Nas mãos de Kleina Ponte jogou mal; não há o que reclamar da saída dele

Treinador teve alguns méritos, mas contou com muita sorte na última passagem pelo clube

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

A Ponte Preta flertava com rebaixamento à Série C do Campeonato Brasileiro e a diretoria apostou as fichas no treinador Gilson Kleina, para que pudesse livrar a equipe do mal maior.

Aí, ao engatar sete vitórias e dois empates, Kleina foi transformado num deus para pontepretanos que, movidos pela paixão, projetaram que ele seria o remédio para todos os males, e por isso deveria continuar em Campinas.

Dirigentes pontepretanos também acreditaram nesta versão e, de acordo com informações, teriam oferecido absurdo para que permanecesse no clube, mas, montado na arrancada de sucesso, Kleina exerceu a devida postura profissional que analisar propostas financeiras e de trabalho.

Soube-se que além da exigência dele para montagem de equipe competitiva - que foge do orçamento do clube - a faixa salarial dele extrapolava os padrões oferecidos a treinadores, mas, apesar disso, dirigentes haviam cedido.

SORTE

Comecemos analisar que Kleina não é o milagreiro que sugerem.

Cá pra nós: deu muita sorte, porque tecnicamente o time jamais convenceu igualmente nas mãos dele.

Ora o goleiro Ivan salvou a lavoura, ora o time criava duas ou no máximo três chances de gols ao longo de partidas e convertia metade ou um terço pra sair vencedor.

A Ponte jogou mal nas mãos de Kleina, sim. O diferencial dele para os antecessores João Brigatti e Marcelo Chamusca foram pequenos ajustes.

Primeiro conseguiu fazer o elenco ficar focado no condicionamento físico, que inegavelmente melhorou.

Optou por forte esquema defensivo para não sofrer gols, acreditando que em escapadas na velocidade seus comandados poderiam fazer golzinhos salvadores.

LUCAS MINEIRO E ANDRÉ LUÍS

Acertou ao fixar o volante Lucas Mineiro no lugar do fraco Nathan, e detectou que o atacante André Luís não poderia ficar fixo na direita. Ali, manjado e bem marcado, havia sucumbido.

Ao dar liberdade para André Luís flutuar nos espaços do ataque e abrir mão do centroavante de ofício, o time ficou mais balanceado.

Sim, méritos do treinador. Todavia, pelo que se conhece do trabalho dele certamente não está no patamar que imagina estar, para demasiadas exigências.

Portanto, não há motivo para o pontepretano lamentar a saída dele, desde que os dirigentes tenham capacidade de rápida reposição com qualidade.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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