Paysandu foi bem organizado, mas Doriva escalou mal o time da Ponte Preta

Time pontepretano estreou com derrota em casa na segunda divisão nacional

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Cabem críticas, sim, ao time pontepretano pela estreia com derrota para o Paysandu por 1 a 0, em Campinas, pelo Campeonato Brasileiro da Série B, na noite deste sábado.

Sejamos justos, também, ao reconhecer o bem organizado time paraense, com méritos totais do treinador Dado Cavalcanti, que amadureceu bastante depois da passagem pela Ponte Preta, anos atrás.

Mesmo com equipe modesta, a variação tática do Paysandu merece registro. Quando atacado, o time se transforma até no 5-4-1, com três zagueiros, fechando bem os espaços para o adversário explorar.

E como detalhe: o zagueiro Perema adaptado para cobrir o lado direito de sua defesa, como faziam zagueiros centrais do passado.

Foto: Fábio Leone /AAPP
Foto: Fábio Leone /AAPP

Ao recuperar a posse de bola, a compactação dos jogadores do Paysandu possibilita saída rápida da defesa, com toques de primeira, de forma que a bola chegue até nas proximidades da área adversária.

Ainda em conformidade com a variação tática do Paysandu, de vez em quando o time alternava a chamada marcação alta, de saída de bola da Ponte, de forma que ela fosse rifada.

Claro que para colocar em prática esse moderno esquema, o time foi muito bem preparado fisicamente.

DORIVA

É regra críticos de futebol elogiarem treinadores quando, nas alterações de jogadores, o time melhora de rendimento.

Há casos e casos que precisam ser considerados.

Num elenco ainda limitado como o da Ponte Preta, o treinador Doriva não pode se dar ao luxo de deixar o rápido e hábil atacante André Luís na reserva, e só colocá-lo em campo aos 20 minutos do segundo tempo.

Atuando apenas metade do segundo tempo, André Luís protagonizou as melhores jogadas ofensivas da Ponte, como aos 25 minutos, quando escapou de dois adversários e finalizou sem a devida força na bola, propiciando defesa do goleiro Renan Rocha.

Se Doriva o tivesse escalado, Felipe Saraiva deveria ficar no banco?

Não. Ambos poderiam ter sido escalados desde o início, com Saraiva na esquerda. Assim o time pontepretano não precisaria ficar penso pelo lado direito, como ocorreu no primeiro tempo.

Como a Ponte só tinha fluxo ofensivo com Saraiva, que ainda cumpria regiamente a atribuição tática de recuar para ajudar na marcação, é natural que fosse cansar e desaparecer do jogo no segundo tempo.

Portanto, erro de avaliação de Doriva, que precisa ser corrigido na sequência.

REYNALDO

Pra que escalar o limitadíssimo zagueiro Reynaldo, que acabou sendo opção válida de troca no intervalo?

Na busca de criatividade que faltava no meio de campo, Doriva recuou o volante Nathan à zaga e colocou em campo o meia Murilo.

A intenção foi boa, mas Murilo não respondeu positivamente como se esperava.

De que adiantaria a manutenção em campo do lateral-esquerdo Marciel - que pouco avançava - se Orinho pode ser mais útil explorando o espaço para arrancar com a bola, como fazem os laterais modernos?

Avançado e sem espaço pra arrancar com a bola, Orinho acaba sucumbindo.

Então acertou Doriva quando sacou Marciel e ganhou mais uma opção de ataque com a entrada de Fellipe Cardoso, que aos 48 minutos acertou cabeçada em que a bola atingiu o travessão.

TONY

Claro que ajustes serão feitos na sequência no time pontepretano, inclusive espera-se resposta totalmente diferente daquela vista neste sábado do lateral-direito Tony, discretíssimo com a bola nos pés e falho na marcação.

A busca de um meia organizador é indispensável. Quem tem boa visão de jogo descubre atalhos para explorar a rapidez do atacante Júnior Santos, que no primeiro tempo só chegou ao gol porque corajosamente o goleiro Matheus Rocha dividiu a bola e levou a melhor.

Não bastasse tudo isso, seguramente o zagueiro Renan Fonseca realizou a sua pior partida pela Ponte Preta, sendo responsável direto pelo gol do Paysandu, ao tocar mal na bola e presentear o atacante Cassiano, que chutou de bico e marcou o gol da vitória de sua equipe, logo aos três minutos de partida.

Oxalá Doriva tenha o real diagnóstico no material humano que lhe deram, corrija os seus próprios erros, e exija preferencialmente um meia que qualifique a equipe.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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