Controle de dinheiro também passa longe no futebol

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

Perplexidade. Propina ali, propina acolá, e assim enfiam a mão no dinheiro. É bufunfa gorda pra uso pessoal e partidário dos homens que você elegeu em todas esferas da política.

Haja vassoura pra varrer tanta corrupção! E como dizia meu saudoso pai, ‘barrê com bassoura de alecrim’. Aquela feita manualmente na roça, cinco vezes maior de que a convencional.

No futebol campeou corrupção na CBF, tanto que o ex-presidente José Maria Marin cumpre prisão domiciliar nos Estados Unidos.

Marin está preso em Nova York
Marin está preso em Nova York
Não ouso acusar diretamente corrupção em clubes, até porque não posso provar.

Convenhamos, todavia, que o controle sobre dinheiro que entra e dinheiro que sai em clubes é coisa bem relativa.

Nem tudo é devidamente registrado. A incidência de dinheiro não contabilizado é regra na maioria das agremiações, sem que isso signifique necessariamente propina.

Historicamente jogador de futebol recebe um tanto por dentro - em carteira - e outro por fora. Aí o ‘leão’ leva drible estonteantes, lembrando zagueiros a procura da bola escondida por hábeis atacantes.

Queima-se dinheiro em clubes de futebol tanto quanto queima-se gravetos e lenha em festas juninas.

EMPRÉSTIMO DE DINHEIRO

‘Generosos’ dirigentes ou torcedores emprestam dinheiro a clubes, e sabe-se lá como é feita a contabilidade para o ressarcimento.

Dá pra acreditar que a amostragem na contabilidade corresponde fielmente à realidade?

A falta de transparência é tal que dirigente evita citações do custo das coisas, quanto gastou em empreendimentos, desconsiderando que deve satisfação à sua coletividade.

Como conselhos deliberativos de clubes são parceiros de chapas eleitas de diretorias executivas, esqueça a atribuição de fiscalizar do conselheiro. Quando um ou outro ousa suspeitar de qualquer coisa, um rolo compressor sufoca tudo.

Apressam-se em aprovações de relatórios financeiros sem a devida verificação, ou são impedidos porque malandramente os formatam em letras do tamanho de bulas de remédios. Assim, prevalece a cega confiança no amigo.

Nesse cenário, fanáticos torcedores não perdem o hábito de colocar o pronome do caso reto sempre na primeira pessoa do plural, quando se referem ao seu clube: nós perdemos, nós ganhamos...

Ouve-se frequentemente, quando se destemperam nas discussões com adversários, coisas do tipo ‘nós temos mais torcida’, ou ‘nós temos equipe mais categorizada’.

Enquanto isso...

ARIOVALDO IZAC
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
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