Saudoso Biléo Soares, pontepretano e político que defendia a transparência

Seis de dezembro marcou o sétimo ano da morte dele

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Embora com atraso, está no ar o áudio Memórias do Futebol, que lembra do ex-centroavante Oséas, autor do gol contra mais bonito do futebol mundial.

Quando foi tornado público o processo de turbulência entre o presidente da Ponte Preta, José Armando Abdalla, e o de honra, Sérgio Carnielli, um amicíssimo do saudoso vereador Biléo Soares opinou que o espírito conciliador do político ainda faz parte nos diversos segmentos da sociedade.

Dia seis passado marcou o sétimo ano da morte de Biléo Soares, aos 52 anos de idade, após intensa luta de seis anos contra o câncer.

Biléo nasceu pontepretano e morreu político.

Por encarnar o adequado sacerdócio do homem público, sua Ponte Preta ficou num segundo plano.

Todavia, foi através dela que descobriu a verve de homem do povo. Nas cadeiras vitalícias do Estádio Moisés Lucarelli, na juventude, a sua liderança ficou devidamente caracterizada.

PONTÊNIS

Torcida organizada ‘brota’ em arquibancada. E quando o segmento ainda engatinhava no futebol brasileiro, na década de 70, Biléo surpreendeu ao criar a primeira - e talvez única - torcida organizada de vitalícias: Pontênis, associação de Ponte Preta com Tênis Clube.

Garotada pontepretana do clube social de Campinas aderiu à proposta de Biléu e estendia faixas e portava bandeiras - quando eram permitidas em estádios - nas vitalícias do Moisés Lucarelli. Até caravanas eram organizadas para acompanhar o time.

Ao enveredar à política como vereador, Biléu bem entendeu a mensagem colocada pelo ex-treinador italiano Arrigo Sachi, de que ‘futebol é a coisa mais importante entre as menos importantes’. Aí a sua Ponte Preta se enquadrou em plano secundário.

Por isso, nos mais diferentes embates entre correntes políticas da Ponte Preta, não se viu participação dele pendendo para quaisquer dos lados. Mesmo quando gozava de plena saúde, nem sempre era visto em jogos de seu clube.

DOENÇA

A transparência de Biléo Soares nas coisas públicas se contrapõe aquilo que se vê hoje no poder legislativo, extraindo-se, evidentemente, as raras exceções.

Mesmo fragilizado e sentenciado de morte após incontáveis cirurgias e sessões de quimioterapia, Biléo fez questão de participar das reuniões ordinárias da Câmara de Vereadores, e repetia com frequência que ‘quando se é transparente na doença - como na vida pública -, só coisas boas podem acontecer’.

Combativo e ético, fosse vivo de certo Biléo se juntaria aos poucos vereadores do atual legislativo campineiro para solicitar investigação das seguidas denúncias contra pastas do poder executivo da cidade.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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