Maurício Barbieri falou em tempo para implantar a sua filosofia no Guarani

Treinador avisou que a equipe precisa de ajustes, sem especificar quais

por ARIOVALDO IZAC - Campinas

Finado radialista Sérgio José Salvucci ensinava aos seus discípulos que durante entrevista o segredo é saber ouvir, para posteriormente perguntar sobre respostas incompletas, ou sobre dúvidas deixadas pelo entrevistado.

Pois em determinado momento da entrevista coletiva do treinador Maurício Barbieri, do Guarani, após o empate com o Penapolense no domingo, foi dito que para implantar a sua filosofia ‘vai levar um tempo’.

Epa! Tempo? Se estivesse entre os entrevistadores me espantaria, como de certo se espantaram torcedores bugrinos que acompanhavam as palavras do jovem treinador, sem que fosse questionado que o suposto tempo já passou e cobra-se resultados.

Tempo se o Guarani precisa conquistar cerca de 70% dos pontos ainda em disputa neste Campeonato Paulista da Série A2?

Se precisasse de tempo para implantar o seu estilo de trabalho, Barbieri nem deveria ter assumido empreitada no meio do caminho.

O problema do elenco do Guarani era para ontem, e não de tempo para enquadramento daquilo que planeja o treinador.

AJUSTES NA EQUIPE

Por duas vezes Maurício Barbieri falou que ainda precisa fazer alguns ajustes na equipe, mas quais são na concepção dele?

Eis a réplica natural que o torcedor bugrinos esperava ouvir e não ouviu.

Aí me lembrei do bordão característico do também saudoso narrador de futebol Pereira Neto, da antiga Rádio Educadora de Campinas, quando anunciava os repórteres de sua emissora para entrevistas: “Agora, você ouvinte vai acompanhar as perguntas que gostaria de ouvir”.

Como contra o Penapolense foi o jogo do rádio, e reluto acompanhá-lo em estádios, transferi análise aos bugrinos que estiveram no Estádio Brinco de Ouro. Todavia, como a maioria se negou expressar aquilo que viu, fico com a observação do jogo contra o Votuporanguense, em que constatei pouca evolução no time bugrino.

De concreto naquela partida - e reconheci isso - foram os passes até lentos para redução dos erros, e as substituições no segundo tempo, quando foram sacados os cansados e então improdutíveis Marcinho e Fumagalli, para se colocar sangue novo com Lorran e Bryan Samudio.

O Guarani se apega no nivelamento por baixo dessa Série A2 para objetivar reviravolta na classificação, e chegar entre os quatro primeiros nesta primeira fase.

Logo, nem é preciso dizer que tem obrigação de vencer o Velo Clube nesta quarta-feira, em Campinas, como primeiro passo dessa nova empreitada.

ARIOVALDO IZAC
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
Veja perfil completo
Veja todos