Filme do jogo e desculpas de Baptista foram os mesmos na derrota da Ponte

Time pontepretano perdeu para o Bragantino por 1 a 0, em Campinas

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

O filme que você assistiu na noite desta segunda-feira no Estádio Moisés Lucarelli não difere em nada de outros em que esteve envolvida a Ponte Preta neste Campeonato Paulista: garra, transpiração e incrível vontade de dar resposta satisfatória à torcida. Só que tem um problemão nesse enredo: falta bola ao time pontepretano. Montaram um elenco sem a devida qualificação, e não se pode cobrar da boleirada mais de que pode oferecer. Conclusão: mais uma derrota, desta vez para o Bragantino por 1 a 0.

Da garotada promovida já havia observado desde dezembro que, exceto o goleiro Ivan, nenhum estava preparado para assumir de imediato a camisa no time pontepretano.

Alguns até têm algumas virtudes, mas com claros defeitos não corrigidos na base, com reflexo imediato.

WESLEY MATTOS

Sobre os reforços, avalizei apenas o zagueiro Wesley Mattos, após performance regular pelo Vila Nova (GO) durante o Campeonato Brasileiro da Série B da temporada passada, mas, fora de ritmo, paradoxalmente foi partícipe da falha que originou o gol do Bragantino aos 33 minutos do primeiro tempo, através do atacante Matheus Peixoto, que ganhou na corrida e tocou na saída precipitada do goleiro Ivan.

A rigor, após vantagem no placar, o Bragantino tratou de se resguardar integralmente.

Ao sofrer pressão, foi ameaçado naquela etapa em duas circunstâncias: cabeçada do zagueiro Renan Fonseca na trave após cobrança de escanteio (embora o goleiro Alex estivesse na bola), e quando Alex praticou defesa em cabeçada de Silvinho, que diferentemente de outras ocasiões jogou por dentro, como meia-atacante, buscando a bola, e foi um dos poucos que se salvou no time pontepretano.

Evidente que em desvantagem, só restaria à Ponte partir para tudo ou nada, principalmente no segundo tempo. Todavia, apesar da pressão, faltou criatividade.

Na maioria das vezes a bola foi alçada à área do Bragantino, que rechaçou. Nas raras vezes que a Ponte trabalhou a bola pelos lados e o passe foi no chão, criou embaraço ao adversário.

Uma delas a bola rondou a área e o atacante Yuri não conseguiu alcançá-la. Em outra, louve-se o esforço do lateral Emerson ao acreditar em bola aparentemente perdida no fundo de campo, cruzou e o meia Léo Artur teve chance de ouro para empatar, mas chutou a bola para fora, com leve raspagem no travessão.

Portanto, a contagem exagerada do treinador pontepretano Eduardo Baptista de sete chances reais é facilmente contestada.

A rigor, em mecanismo de autodefesa, Batista repetiu várias vezes que ‘criamos bastante’. E, com a característica arrogância, comunicou aos desavisados que até o final do ano não se desliga do clube. “Minha preocupação é sempre montar a equipe para o próximo jogo”.

LÉO ARTUR

Nervoso, Batista estava tão desconectado do histórico do jogo ao 'rasgar' elogios para o futebol de Léo Artur no segundo tempo, quando o atleta foi recuado à função de volante.

Ora, ao pegar a bola limpa da defesa, Léo Artur só a tocou de lado, com o diferencial que não errou como de costume. Onde o atleta melhorou?

Portanto, apesar das limitações do elenco, acredita-se que seja possível melhorar um pouco o rendimento técnico de jogadores como Daniel, que tem relativo domínio de bola; orientar Orinho para jogo coletivo com triangulações pelos lados do campo; e trabalhar pelo menos um cobrador de faltas com eficiência.

Já que nada deve ser mexido na comissão técnica, cabe ao torcedor esperar por reação diante do Red Bull, e que o Santo André continue tropeçando.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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