Ponte tem melhorado, mas Brigatti precisa mexer em duas ‘peças’

Vitória por 2 a 0 sobre o Fortaleza foi construída no primeiro tempo

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

“Não ficamos trabalhando dez dias pra depois o adversário vir aqui e dar nó tático na gente. Pelo contrário. Estudamos muito bem o jeito dele jogar. Tomamos todos os cuidados. Soubemos marcar, e também criamos chances pra vencer a partida”.

Se a fala do treinador interino João Brigatti, após a vitória da Ponte Preta sobre o Fortaleza por 2 a 0, fosse na época em que as entrevistas eram feitas individualmente no pós-jogo, caberia o contra-argumento.

Já que você está conseguindo extrair até mais daquilo que supostamente esse time poderia oferecer, não seria o caso de agora sacar o lateral-direito Igor e o polivalente Danilo Barcelos, para que a Ponte ganhe em qualificação?

Igor tem destoado com erros seguidos de passes, tomando bolas nas costas e, de prático, apenas um bom chute ao gol, bem defendido pelo goleiro Marcelo Boeck, na primeira investida ofensiva da Ponte durante a partida.

Não seria o caso, Brigatti, de puxar o regular lateral Ruan da esquerda à direita, e assim proceder a volta de Orinhos à lateral-esquerda?

BARCELOS

Podem até argumentar utilidade tática de Danilo Barcelos neste time pontepretano, mas na prática o futebol dele está bem aquém daquilo que se espera.

Não há construção de jogadas ofensivas. Não faz o papel de organização do meio de campo. E, marcando, por vezes é envolvido.

Aos 12 minutos do primeiro tempo, quando cobria a lateral, foi envolvido em jogada de fundo e, no desdobramento, o goleiro Ivan falhou ao rebater a bola no pé de Derley, do Fortaleza, que perdeu gol feito.

Certamente Brigatti terá postura conservadora já para a partida diante do São Bento, mas o lógico seria deslocar Júnior Santos como atacante de beirada pelo lado esquerdo, no lugar de Barcelos, e com isso abrir a possibilidade para a fixação do centroavante Neto Costa, com característica de homem de área.

Pelo raciocínio, Júnior Santos daria mais velocidade em jogadas ofensivas pela esquerda, assim como mostrou aptidão para ajudar na marcação quando seu time é atacado.

Eis aí a hipótese de a Ponte ganhar alternativa de balancear jogadas pelos lados do campo, não centralizando-as pela direita, com André Luís, fato que provoca desgaste ao atleta e substituição no segundo tempo.

Por que esse contexto? Porque em circunstâncias semelhantes ao segundo tempo contra o Fortaleza, a Ponte precisa criar alternativas para também jogar, em vez de ficar apenas defendendo vantagem construída no primeiro tempo.

Não fosse a parede feita no meio de campo por Nathan, João Vitor e Thiago Real, coadjuvados pela segurança dos zagueiros Renan Fonseca e Léo Santos, de certo o adversário encontraria atalho para chegar ao gol, face ao domínio absoluto exercido no segundo tempo?

FORTALEZA

Características do Fortaleza de propor o jogo, independente de adversário e local, indicavam equilíbrio na partida durante o primeiro tempo.

A diferença é que o time cearense às vezes exagerava ao rodar a bola no campo ofensivo, enquanto a Ponte, quando recuperava a posse, procurava impor mais velocidade nas jogadas.

O que não se contava era que o zagueiro Roger, do Fortaleza, cometesse erro infantil ao recuar bola de cabeça sem a devida comunicação ao seu goleiro Marcelo, que se adiantava. Gol contra do zagueirão aos nove minutos.

Como os dois times atacavam, Ivan se redimiu do erro anterior ao praticar defesa difícil em chute de Marlon, mas no rebote ele ainda contou com ajuda de João Vitor, que antecipou-se a dois adversários para desviar a bola da área.

ANDRÉ LUÍS

A Ponte, com André Luís, realizou duas boas jogadas. Em chute forte, fora da área, ele exigiu reflexo do goleiro Marcelo para a defesa.

Todavia, quando Nathan ganhou disputa pelo alto no meio de campo e Júnior Santos começou a arrancar com a bola, André foi incisivo no completo da jogada, ao deslocá-la do goleiro e fazer Ponte 2 a 0, aos 39 minutos.

No segundo tempo, além dos fatos já historiados, coloque na conta do árbitro paranaense Paulo Roberto Alves ao ignorar pênalti claro cometido pelo zagueiro Roger sobre Neto Costa.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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