Atacante da seleção se pronuncia sobre morte de homem negro no Carrefour: 'Covardia'

E, por incrível que pareça, o jogador chegou a ser criticado por alguns internautas.

por Agência Futebol Interior

São Paulo, SP, 20 (AFI) - Richarlison, atacante da seleção brasileira e do Everton, da Inglaterra, é um dos jogadores que mais lutam por causas dentro do futebol. Após pedir um pronunciamento do Governo brasileiro a respeito do 'apagão' no Amapá, o atleta protestou, no Dia da Consciência Negra, contra a morte de um negro no estacionamento da rede Carrefour.

Nas redes sociais, Richarlison postou "Covardia demais". E, por incrível que pareça, o jogador chegou a ser criticado por alguns internautas. Mais tarde, o atacante publicou.

"Parece que a gente não tem saída...Nem no dia da Consciência Negra. Aliás, que consciência? Mataram um homem negro espancado na frente das câmeras. Bateram e filmaram. A violência e o ódio perderam de vez o pudor e a vergonha. George Floyd, João Pedro, Evaldo Santos foram em vão?".

Richarlison protestou contra o caso no Carrefour
Richarlison protestou contra o caso no Carrefour

O CASO!
Um homem negro foi espancado e morto por dois homens brancos em uma unidade do supermercado Carrefour em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na noite desta quinta-feira, 19. Informações preliminares apontam que os agressores foram um segurança e um PM temporário. A vítima, João Alberto Silveira Freitas, tinha 40 anos. A Polícia Civil do Estado investiga o crime. Nesta sexta-feira, 20, comemora-se o Dia da Consciência Negra.

De acordo com o delegado Leandro Bodoia, plantonista da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa, teria havido um desentendimento entre a vítima e funcionários. Testemunhas disseram que João Alberto fez “gestos agressivos” dentro do supermercado enquanto passava as compras pelo caixa. “Não foi nada muito grave”, diz o delegado. Neste momento, os seguranças foram chamados e o conduziram para fora da loja. A esposa da vítima seguiu dentro do estabelecimento finalizando a compra.

Segundo Bodoia, câmeras de segurança mostraram o homem desferindo um soco no segurança. Neste momento teriam começado as agressões. Além do segurança do Carrefour, um policial militar temporário que estaria no local como cliente também participou do crime. Quando a esposa de João Alberto saiu do supermercado em direção ao estacionamento, viu a cena. Uma ambulância do Samu foi ao local e tentou reanimá-lo, mas ele não resistiu às agressões. Os suspeitos foram presos em flagrante.

Em nota enviada à reportagem, o Grupo Carrefour considerou a morte “brutal” e disse que “adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos”. Afirmou também que vai romper o contrato com a empresa responsável pelos seguranças e que o funcionário que estava no comando da loja durante o crime “será desligado”. O grupo disse ainda que a loja será fechada em respeito à vítima e que dará o “suporte necessário” à família da vítima.