Paulista A2: Covid-19 agrava crise deixada por Nairo Ferreira no São Caetano

Antigos métodos, como pagar alugueis e diminuir valor de salário em carteira, geram problemas no clube

por Agência Futebol Interior

São Caetano do Sul, SP, 20 (AFI) – A situação caótica do São Caetano, deixada pelo presidente licenciado Nairo Ferreira de Souza, se agravou agora com a crise mundial de saúde provocada pelo Covid-19.

Antigos métodos, como pagar alugueis de jogadores e registrar em carteira profissional um valor baixo para pagar menos imposto, continuam gerando inclusive protestos e reclamações de ex-jogadores e seu familiares.

Nairo Ferreira: métodos ultrapassados de administração
Nairo Ferreira: métodos ultrapassados de administração

É o caso de Andreia Alves, esposa do zagueiro Junior Alves, que se manifestou publicamente sobre o atraso de salários e a falta de antigos pagamentos como o 13.º salário, a falta de depósito do Fundo de Garantia (FGTS) desde julho do ano passado e outros deveres do clube.

Júnior Alves defendeu o Azulão pela última vez na terceira rodada do Campeonato Paulista da Série A2, diante do XV de Piracicaba.


PENSÃO EM ATRASO

Ela apareceu num reportagem da TV Gazeta Esportiva, reclamando, principalmente da ordem de despejo. Segundo Andreia, outros jogadores também sofrem com o mesmo problema.

Todos gerados a partir da gestão danosa de Nairo Ferreira de Souza, que presidiu o clube desde sua fundação no começo dos anos 90 e que se licenciou em dezembro, após 30 anos.

A reclamação partiria de mulheres, porque algumas são ex-esposas ou têm filhos com jogadores e dependem da pensão para o sustento das crianças.

CONTRATOS SUSPEITOS
Mas o elenco do Azulão teria vários contratos suspeitos. É o caso do próprio zagueiro Júnior Alves que tem na carteira um valor de apenas R$ 3 mil, enquanto deve recebe até três vezes mais em direitos de imagem.

Ou seja, ele tem na sua Carteira Profissional perto de 20% do total do seu salário. Isso é ilegal.

Júnior Alves: contrato ilegal
Júnior Alves: contrato ilegal

Por exemplo: um salário em carteira de R$ 3 mil por mês, geraria um percentual de 30% ou seja, perto de R$ 1 mil para a pensão.

Um prejuízo ao filho pensionista, por exemplo. Júnior Alves, ainda como exemplo, teria um filho fora do casamento.

DESGASTE COM PARCEIROS
A má administração do Azulão nos últimos anos, afastou parceiros e investidores do São Caetano.

O fato se agravou em 2019, quando algumas irregularidades administrativas teriam ficadas expostas.

Pressionado por sócios e conselheiros, Nairo Ferreira pediu afastamento, mas ainda sonha em retomar o comando do clube através de eleição, em princípio, marcada para abril.

Haveria um desgaste pela falta de credibilidade, o que gerou obstáculo para encontrar parceiros ao clube.

CLUBE NÃO É IMOBILIÁRIA

Dentro destas mudanças, Bia contratou o experiente Paulo Pelaipe, que vinha de gestão vitoriosa no Flamengo, para administrar o futebol do clube. E uma de suas primeiras medidas foi, justamente, cortar o pagamento de alugueis para jogadores.

Paulo Pelaipe (à direita) abandona ex-métodos do clube
Paulo Pelaipe (à direita) abandona ex-métodos do clube

“Clube de futebol não é imobiliária. Nós passamos a ter contrato de trabalho com os jogadores, cabendo a eles a escolha de sua moradia” – explicou Pelaipe.

MUITO ESFORÇO

Ele também comentou sobre o esforço para manter os salários em dia.

“Estamos trabalhando em cima de pagar os salários do atual grupo, porque eles precisam de tranquilidade para trabalhar.

Mas dependemos da receita que entra no clube e, dentro do possível, estamos tentando dar a retaguarda a todos. Nós todos estamos no mesmo barco. É um momento difícil” – reconheceu.