Morre V8, uma história focada na fotografia e futebol

Ligação estreita com o Guarani desde os anos 50

por ARIOVALDO IZAC - - - Campinas

Deus, na sua infinita bondade, alongou o tempo de vida do corretíssimo Aristides Pedro da Silva, o V8, até a noite de quarta-feira. Havia perdido o contato com ele há mais de 15 anos. Ás vezes o encontrava pelas ruas centrais de Campinas, com a sua inseparável bolsa, ou em treinos e jogos do Guarani.

V8 morreu aos 90 anos de idade e, enquanto gozava de plena saúde, fez aquilo que mais gostava: discussão sobre futebol e fotografia.

V8 foi sinônimo da história viva de Campinas. E como uma imagem equivale a mil palavras, não tem preço as fotos cedidas para o setor de memória da Unicamp dos bondes que circulavam pela cidade e retirados pelo então prefeito Orestes Quércia em 1969.

V8 não só mostrou a relíquia que foi o Teatro Municipal de Campinas, como clicou todo processo de demolição determinado pelo antecessor de Quércia, o insensível Ruy Hellmeister Novaes.

Parte de uma bela história de Campinas foi pro chão rapidamente em 1965, com aquela demolição. O teatro ficava atrás da Catedral Metropolitana, na Rua 13 de Maio.

TÁTICA

V8 também gostava de discutir tática de futebol, com base na experiência de treinador de juvenis e até interinamente do time principal do Guarani.

Quantas e quantas vezes ele fazia questão de apresentar contra-ponto de minhas opiniões, alongando nossas habituais resenhas.

O fato de torcer para o Guarani não tirava dele o espírito crítico. A paixão jamais sobrepôs à razão.

Por tudo que V8 representou, e sobretudo pela sincera amizade, resta-me desejar que descanse em paz.

ARIOVALDO IZAC - -
Jornalista esportivo há 35 anos. Trabalhou, como jornalista, nas emissoras de Rádio Brasil, Educadora, Central, Jequitibá e Capital (São Paulo). Nos jornais: Diário do Povo e Jornal de Domingo, ambos de Campinas, e editor de Economia e Opinião do Jornal Todo Dia, de Americana.
Veja perfil completo
Veja todos