três chances reais para ampliar a vantagem, uma delas convertida através de Dodô, em jogada que começou com falha de Diego Renan e depois desvantagem de Trevisan.

Nas outras, ora Leonan perdeu gol feito, ora Renan Fonseca salvou.

Antes disso a Ponte havia marcado gol de honra em pênalti mal cobrado por Roger, no meio do gol.

CAJÁ E KLEINA

A rigor, o lance foi duvidoso e certamente seria contestado pelos botafoguenses se o placar não lhe fossem favorável.

Enfim, um jogo que mostrou Renato Cajá andando em campo, e já se sabia que a entrada do individualista Bill, que o substituiu, em nada acrescentaria.

Sabia-se também que a entrada de Camilo não provocaria ganho maior em relação ao volante Lucas Mineiro, de fato abaixo de suas possibilidades.

Enfim, erros em cadeia de Kleina: planejamento de jogo e em substituições.

Resta saber se agora ele saberá juntar os cacos e dar sobrevida a esse avariado time pontepretano já na próxima terça-feira em Campinas, a partir das 21h30, contra o fraco Londrina.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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