Bom Senso FC apresenta ideias à CBF e espera respostas daqui 2 semanas

O movimento defende propostas que beneficiam uma pequena parte dos jogadores que atuam no Brasil

por Agência Futebol Interior

Rio de Janeiro, RJ, 07 (AFI) – O movimento Bom Senso F.C, formado por atletas da Série A e da Série B do Campeonato Brasileiro deu um passo importante para ele e ruim para a maioria dos jogadores brasileiros nesta segunda-feira no objetivo de ajustar o calendário brasileiro de forma que haja mais tempo para férias e pré-temporadas a jogadores da Série A e B do Brasileirão já no ano que vem.

Na tarde desta segunda-feira, o goleiro Dida (Grêmio), os zagueiros Cris (Vasco) e Paulo André (Corinthians) e os meias Juninho Pernambucano (Vasco) e Seedorf (Botafogo) se reuniram com o presidente da CBF, José Maria Marin, o vice-presidente, Marco Polo Del Nero e o diretor jurídico da entidade, Carlos Eugênio Lopes, para apresentar os cinco pontos principais pedidos pelo Bom Senso F.C.

Se por um lado, as mudanças propostas pelo movimento Bom Senso F.C. trarão benefícios a jogadores que atuam na Série A e na Série B do Campeonato Brasileiro, por outro, jogadores que disputam campeonatos de menor expressão podem ser prejudicados, com um calendário menor que poderá inclusive acabar com diversos Estaduais pelo país.

Proposta elitista
As propostas beneficiam uma parcela infinitamente menor do que a quantidade de atletas que vivem de futebol no país. A redução no número de Estaduais pode fechar diversos clubes com situações financeiras menores ou mesmo diminuir o número de jogos de atletas que disputam, muitas vezes, pouco mais de dez jogos por ano.

Se para os clubes da Série A e da Série B o calendário está lotado, para a outra maioria gigantesca de clubes brasileiros o calendário já é curto e com a aprovação das propostas do Bom Senso F.C. ficarão ainda menores. Somados os 20 clubes da Série A e mais os 20 clubes da Série B, são 40 times.

Mas no Brasil são mais de 500 clubes profissionais que disputam as Primeiras Divisões de cada Estado e que ficam, praticamente, sem calendário e sem apoio de suas Federações Estaduais. Isso envolve perto de 10.000 atletas profissionais. E se forem considerados clubes que disputam Segunda e às vezes Terceira Divisões, são mais cerca de 300 clubes, ou seja, mais 6.000 atletas.

Se este movimento envolve a defesa de perto de 800 atletas, então pdoe-se dizer que de outro lado ficam de fora a maioria dos atletas, algo em torno de 15 mil atletas

Em uma reunião que durou aproximadamente duas horas, os dirigentes da CBF pediram duas semanas para analisar as propostas e marcar uma nova reunião, em que serão esclarecidas se os pontos poderão ser aceitos, alertados ou descartados. Na saída da reunião, o zagueiro Paulo André falou ao enviado especial do Portal Futebol Interior, Wellington Campos, sobre o que foi discutido nesta segunda-feira na sede da CBF. (Confira o áudio da entrevista no final do texto)

“Nós trouxemos para eles os cinco pontos que o movimento acredita ser de benefícios em prol do futebol brasileiro e eles ficaram de nos dar um retorno daqui duas semanas, então seremos chamados para conversar novamente e buscar as mudanças já para o ano que vem”, disse Paulo André, um dos líderes do Bom Senso F.C.

Os cinco pontos definidos pelo Bom Senso F.C. como ideais para a melhora do futebol brasileiro são:

1)Calendário do futebol nacional;

2) Férias dos atletas;

3) Pré-temporada;

4) Fair play financeiro;

5) Representatividade nos conselhos técnicos.

Questionado sobre se uma resposta negativa por parte da CBF às propostas do movimento gerará uma greve dos atletas nas duas últimas rodadas do Brasileirão, Paulo André desconversou e disse que primeiro prefere escutar o que os dirigentes da CBF dirão.

“Nós queremos benefícios em prol do futebol brasileiro e eles ficaram de nos dar um retorno daqui duas semanas, então seremos chamados para conversar novamente e buscar as mudanças já para o ano que vem”.

Em nota, Marin argumentou que algumas das solicitações dos jogadores já estão sendo estudadas pela CBF, como o fair play financeiro. O dirigente garantiu também que está conversando com líderes das federações estaduais para solucionar a questão da pré-temporada, reduzida no calendário de 2014, divulgado recentemente.

"Estou conversando com os presidentes das Federações e solicitando o adiamento do início dos Estaduais, para que se encontre uma solução que consiga conciliar as necessidade dos jogadores, na sua preparação na pré-temporada, e dos clubes", assegurou o presidente da CBF, que prometeu encaminhar o dossiê a todos os segmentos envolvidos no futebol, como sindicatos e emissoras de TV.

Marin prometeu dar uma resposta aos jogadores sobre as reivindicações em duas semanas. O prazo se deve aos compromissos do dirigente com a seleção brasileira na Ásia. O grupo de Luiz Felipe Scolari fará dois amistosos, no sábado e na próxima terça-feira, em Seul e Pequim.

"Eles [jogadores] saíram daqui conscientes de que à CBF não cabe também uma decisão unilateral sobre os problemas abordados. O que torna necessária a discussão com todos os setores envolvidos, para que se chegue a uma solução que seja benéfica para o futebol brasileiro como um todo", afirmou Marin.

Falta de um sindicato forte
A criação e aforça do movimento Bom Senso F.C. só ganhou notoriedade nas últimas semanas porque não existe um Sindicato de Atletas forte no país. Em entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN, o meia Alex, um dos principais líderes do movimento, criticou a forma como o sindicato age no país e afirmou que o movimento é livre de qualquer corrente política.

"Nunca precisei do sindicato, então não posso julgar se eles fazem um bom trabalho. Até porque atuei nove anos fora do país. Mas no caso do nosso movimento eu não gostei da atitude deles. Eles agiram como Poncio Pilatos na crucificação de Jesus e lavaram as mãos", falou o meia. (VEJA O VIDEO ACIMA)

O Sindicato não pronuncia nem a favor do Bom Senso F.C., nem em nome dos atletas de clubes e campeonatos menores, deixando que o movimento ganhe força e faça a cabeça dos dirigentes da CBF. Pior do que isso, os Sindicatos estão mortos e sem evolução há decadas, em São Paulo, por exemplo, Rinaldo José Martorelli é presidente há duas décadas.