Remo 3 x 1 Operário-PR - Leão foge da jaula e volta para Série C!

Ao final do jogo, o técnico Cacaio cumpriu a promessa e deu uma volta olímpica no Mangueirão

por Lucas Moron

Belém, PA, 18 (AFI) – Carnaval fora de época em Belém (PA). O torcedor do Remo ainda vai chegar em casa cantando o tradicional “oh, o leão voltou!”. Isso porque, depois de sete anos no drama da Série D do Campeonato Brasileiro, o Leão venceu o Operário-PR por 3 a 1 pelas quartas de final no estádio Mangueirão e conquistou o acesso a Série C de 2016.

O técnico Cacaio, que ainda não perdeu com o elenco azulino dentro de casa, mais uma vez mostrou que quer mesmo colocar seu nome entre os grandes da história remista. Depois de dar um improvável título do Campeonato Paraense no primeiro semestre, ele comandou o clube ao acesso na última divisão nacional, com um show a parte do meia Eduardo Ramos. Ao final do jogo, o treinador cumpriu a promessa e deu uma volta olímpica no Mangueirão.

Também com o apito final, nada de festejar em casa. O torcedor do Remo continuou ali, aplaudindo, cantando, apoiando e mostrando o seu amor pelo clube tão amado no estado do Pará. O goleiro Fernando Henrique, único titular em todos os jogos, não teve palavras para explicar o acesso e caiu em lágrimas. Agora o foco é nas semifinais da Série D contra o Botafogo.

A FESTA COMEÇOU CEDO

O fim de tarde era mesmo do Remo no estádio Mangueirão. Antes mesmo do jogo começar, na execução do hino nacional, o fenômeno remista já balançava as arquibancadas junto com o símbolo da pátria. Com os times postados em campo, os jogadores do Leão ainda se reuniram e transmitiram as últimas energias antes da bola finalmente rolar.

A surpresa entre os guerreiros remistas que lutariam pelo acesso era o atacante Welthon, que aparecia entre os prováveis antes do jogo, mas era improvável que entrasse em campo. Complexo, mas os números explicam. Ele brigava pela vaga com Rafael Paty, mas até aqui não tinha balançado as redes com a camisa do Leão. Porém, antes do jogo, o técnico Cacaio olhou nos olhos do jogador e viu a confiança. Por isso ele estava em campo!

E por isso ele marcou o primeiro gol no histórico jogo com o Operário. Depois de muita pressão nos minutos iniciais, o atacante Welthon aproveitou um cruzamento do meia Eduardo Ramos e, no segundo pau, só empurrou para o fundo das redes, para a loucura da torcida azul. Enlouquecida, aos berros, as mais de 30 mil pessoas chacoalharam as arquibancadas do Mangueirão.

AINDA PRA FRENTE

Mesmo na frente do placar logo no início do primeiro tempo, o Leão não abriu mão de continuar atacando o adversário em busca de ampliar a vantagem. Principalmente com Eduardo Ramos alternando entre o lado direito e o esquerdo, o time da casa foi acuando o Fantasma no campo de defesa, até que o árbitro apitou o final do primeiro tempo.

Logo no início do segundo tempo, o coração já não cabia mais no peito do torcedor remista, que fez um show a parte durante o jogo. Isso porque, logo aos 10 minutos de jogo, a bola sobrou para o camisa 10 Eduardo Ramos, melhor jogador em campo até aqui, que não titubeou e pegou de primeira, rasteira, no canto direito do goleiro Paulo Sérgio.

Eduardo, por sinal, é o símbolo do Clube nesta Série D do Campeonato Brasileiro. Isso porque, mesmo passando por algumas dificuldades, principalmente fora dos gramados, ele sempre liderou o elenco e mostrou a importância de vestir a camisa do Leão, considerado um dos maiores no Norte do Brasil. Tudo isso foi coroado com o gol e principalmente com a atuação.

CABE MAIS?

Isso porque a festa não parou por aí. Como diria o narrador Jorge Iggor, que comandou a transmissão do Esporte Interativo: “chegou à hora! Na verdade estava mais do que na hora do Leão finalmente sair desta jaula chamada Série D”. E foi assim, com essa mistura de emoções sem fim, que Eduardo Ramos cruzou na grande área e Aleílson subiu mais que todo mundo para cabecear.

Na comemoração, alguns jogadores do Remo correram em direção ao banco de reservas do Operário e gesticularam, como se pedisse o silencio de quem já estava abismado com a força do adversário. Mas o sinal transcendia os atletas do gramado e foram uma forma de rechaça aos comentários feitos pela imprensa paranaense durante a semana.

ESQUENTOU

De acordo com a assessoria do Leão, os paraenses foram chamados de “índios” por alguns veículos e torcedores do Paraná. Justamente por isso, na comemoração do gol, Aleílson ajoelhou no gramado e atirou flechas em direção a torcida remista. Em meio a toda essa confusão, o árbitro chamou Levy e mostrou o cartão vermelho.

Três minutos depois, quando o jogo ainda estava com as temperaturas lá em cima, Capa, que entrou no começo do segundo tempo no lugar de Peixoto, acertou um pontapé muito forte em Eduardo Ramos e também recebeu o cartão vermelho direito, no que poderia ser o começo da reação do Fantasma.

SÓ UM SUSTO!

E a igualdade numérica em campo só tornou o jogo ainda mais aceso. Na melhor chance do Operário, Joelson chutou firme da entrada da grande área e o goleiro Fernando Henrique espalmou, mas, antes de sair, ela ainda explodiu na trave e acordou a esperança do torcedor paranaense. Pouco tempo depois, aos 33, Jean Silva cruzou e Alemão, na entrada da área, acertou um peixinho e colocou a bola no fundo do gol.

Para a torcida do Remo nada mais poderia estragar a festa do tão sonhado acesso nos últimos sete anos. As arquibancadas já ecoavam os cantos de felicidade, exaltando o amor que só o torcedor remista pode contar, aquele que consegue lotar estádio na última divisão do futebol nacional. A força do fenômeno leonino levou o time a um último suspiro.

AGORA É FESTA

Aos 41 minutos do segundo tempo, mais uma vez Eduardo Ramos acertou um lindo lance pelo lado direito e cruzou para a pequena área. Rafael Paty tentou bater de letra, mas o goleiro Paulo Sérgio espalmou e ela voltou nos pés do atacante, que rolou para Ilaílson. O volante chegou batendo e acertou a trave, tirando da garganta o tradicional grito de “uh”.

Dali pra frente foi só festa! As arquibancadas já ecoavam o “olé” e o Remo só tocava a boca esperando o final do jogo. O árbitro, para cumprir com rigor o papel que lhe foi dado, deu quatro minutos de acréscimos. O Operário, mesmo com a força de campeão paranaense, deu o placar como final. Só Eduardo Ramos que ainda não estava afim do apito final. Aos 46 minutos, ele colocou a bola entre as pernas do zagueiro e tentou marcar o quarto, mas Paulo Sérgio defendeu. E quem liga? Aquela altura, o Leão já estava na Série C!

PRÓXIMOS JOGOS

O Remo irá enfrentar o Botafogo de Ribeirão Preto nas semifinais da Série D do Campeonato Brasileiro. O primeiro jogo será no estádio Santa Cruz, no interior paulista, e o confronto decisivo mais uma vez no estádio Mangueirão, em Belém.

Ficha Técnica

Fase
Quartas de Final
Rodada
2ª rodada
Data
18/10/2015
Horário
19h00
Local
Mangueirão - Belém (PA)
Árbitro
Jailson Macedo Freitas - BA

Renda
R$ 1.608.356,00
Assistentes
Elicarlos Franco de Oliveira - BA e Marcos Welb Rocha de Amorim - BA

Público
33.681 pagantes
Cartões Amarelos
Remo-PA: Mateus Muller, Levy, Eduardo Ramos
Operário-PR: Doda, Peixoto, Lucas, Douglas

Cartões Vermelhos
Remo-PA: Levy
Operário-PR: Capa
Gols
Remo-PA: Welthon 20' 1T, Eduardo Ramos 10' 2T, Aleílson 14' 2T
Operário-PR: Alemão 33' 2T
Remo-PA
Fernando Henrique;
Henrique, Ciro Sena (Igor João) e Max;
Levy, Ilailson, Chicão, Eduardo Ramos e Mateus Muller;
Aleilson (Felipe Macena) e Welthon.
Técnico: Cacaio
Operário-PR
Paulo Sérgio;
Alemão, Douglas, Juan Sosa e Peixoto (Capa);
Chicão, Pedrinho (Jean Silva), Lucas e Doda (Joelson);
Julinho e Gilvan.
Técnico: Itamar Schulle
 
 
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