Guarani carece do meia-atacante de penetração para ‘clarear’ as jogadas

Com equipes de estilo semelhante, Vila Nova arranca empate no último minuto

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

O empate por 1 a 1 entre Guarani e Vila Nova (GO), na tarde-noite deste sábado, no Estádio Brinco de Ouro, refletiu com fidelidade o futebol apresentado pelas equipes na sequência do Campeonato Brasileiro da Série B.

O Guarani tentou administrar a vantagem no placar a partir dos 35 minutos do segundo tempo, quando passou a ser pressionado. Ao abdicou de jogar, o time bugrino começou a se desfazer da bola, e propiciou que o adversário ganhasse todos os rebotes.

Claro que faltava criatividade para o Vila Nova penetrar na defensiva bugrina, e aí os zagueiros Philipe Maia e Edson Silva se encarregavam de devolver de cabeça as bolas cruzadas.

Como o árbitro Alexandre Vargas Tavares de Jesus (RJ) exagerou ao determinar cinco minutos de acréscimo, o atacante bugrino Caíque cometeu pênalti infantil sobre Juninho, no último minuto de partida, convertido por Alex Henrique.

ESTILOS SEMELHANTES

Guarani e Vila Nova iniciaram a partida com estilo bem parecido. Seus jogadores trocavam passes na expectativa de brechas para terminar as jogadas.

Como ambos se recompunham rapidamente, fechavam bem os espaços na marcação, o único caminho para se aproximar das respectivas metas adversárias era usar os lados do campo, com o Guarani explorando mais o direito, todavia as bolas alçadas terminavam na cabeça dos defensores goianos.

Assim, no primeiro tempo, os goleiros não foram exigiram em defesas difíceis.

CARÊNCIA DO MEIA-ATACANTE

Contra adversários que colocam em prática dura marcação, está claro que o Guarani carece daquele meia-atacante condutor de bola, para entrar driblando, furar bloqueio adversário, e assim provocar clarão visando aproveitamento do conjunto.

Sem jogador com essa característica, o time fica burocrático no toque de bola, e passa a depender de lampejos de algum jogador.

Foi assim na cabeçada de Longuine, que o goleiro Mateus Pasinato defendeu no chão, e no lance de extrema felicidade do volante Ricardinho, quando, num bolo de jogadores à sua frente, aproveitou rebote do goleiro e acertou chute de primeira, sem defesa, aos 31 minutos do segundo tempo.

Naquele período o atacante Caíque já havia substituído o volante Denner, com ganho de velocidade pelos lados do campo, sem que implicasse em mais qualidade.

ANSELMO RAMON

E antes de o Guarani chegar ao gol, o treinador Umberto Louzer sacou Guilherme para a entrada de Anselmo Ramon, só que colocou Bruno Mendes no lado direito do campo.

Em circunstâncias como neste sábado, quando a insistência é maior de bola alçada, o recomendável seria o Guarani explorar dois cabeceadores na área - casos de Anselmo Ramon e Bruno Mendes - para que, proporcionalmente, as chances de aproveitamento fossem maiores.

Aí, Lenon ou até Ricardinho, no lado do campo, teriam incumbência dos cruzamentos.

ARBITRAGEM

De três jogadas capitais da partida, houve acerto e erro do árbitro Alexandre de Jesus.

Quando o lateral Maguinho travou Longuine dentro da área - ainda no primeiro tempo - o lance foi típico de pênalti, e não jogada perigosa como ele apontou, em prejuízo para o Guarani.

Jogadores do Vila Nova reclamaram de suposta compensação no segundo tempo, quando o lateral-esquerdo bugrino Pará teria interceptado a bola com o braço dentro da área, mas a jogada prosseguiu.

Quanto ao pênalti para os goianos no minuto final, a televisão mostrou que Juninho foi calçado por Caíque.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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