Ao ceder empate no final, Ponte evita que os seus erros sejam mascarados

Avaí conquista empate aos 45 minutos do segundo tempo, com gol de pênaltií

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

A Ponte Preta convive com os seus velhos problemas, e por isso não pode se queixar do empate por 2 a 2 com o Avaí na noite deste sábado, em Araraquara.

Se sustentasse a vitória por 2 a 1, de certo mascararia mais uma das atuações irregulares pelo Campeonato Brasileiro da Série B.

Sofreu o gol aos 45 minutos do segundo tempo em pênalti infantil cometido pelo atacante Júnior Santos, que ergueu demais o pé e atingiu o lateral-esquerdo Capa. A cobrança foi convertida pelo lateral Guga, do Avaí.

Neste sábado a Ponte abusou dos erros de passes. Até o volante João Vitor, que passa a bola corretamente, é inserido neste contexto.

Tivesse que haver um vencedor neste jogo seria o Avaí, que ainda no primeiro tempo, em cobrança de falta, o meia Renato chutou a bola na trave.

Falha do quarto-zagueiro Léo Santos, ao perder a bola infantilmente, ensejou chance para que Rodrigão marcasse. Todavia o goleiro Ivan fechou o ângulo e o atacante chutou a bola pra fora.

Danilo Barcelos errou passe nas proximidades de sua própria área, e o chute de Renato foi descalibrado.

Ainda no primeiro tempo, em descuido do miolo de zaga pontepretano, Renato, livre, cabeceou fraco e facilitou a defesa de Ivan.

No segundo tempo, perda de bola infantil do lateral-esquerdo Ruam, da Ponte, só não foi comprometedora porque Getúlio - que havia substituído Rodrigão - chutou a bola pra fora, após ganhar a jogada na corrida de Léo Santos.

A estatística do jogo fala por si só. A Ponte criou três chances e marcou dois gols através do atacante André Luís. Além disso, a cabeçada no travessão do centroavante Hyuri, que havia entrado no lugar de Barcelos aos 20 minutos do segundo tempo.

ELENCAR PROBLEMAS

Quem se dispuser a elencar problemas deste time pontepretano tem que citar inicialmente que apenas o atacante André Luís é jogador diferenciado, que dribla e finaliza.

Aí a discussão caminha para a preparação física, quando se constata que mais jogadores - além de Danilo Barcelos - estão redondos no elenco.

Irremediavelmente é preciso citar a falta de qualidade na organização de jogadas e nulidade de jogadas pelo setor esquerdo.

Ruam, improvisado na lateral-esquerda, havia mostrado transição rápida ao ataque nos primeiros jogos na equipe, mas ficou naquilo.

Pior é que defensivamente, na bola aérea, perde jogadas devido à estatura.

Na cobrança de falta do lateral-esquerdo João Paulo, do Avaí, aos sete minutos, Renato ganhou a disputa de cabeça como quis de Ruam, e ajeitou a bola para o interior da área, encontrando Rodrigão livre, para acertar um voleio indefensável.

Onde estava Léo Santos na jogada? Marcando a própria sombra, quase embaixo do gol.

Aí enumere a falta de atitude deste time pontepretano. Em vez de acelerar o jogo na tentativa de furar a forte linha de marcação catarinense - com três zagueiros - e recuo natural, a boleirada da Ponte rodava a bola lentamente, abusava de recuos, e não dava indícios de ameaçar o adversário.

Surpreendentemente, Júnior Santos recebeu a bola dentro da área, escapou de um zagueiro do Avaí, foi ao fundo de campo e cruzou rasteiro para André Luís empatar aos 31 minutos.

PONTE VIRA

Claro que a Ponte não fazia por merecer virada no placar, quando André Luís, em jogada individual, arriscou chute de longa distância e o goleiro Aranha, pesado, não teve impulsão pra tentar a defesa: 2 a 1.

Naquela altura Barcelos - que sequer deveria ter sido escalado - já havia sido substituído.

Demorou para o treinador João Brigatti sacar Orinho, desmotivado, mal fisicamente, e errando demais. Problema é que o volante André Castro, que o substituiu, mostrou condição física aquém do exigido e falta de ritmo.

Assim, restou à Ponte se defender e sustentar um resultado achado na partida.

E quando se presumia que até seria possível, Júnior Santos colocou tudo a perder ao cometer o pênalti.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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