Com gols de Ronaldo e Rivaldo, Brasil iniciava jornada do penta há 18 anos

Até a estreia da Copa do Mundo, Seleção Brasileira superou dificuldades e chegou sob desconfiança em 2002

por Federação Paulista (FPF)

Campinas, SP, 03 (AFI) - Toda trajetória tem seu início, assim como toda jornada tem herói ou heróis. Na epopeia da Seleção Brasileira até a conquista do penta não foi diferente. Os dois principais personagens do Brasil na Copa do Mundo de 2002 fizeram a diferença no jogo de estreia diante da Turquia, há exatos 18 anos.

Antes de chegar ao maior evento futebolístico do planeta, a Seleção Brasileira passou por transformações e momentos difíceis. A começar por tudo que envolveu a final da edição anterior, na qual a, até então, tetracampeã enfrentou a França, de Zidane. O amargo placar de 3 a 0 diante dos Les Bleus é lembrado até hoje por conta do episódio da convulsão de Ronaldo, horas antes da decisão.

Com gols de Ronaldo e Rivaldo, Brasil iniciava jornada do penta há 18 anos
Com gols de Ronaldo e Rivaldo, Brasil iniciava jornada do penta há 18 anos
Depois do Mundial, Vanderlei Luxemburgo assumiu o comando da equipe, no lugar de Zagallo. Em 1999, o novo comandante levou o time até a final da Copa das Confederações, mas acabou perdendo para o México, por 4 a 3, na final. No ano seguinte, começaram as Eliminatórias para a Copa do Mundo, de 2002, sediada pela primeira vez em dois países: Korea e Japão.

Com um empate sem gols no primeiro jogo das eliminatórias, diante da Colômbia, a equipe comandada por Luxemburgo conviveu com altos e baixos. Desde a vitória sobre a Argentina, por 3 a 1, no Morumbi, até a derrota sofrida diante do Chile, por 3 a 0, em Santiago. O último jogo do técnico à frente da Seleção, pelas eliminatórias, foi na goleada por 5 a 0, contra a Bolívia. Depois disso, chegaram os Jogos Olímpicos, em Sydney. O time brasileiro perdeu para o Camarões nas quartas de final, por 2 a 1, e Vanderlei já não fazia mais parte dos planos.

Sem um novo treinador definido, o Brasil bateu a Venezuela pelo elástico placar de 6 a 0, sob o comando do interino Candinho, ex-auxiliar de Luxa. Mais tarde, Emerson Leão era anunciado como novo técnico. No primeiro jogo depois do anúncio, o antigo goleiro acompanhou o jogo das tribunas do Morumbi e pode ver o descontentamento da torcida com o futebol apresentado, que levava a um empate sem gols, contra a Colômbia. O cenário só não foi pior porque Roque Júnior marcou aos 48 do segundo tempo, dando a vitória aos donos da casa.

Mesmo assim, o retrospecto do novo comandante não foi bom. Depois da vitória suada contra os colombianos, Leão e seus comandados sofreram derrota para o Equador, seguido de um empate contra o Peru, antes de rumarem para a Copa das Confederações de 2001. No torneiro preparativo para o Mundial, o escrete nacional acabou sendo eliminado pelo seu algoz da Copa de 98, culminando em mais uma demissão de treinador. Em junho daquele mesmo ano, a CBF anunciava Luiz Felipe Scolari para o cargo.

FAMÍLIA SCOLARI
O começo para Felipão também não foi fácil. Em seu debute, sofreu derrota para o Uruguai, por 1 a 0. Em seguida, teve que conviver com a eliminação precoce na Copa América, pela Seleção de Honduras. Na volta às Eliminatórias bateu o Paraguai, em Porto Alegre, por 2 a 0. Porém, tropeçou diante da Argentina. Faltando apenas três rodadas para o fim da classificação para a Copa, o Brasil voltou a vencer, ao superar o Chile.

Mas a situação se complicou na partida seguinte, quando o treinador viu seu time perder para a modesta Bolívia, por 3 a 0. Com essa derrota, a Seleção corria o sério risco de ficar de fora da principal competição de futebol pela primeira vez em sua história. Para alívio de todos, Luizão anotou dois gols e Rivaldo outro, na vitória em cima da Venezuela, pela última rodada. A Seleção se classificou na terceira posição, com 30 pontos, apenas três a mais que a não classificada Bolívia.

Mesmo com a forte pressão popular, que clamava pela convocação de Romário, ainda nas Eliminatórias, Felipão estava determinado. Então, no dia 6 de maio de 2002, convocou os 23 atletas que disputariam o torneio mundial. Esse esquadrão futuramente ficou conhecido como “Família Scolari”.

RESSURREIÇÃO DO FENÔMENO
A campanha brasileira nas Eliminatórias contava com uma ausência crucial. No dia 12 de abril, atuando pela Internazionale-ITA, Ronaldo sofreu uma lesão da qual as imagens chocaram o mundo inteiro. Na ocasião, o Fenômeno retornava aos gramados depois de quase cinco meses se recuperando de uma lesão no joelho direito. Mas o que era para ser um retorno marcante, acabou se tornando em nova preocupação.

Em duelo contra a Lazio, pela Supercopa da Itália, o atacante substitui Roberto Baggio, aos 13 do segundo tempo. Sete minutos mais tarde, todos ao seu redor se desesperam. O craque está caído na entrada da área e levando a sua mão ao joelho direito. O brasileiro foi retirado do campo aos prantos e precisou de quase um ano e três meses de recuperação. Retornando aos poucos, o Fenômeno entrava em campo ocasionalmente, mas foi o suficiente para Felipão o convocar para a Copa do Mundo.

A PRIMEIRA DAS SETE
Na Copa do Mundo, a Família Scolari fez uma campanha digna de respeito. Com 100% de aproveitamento, foram sete vitórias em sete jogos. Para a estreia, a seleção enfrentava diversas questões como a não convocação de Romário, a desconfiança sobre Ronaldo, o corte do capitão Emerson, que se lesionou durante o rachão na véspera da estreia.

Porém, desde o início da saga em busca do penta, o Brasil contava com uma dupla de ataque que colocava medo em qualquer adversário. Assim como durante toda a competição, a dupla formada por Ronaldo e Rivaldo deu sinais do que iriam protagonizar no primeiro jogo, diante da Turquia. Apesar dos adversários abrirem o placar, no final do primeiro tempo, cinco minutos após a volta do intervalo, Rivaldo faz belo cruzamento na área e o Fenômeno deixou tudo igual.

O restante da partida continuou trazendo dificuldades para o esquadrão brasileiro. Entretanto, quando parecia que a partida terminaria empatada, Alpay derrubou Luizão fora da área, mas o árbitro marcou pênalti e expulsou o jogador turco. Sem Ronaldo, substituído por Luizão, Rivaldo chamou a responsabilidade e cobrou no canto esquerdo do goleiro Rustu, que ainda acertou o lado, mas não impediu a virada brasileira aos 42 da etapa complementar.

FICHA TÉCNICA
Brasil 2 x 1 Turquia

Data: 03 de junho de 2002;
Estádio: Munsu Cup Stadium - Ulsan (Coreia do Sul);
Público: 33.842;
Árbitro: Kim Young-joo (Coreia do Sul);
Cartões vermelhos: Alpay, Unsal;
Cartões amarelos: Akyel, Unsal, Alpay, Denilson;
Gols: 45+2' Hasan Sas (TUR); 50' Ronaldo (BRA) e 87' Rivaldo (BRA) (pen).

Brasil: Marcos; Lucio, Roque Júnior, Edmílson; Cafu, Roberto Carlos; Gilberto Silva, Juninho (Vampeta), Ronaldinho (Denílson); Ronaldo (Luizão), Rivaldo. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Turquia: Rustu, Korkmaz (Mansiz), Akyel, Alpay Ozalan, Tugay Kerimoglu, Hakan Sukur, Yildiray Basturk (Davala), Hasan Sas, Unit Ozat, Hakan Unsal, Emre Belozoglu. Técnico: Senol Gunes.

Mateus Bezerra, especial para o site da FPF