Sem qualidade necessária, Ponte suportou pressão do Grêmio até quando deu

Time pontepretano perdeu de virada por 3 a 1 em Porto Alegre

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

“Acho que a nossa equipe foi bem e agora temos que trabalhar no próximo jogo”.

Foi assim que o atacante Negueba se manifestou ao repórter Vinícius Bueno da Rádio Bandeirantes-Campinas.

Trocado em miúdos, na cabeça dele ‘perdeu, perdeu; ganhou, ganhou’. Parece indiferente o fato de a Ponte Preta ter sido derrotada pelo Grêmio por 3 a 1 na tarde deste domingo, na Arena Olímpico, em Porto Alegre.

Esse é o sinal de descomprometimento de Negueba, que deveria ter sido avaliado por pessoas responsáveis por contratações no elenco da Ponte Preta.

A rigor, desatenção e descomprometimento foram colocados na agenda da Ponte na partida deste domingo. O elenco precisa urgentemente ser reforçado.

De certo o treinador Gilson Kleina será alvo de críticas e não desconsidere ameaça de perda do emprego.

São discutíveis erros do treinador nesta partida. Um deles, sem margem de dúvida, foi ter dado nova chance ao atacante Negueba, mesmo sabendo do pífio rendimento do meia Renato Cajá.

Discutível, a princípio, seria a escalação do volante Jadson, quando se tem a opção de Wendel para a posição.

Afora isso, o treinador fez aquilo que era possível com o material humano que lhe deram.

CINCO ZAGUEIROS

Respeitando a superioridade técnica do Grêmio, acertou Kleina ao escalar o time com cinco zagueiros?

Como assim? Cinco zagueiros?

Sim. Naldo foi posicionado basicamente como segundo lateral-esquerdo, exatamente para evitar que o Grêmio insistisse no corredor entre a lateral e quarta-zaga.

Jefferson, improvisado na lateral-esquerda, teve incumbência de dar o primeiro combate na tentativa de organização de jogadas dos gremistas pelo setor, a começar com seguidos avanços do lateral-direito Edilson.

Problema da Ponte é que ao recuperar a posse de bola, não contou com o articulador para lançar o atacante Lucca nas costas de Edílson.

Primeiro porque Renato Cajá continua mal e foi um erro o seu posicionamento do lado direito. Tivesse do lado esquerdo ficaria mais perto para acionar Lucca.

Como a proposta da Ponte era basicamente se defender e explorar os contra-ataques, executou bem a tarefa de marcação durante o primeiro tempo e ainda achou um gol, quando Lucca, deslocado pela direita, cruzou e imprudentemente o zagueiro Rafael Thyere marcou contra aos 34 minutos.

Na prática, as raras ‘estocadas’ ofensivas da Ponte naquele período foram com o lateral-direito Nino Paraíba, visto que contava com a cobertura de Jadson.

VIRADA

Era natural se esperar a pressão do Grêmio durante o segundo tempo.

Aí, mérito à jogada ofensiva do Grêmio pela esquerda para chegar ao empate através Lucas Barrios aos 11 minutos.

Circunstancialmente o empate até seria bom para a Ponte, não fosse a imprudência do volante Fernando Bob que cometeu pênalti desnecessário sobre Fernandinho, aos 25 minutos, permitindo a virada gremista.

Observação: várias partidas Bob deve melhor rendimento. E se arrisca sair jogando quando apertado e tem perdido a bola.

Aí, no desespero, a Ponte tentou se arriscar no ataque, deixou espaço ao Grêmio, mais buracos no miolo de zaga, e sofreu o terceiro gol aos 43 minutos, marcado por Everton.

LUCCA E SHEIK

Além da aplicação defensiva da Ponte no primeiro tempo, ressalta-se algumas jogadas pessoais do atacante Lucca, o único que arriscou finalizações.

Tem-se que ressaltar também que o atacante Sheik não realizou absolutamente nada de prático. Perdeu a maioria das tentativas de jogadas, e até poderia ter sido substituído. Não cola apenas a catimba pra provocar faltas.

ARIOVALDO IZAC
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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