Opinião Edmar Ferreira: Ex-zagueiro do Guarani é idolatrado
Limeira, SP, 21 (AFI) – Cabelos brancos e um sorriso de satisfação e de dever cumprido estampado no rosto. Entrevistei esta semana o esportista Luís Carlos Pedro (foto), o “Bidon”, de 73 anos, que esteve em Limeira. Atualmente ele vive em Americana e sempre cercado de muitos amigos. Apaixonado por futebol, ele procura se informar sobre os times da região, em especial o Independente, time que comandou por três temporadas nos anos 90.
Triste
Bidon ficou triste com o rebaixamento do Galo para a última divisão do futebol paulista. Ele elogiou a torcida e lembrou que a mesma é fanática, não merecendo tanto sofrimento. No seu tempo ele fazia aquela famosa caravana da alegria e chegou a levar 16 ônibus lotados para um jogo em Barretos. Segundo ele, é uma pena ver o alvinegro nessa situação.
Volta
Bidon deixou escapar que pode até voltar até a ser treinador, mas no momento nada de concreto existe. Ele teria recebido uma proposta de trabalho de um time mineiro, que até o balançou. Natural de Araguari, o esportista tem um carinho todo especial pelos mineiros. Esse não é o seu objetivo atual, mas ele não descarta nada no futuro. Segundo ele, se voltar será por dinheiro e não por prazer.
Carreira
Como jogador profissional, o zagueiro Bidon passou por várias equipes, a maioria de ponta como Guarani de Campinas, Ponte Preta, Portuguesa e Palmeiras. Pelo interior, defendeu a Internacional de Limeira nos anos de 1961, 62 e 63 e jogou pelo XV de Piracicaba. Também vestiu as camisas de América Mineiro e Fluminense de Araguari.
Época
Bindon brinca e diz que “nasceu em época errada”. Ele era um zagueiro estiloso, que saía para o jogo. Hoje ele compara seu futebol ao do zagueiro Alex Silva, do São Paulo. Modéstia à parte, se Bidon jogasse nos dias de hoje, fatalmente estaria na Europa e ainda por cima, milionário.
Parou
Bidon pendurou as chuteiras aos 35 anos em razão de uma lesão nos ligamentos do joelho esquerdo. Ele queria jogar mais algumas temporadas, mas para que isso acontecesse era preciso operar. Com receio da cirurgia, decidiu parar. O becão sofreu uma grave torção contra o Santos, quando defendia a Ponte Preta. Até hoje o seu joelho dói.
Despedida
Seu último time foi o Vasco da Gama, de Americana, em 1967. Foram 12 Campeonatos Paulistas seguidos e segundo ele, em nenhuma vez conseguiu marcar o Rei Pelé.
“Eu nem dormia direito quando no dia seguinte o encontro era com o Peixe. O Negrão não era fácil e me entortava todas as vezes mesmo”, brincou.
Técnico
Como o futebol continuava em seu sangue, Bidon tratou de iniciar a carreira como treinador. Seu primeiro desafio foi no próprio Vasquinho, de Americana, hoje Rio Branco, time integrante da Série A2. Grêmio Sãocarlense, São Paulo de Campo Belo e Noroeste foram suas outras passagens.
Show
No Independente ele foi um “show de mídia” à parte. Ele lembra que carregava consigo o slogan “A estrela do Bidon vai brilhar”. Com seu jeito folclórico de ser, ele carregou multidões para os jogos do Galo. Ele chegou a andar em um elefante – emprestado de um circo – no centro da cidade para divulgar um jogo decisivo do Independente. Ele gostava de estar ao lado da massa e por isso, marcou para sempre seu nome no futebol limeirense. Até hoje é lembrado nas ruas e abraçado por todos.
Títulos
O que Bidon realmente sente falta na carreira é de títulos. Ele mesmo conta que foi um zagueiro competente, porém sem sorte. Por onde passou fez um bom trabalho, mas as equipes não decidiam títulos. Ele foi ser vice-campeão catarinense da Primeira Divisão pelo Marcílio Dias como treinador em 1980, apenas isso. Mas ele não se importou com isso e não se arrependo de nada.
Família
Viúvo, o palmeirense Bidon torce agora pela felicidade dos filhos. Danilo por exemplo, tem 20 anos e está seguindo os passos do pai. No ano passado foi campeão cearense de futebol com o Ceará, naquele bom time comandado por Zé Teodoro. A mais velha é Cristina, de 42 anos, que trabalha na Prefeitura. O outro é o veterinário Vítor, de 25 anos. Já quem puxou o lado humorístico do treinador foi seu filho Ricardo, o “Bidonzinho”, que vem arrebentando na televisão limeirense com suas brincadeiras, sempre regadas de muito profissionalismo.
Apelido
Até hoje as pessoas perguntam de onde surgiu o apelido Bidon. Atencioso, o treinador lembrou que o autor foi o repórter Mário Pontes Beline, da Rádio Educadora de Campinas.
“Minha avó era do lado dos aztecas e adorava colocar nomes esquisitos nos integrantes da nossa família. Eu, por exemplo, ganhei de herança o nome de Abdenur, que significa o Deus do Sol no Líbano. Em princípio, pensei até em usar esse nome na carreira, mas os narradores e repórteres de Campinas não conseguiam acertar a pronúncia. Em uma dessas viagens com o Guarani, o Mário Pontes sentou ao meu lado e me intimou, dizendo que não falaria mais Abdenur e sim Bidon. De onde ele tirou esse apelido eu não sei, mas a verdade é que pegou. Hoje ninguém me conhece por Luís Carlos Pedro”, confidenciou.
Alex
Uma aventura no gelo, porém bastante prazerosa. O limeirense Alex José Neves, de 23 anos, passou por sua primeira experiência internacional este ano. Ele retornou recentemente da Suécia, onde passou por duas equipes da Terceira Divisão em um curto período de apenas três meses.
Onde?
Jogador do H2S na Terceirona do Campeonato Amador de Limeira, Alex Neves contou que foi o seu próprio patrão Marcelo Pinheiro que o incentivou a tentar a sorte no futebol. Seu primeiro time na Suécia foi o FC Norrkoping, onde disputou oito jogos e marcou 13 gols, sendo um dos artilheiros da equipe. Depois foi emprestado ao BK Rird, onde em cinco jogos (três vitórias, um empate e uma derrota) marcou dois gols.
Amigos
Alex Neves, que nasceu em Limeira em 04/02/1985, não foi sozinho. Ele foi aprovado em um teste realizado na cidade de Conchal e viajou com o zagueiro limeirense Thiago, com o goleiro Dida, ex-Independente, com o habilidoso Villy, também com passagem pelo Galo da Vila, com o meia Marcelo, de Holambra e com o atacante Wendel, de São Paulo. Outros três jogadores bastante conhecidos da torcida limeirense também estão no futebol sueco, são eles o zagueiro Albéris, o volante Bruno Marinho e o atacante Curumim.
Volta
Existe a possibilidade de Alex Neves retornar ao futebol sueco no mês de agosto. Enquanto isso, vem buscando acertar com alguma equipe brasileira. Portuguesa Santista e Tiradentes do Ceará estão no páreo. O limeirense elogiou o país europeu, que respira Ibrahimovic, maior ídolo dos fanáticos torcedores de futebol suecos.
Viagem
São 14 horas de viagem de avião até a capital Estocolmo e mais duas horas de trem até a cidade onde ficou hospedado. Ele enfrentou um intenso frio, cuja temperatura chegou a sete graus abaixo de zero. Alex Neves é casado com Érica Francesca Cavalieri Neves e será papai em breve.
Amigos do esporte até a próxima!





































































































































