Seleção Brasileira cai de pé; fez o possível diante de uma poderosa Bélgica

Time belga vence por 2 a 1 e avança na Copa do Mundo

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Vitória da França sobre o Uruguai é analisada na postagem abaixo.

Se é possível quebrar um pouco o gelo, cabe lembrar que o vidente Carlinhos, do Paraná, havia feito previsão, há um ano, que a Seleção Brasileira seria eliminada na Copa do Mundo da Rússia.

Todavia, esse mesmo Carlinhos que acertou ao prever tragédia com queda de avião que conduzia delegação brasileira - caso da Chapecoense -, arriscou prognosticar renúncia do presidente Michel Temer, mas, pelo visto, essa será uma previsão falha, apesar das recorrentes denúncias contra o chefe do executivo brasileiro.

Claro que não é o caso de se partir para caça às bruxas após a eliminação da Seleção Brasileira, na derrota por 2 a 1 para a Bélgica, nas quartas-de-final da competição.

Afinal, estiveram em campo na tarde desta sexta-feira equipes que se equivalem. Logo, qualquer resultado estaria plenamente dentro dos prognósticos.

CRÍTICAS

Claro que no momento de angústia, a tendência do torcedor é de postura passional.

Vão sobrar críticas aqui e acolá, mas é preciso, sobretudo, reconhecer méritos do adversário, que fez planejamento para se enquadrar entre os protagonistas na briga pelo título deste Mundial.

A Bélgica produziu uma geração que alia habilidade a conceitos táticos.

No primeiro tempo, quando trabalhou para construir o resultado, propôs o jogo, mesmo quando estabeleceu vantagem, no gol contra do volante Fernandinho, aos 15 minutos.

Foi o típico lance que se repete cotidianamente no futebol em cobranças de escanteios, e poucos conseguem anulá-lo.

Consiste em jogador correr para o primeiro pau, após o levantamento, e aí o atleta, em ‘casquinha’ na bola, desarruma a marcação defensiva.

Foi o que fez o zagueiro Kompany no toque de cabeça. Aí a bola tocou no ombro do volante Fernandinho, que marcou contra a sua meta.

Como Gabriel Jesus e Phillipe Coutinho não conseguiram concluir com sucesso contra a meta belga, em contra-ataque o Brasil sofreu o segundo gol.

Lançado na meia direita, De Brune finalizou de forma inapelável ao goleiro brasileiro Alisson, aos 30 minutos.

PRESSÃO BRASILEIRA

Conforme se previa, após o intervalo, a Seleção Brasileira se atirou ao ataque na tentativa de reverter aquela situação, mas aí encontrou pela frente um adversário que se fechou bem nas imediações de sua própria área e dificultou as penetrações dos jogadores brasileiros.

A entrada do atacante Douglas Costas, no lugar de Willian, deu velocidade e capacidade de drible ao time brasileiro, pela direita, mas prudentemente o treinador da Bélgica, Roberto Martinez, exigiu dupla marcação por ali, para garantir sempre a sobra.

Mesmo assim, nos pés de Douglas Costas o Brasil criou as principais jogadas ofensivas.

Demorou para o treinador Tite sacar o volante Paulinho e colocar no lugar Renato Augusto, que participou de dois lances agudos, um deles aos 35 minutos, quando subiu sozinho e testou no canto baixo do goleiro Courtois.

Claro que com o gol, o time brasileiro alimentou maior perspectiva para que pudesse chegar ao empate.

E no pé direito de Renato Augusto surgiu a grande chance, mas o chute foi para fora, assim como Phillipe Coutinho desperdiçou chance de ouro.

Quando Neymar exigiu defesa difícil de Courtois, aos 39 minutos, estava claro que não era dia dos brasileiros, que voltam pra casa com a consciência de que fizeram aquilo que foi possível.

QUESTIONAMENTOS

Podem até questionar que o lateral-direito Facner não está à altura das tradições do país na posição, mas claro está que, após a lesão de Daniel Alves, não havia entra opção.

Podem até argumentar que o volante Artur, do Grêmio, tem vantagem sobre Fernandinho, mas na prática essa possibilidade não havia sido devidamente testada na Seleção.

Era o caso, sim, de Tite ter sacado Paulinho e Gabriel Jesus na equipe.

Provavelmente haveria ganho se o meio-campista Renato Augusto fosse efetivado, mas o que fez Firmino com real oportunidade que teve?

Como o ‘se’ já não está em questão, o jeito é a CBF apoiar o trabalho do treinador Tite, e se rediscutir o futebol brasileiro no geral, principalmente as categorias de base, que castram a individualidade do atleta.

DE BRUYNE E HAZARD

Ainda da Bélgica, dois atletas merecem realce: como jogam os meias De Bruyne e Hazard!

O primeiro protege bem a bola, tem ótima visão de jogo, e ainda faz o trabalho de recomposição, ajudando na marcação.

Hazard é habilidosíssimo. Dribla com incrível facilidade e tem velocidade.

Esses dois jogadores podem fazer a diferença pró-Bélgica à conquista do título.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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