Morreu Pedro Rocha, o Dom Pedrito, ídolo do São Paulo na década de 70

Ele completaria 71 anos nesta terça-feira, mas sofria há cinco anos de uma doença degenerativa

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 3 (AFI) – Enquanto o Brasil perdeu na semana passada o ex-lateral bicampeão do mundo pelo Brasil, Nilton Santos, chamado de “Enciclopédia” por seu repleto repertório de jogadas, o futebol do Uruguai perdeu um dos maiores meias de sua história. Morreu, nesta segunda-feira, em São Paulo, em sua casa, Pedro Rocha, que defendeu o Uruguai em quatro Copas do Mundo, um recorde no país, e brilhou com a camisa 10 do São Paulo na década de 70. Também ganhou o apelido de Verdugo - o Carrasco.

A causa da morte seria uma doença degenerativa, que já o atormentava há cinco anos, chamada atrofia do mesencéfalo. Ele tinha 70 anos, mas completaria 71 anos justamente neste dia 3 de dezembro, terça-feira. Depois de se dar mal no controle de um bingo, Pedro Rocha teve muitos problemas financeiros. Atualmente recebia uma aposentadoria inferior a R$ 1.800,00 (mil e oitocentos reais) e só conseguia se tratar e comprar medicamentos com auxílio da direção do São Paulo.

Ele foi ídolo do Penãrol, onde marcou 81 gols em 159 jogos. Era um jogador inteligente, que jogava de cabeça erguida, dava passes preciosos e cobrança falta com exímia categoria.

Dom Pedrito, como era chamado carinhosamente pela torcida, disputou 375 jogos pelo São Paulo e marcou 113 gols, sendo o 11.º artilheiro do Tricolor. Pela seleção uruguaia, chamada de Celeste ele atuou 52 vezes e marcou 17 gols. Para se ter uma noção da grandeza de Pedro Rocha ele era considerado por Pelé como um dos cinco maiores jogadores do mundo em todos os tempos.

Adaptado ao Brasil, muitos anos após pendurar as chuteiras Pedro Rocha tentou ser treinador. Trabalhou em muitos clubes, mas não emplacou entre os "top de linha". Passou rapidamente pela Portuguesa e Internacional-RS, também sem sucesso. Treinou 20 clubes entre 1981 e 2009, quando sofreu um AVC.

CAMPEÃO DO MUNDO

Pedro Virgílio Rocha Franchetti teve uma carreira brilhante. Assumiu uma vaga no Penãrol em 1960, quando o time preto e amarelo já era bicampeão do país. Como o time, na época, era repleto de craques, o “menino prodígio” foi encostado para a ponta direita, onde brilhou e conquistou mais três títulos seguidos pelo clube de Montevidéo.

Depois não parou mais de conquistar títulos,sagrando-se campeão uruguaio em 1964, 65, 67 e 68. Conquistou ainda três Libertadores, em 1960, 61 e 66.

Se não conquistou a Copa pelo Uruguai, conseguiu ser campeão do mundo por seu clube em duas oportunidades. A primeira em 1961, em cima do Benfica, e a segunda em 1966 contra o poderoso Real Madrid.

TÍTULO ROUBADO
Pedro Rocha chegou ao São Paulo em 1970, mas enfrentou muitas dificuldades para se adaptar para jogar ao lado de Gerson, vindo do Botafogo. As vezes atuava a de maia, outras de ponta e até de centroavante.

Mas foi campeão pela primeira vez em cima da Ponte Preta, num jogo polêmico em que um pênalti inexistente sobre Terto, assinalado por Arnaldo César Coelho, atual comentarista de arbitragem da Rede Globo. O gol derrubou a Ponte Preta, que iniciou uma sina de vice-campeã paulista: 1970, 1977, 1979, 1981 e 2010.

Em duas temporadas, 1970 e 1971, só tinha marcado 13 gols em 53 jogos, muito pouco para quem já tinha conquistado tantos títulos. Mas em 1972, finamente, se firmou, justamente, quando Gerson deixou o clube e deixou Pedro Rocha solto no meio-campo. Nesta temporada fez 25 gols em 56 jogos. E dividiu a artilharia do Campeonato Brasileiro de 1972 com Dario Peito de Aço, do Atlético Mineiro, com 17 gols.

Em 1974 perdeu o título da Copa Libertadores para o Independiente da Argentina, que levou a taça na cobrança de pênaltis. Perseguido por lesões, aos poucos, foi perdendo espaço no Morumbi. Mesmo assim conquistou o título paulista, de novo, em 1975. Saiu do clube em 1977, quando Rubens Minelli fez um time forte e violento e sagrou-se campeão brasileiro ao derrotar o Atlético Mineiro, no Mineirão, na cobrança de pênaltis. O goleiro Valdir Peres foi herói daquele jogo, em que o volante Chicão, do São Paulo, quebrou a perna do meia Ângelo, do Galo.

Nesta altura, Pedro Rocha dava seus últimos chutes, passando pelo Coritiba, onde foi campeão, passando depois rapidamente pelo Palmeiras, Bangu e pendurou as chuteiras no Monterrrey, do México.