Repetidos erros do time bugrino após o intervalo tiram o mel da boca de seu torcedor

Após vantagem por 2 a 0 no primeiro tempo, Guarani perde por 3 a 2 para o Fortaleza

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

É natural a indignação do torcedor bugrino ao constatar a sua equipe conseguir vitória por 2 a 0 sobre o Fortaleza durante o primeiro tempo, para posteriormente permitir virada por 3 a 2, na tarde deste sábado, em Campinas.

Evidente que o empate seria o resultado mais adequado, considerando-se a eficiência do Guarani durante o primeiro tempo, mas tem-se que reconhecer a metamorfose do time cearense após o intervalo.

Ao explorar desajuste defensivo do Fortaleza aos dez minutos do primeiro, o centroavante Bruno Mendes, livre, escorou de cabeça cruzamento de Felipe Rodrigues e colocou o Guarani em vantagem.

Era tudo que o time bugrino pretendia para colocar em prática forte bloqueio defensivo e praticamente nada permitir ao adversário.

O lucro naquele período pró-Guarani ficou por conta da falha do goleiro Marcelo Boeck, do time cearense, que rebateu chute rasteiro do atacante Matheus Oliveira, para o interior de sua área. Aí o meia Rafael Longuine, que acompanhava a jogada, só empurrou a bola pra rede aos 39 minutos.

ROGÉRIO CENI CORRIGE

Antes de elogios ao treinador Rogério Ceni do Fortaleza, pelas mudanças que alteraram a configuração de sua equipe, cabem críticas pela postura inicial com três zagueiros, equívoco corrigido ainda na metade do primeiro tempo quando sacou Adalberto e optou pela entrada do atacante Marcinho.

A insegurança do Guarani no segundo tempo começou com falhas duplas: primeiro no erro de passe de Longuine, que propiciou contra-ataque ao Fortaleza, finalização do volante Felipe a cerca de 15 metros da entrada da área, que Oliveira lembrou goleiros ‘braços curtos’ e falhou aos três minutos.

As forças do Guarani começam a ser minadas quando o regular meio-campista Felipe Rodrigues teve que deixar o gramado e o treinador Umberto Louzer optou pela entrada de Guilherme, imaginando que ele pudesse puxar contra-ataques.

Na prática a bola passou a ‘queimar’ o pé de Guilherme e a marcação ficou afrouxada no meio de campo bugrino, permitindo que o Fortaleza trabalhasse a bola e passasse a insistir nos cruzamentos já visando o cabeceador Gustavo, que havia substituído Emerson.

Ceni teve percepção que o seu time puderia chegar ao empate no jogo aéreo, o que recomendaria ao treinador bugrino, Umberto Louzer, reforçar o miolo de sua zaga com a entrada de Ferreira, que estava no banco, fato que não ocorreu.

A predominância ofensiva do Fortaleza colocou em risco a tentativa do Guarani na administração da vantagem.

Isso se confirmou aos 41 minutos. Após insistência de bola cruzada, Gustavo ganhou por cima, recebeu devolução de um dos seus companheiros, e empatou a partida.

TERCEIRO GOL

O pior estava por vir para o Guarani quando Wilson, do Fortaleza, foi ao fundo do campo, cruzou, e em nova bola aérea ganhada pela equipe, Marcinho marcou o gol da vitória aos 48 minutos.

Paradoxalmente, o miolo de zaga bugrino que se sobressaía durante o primeiro tempo falhou depois. Presumia-se que, se mantivesse a regularidade, as possibilidades de o Guarani vencer a partida seriam reais.

Problema é quando o adversário intensifica o volume de jogo ofensivo.

Aí o time bugrino convive com falhas, que poderiam ser amenizadas se dispusesse de reposição adequada no meio de campo, para evitar o fluxo natural de jogadas do adversário.

Conforme se constatou, se Louzer optasse pela entrada de mais um zagueiro seria uma tentativa de compensar inevitáveis falhas do miolo de zaga nas circunstâncias citadas.

Apesar das incorreções, em cabeçada do zagueiro Fellipe Maia o Guarani poderia ter chegado primeiro ao terceiro gol, não fosse defesa difícil do goleiro Marcelo.

Apesar da vantagem de 2 a 0 dar ao bugrino o gostinho de que seria alcançado o objetivo de se chegar ao G4, é preciso reconhecer méritos do adversário. Afinal, não é à toa que lidera a competição.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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