Copa Paulista: 'Não escolhi ser goleiro, fui escolhido', diz Júlio César, hoje no Red Bull

O goleiro, que tem passagem vitoriosa pelo Corinthians, é um dos destaques das semifinais da Copa Paulista

por Federação Paulista (FPF)

Campinas, SP, 08 (AFI) - Um dos responsáveis por uma das melhores defesas da competição com 17 gols sofridos em 18 jogos, capitão do Red Bull Brasil e um dos mais experientes do elenco, o goleiro Júlio César é destaque na semifinal da Copa Paulista. Com passagem vitoriosa pelo Corinthians, segundo ele, não escolheu ser goleiro e sim a posição que o escolheu.

Goleiro desde criança, quando jogava na rua Júlio ia para o gol por vontade própria e se coloca como escolhido pela posição. “Sempre joguei futebol como todo moleque. Ser goleiro não foi minha escolha, a profissão que me escolheu. Mas, eu sempre gostei, sempre pedi luvas e essas coisas para minha mãe. Dentro de mim, sempre quis ser goleiro”, conta o atleta.

O INÍCIO
Com nove anos foi com os amigos fazer teste no Guapira, clube com da cidade de São Paulo que, na época, estava em uma divisão equivalente ao Paulistão A3 dos dias atuais. Passou no teste e ficou até os 15 anos, quando já treinava entre os profissionais. Em um amistoso contra o Corinthians Sub-17, Júlio recebeu o convite para fazer um teste no time alvinegro.

Entre base e profissional, ficou quase 15 anos no Corinthians, onde se formou. “Aprendi muito no Corinthians. Eu treinava no profissional e achava que estava preparado. Mas quando cheguei lá eu vi que não. Fiquei impressionado. Aprendi muito com os treinadores de goleiro. Tudo que eu sei hoje é o que aprendi no clube”, disse Júlio.

Bicampeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2004 e 2005, Júlio ganhou prestígio no clube e foi promovido para o profissional.

“As Copas São Paulo que ganhei foram os mais importantes para mim. Além de serem os primeiros, foi minha projeção dentro do clube. Subi em 2005, foi muito legal, um grupo muito forte. Começar no profissional com um time de tanta qualidade, quando você pega jogadores de alto nível, você melhora sozinho para jogar com eles”, contou Júlio César.

CINCO ANOS DE ESPERA
Da promoção ao profissional até a titularidade levou cinco anos. Ele conta que quis ser emprestado para poder jogar, mas foi aconselhado a ficar e esperar. “Chegou uma época que eu nem olhava a convocação, sabia que não estaria. Tinha que tirar motivação do nada para continuar. Queria ser emprestado e algumas pessoas do clube me aconselhavam a ficar e sou grato até hoje com elas”, falou o goleiro.

Goleiro desde criança, quando jogava na rua Júlio César ia para o gol por vontade própria e se coloca como escolhido pela posição (Foto: Divulgação/Red Bull Brasil)
Goleiro desde criança, quando jogava na rua Júlio César ia para o gol por vontade própria e se coloca como escolhido pela posição (Foto: Divulgação/Red Bull Brasil)

Como titular, Júlio César foi campeão brasileiro em 2011 e jogou a primeira fase da Libertadores de 2012, quando o time conquistou o título invicto. Em 2014 se transferiu para o Naútico para jogar a Série B do Brasileiro e em 2017 seguiu para o Santa Cruz, fase mais difícil da carreira, pelo rebaixamento da Série B para C. “No Santa Cruz foi o ano mais difícil da minha carreira como profissional. Não conseguimos os objetivos e nem permanecer na Série B”, lembra Júlio.

Em 2018 chegou ao Red Bull para a disputa do Paulistão Série A1. Pela boa campanha o contrato foi renovado e hoje é o capitão do técnico Antônio Carlos Zago.

CONFIRA A ENTREVISTA COM O GOLEIRO:

Como foi, depois de cinco anos, ser titular do Corinthians?

Júlio César: Esses anos foram os que eu mais tive pressão e responsabilidade. Mas, foram os mais prazerosos. Era um grupo de muita qualidade, mas a pressão de estar no gol daquele time era enorme. Ser campeão pelo Corinthians é a melhor coisa do mundo.

Depois de tantos anos no Corinthians, como foi ir para outro clube?
JC:
O futebol que eu conhecia era só o Corinthians. No Náutico tive uma passagem muito boa, quase conseguimos duas vezes o acesso para a Série A, tenho um carinho enorme por eles.

E o que pode falar do Red Bull?
JC:
O Red Bull é muito organizado, um clube muito grande em responsabilidade e organização. Quem conhece o clube, sabe o quanto ele é bom.

Você tem um currículo muito bom e é o capitão do time. Como é o contato com os mais novos do elenco?
JC:
Os mais novos gostam de aprender. Eu contribuo no que posso. Fizemos um bom Campeonato Paulista e agora na Copa Paulista. Hoje eu tenho uma realização pessoal muito boa, tenho feito boas partidas, com um bom nível de segurança e ajudado o time.

O que você pensa da Ferroviária e das duas partidas da semifinal?
JC:
A Ferroviária é um dos melhores times da competição, um futebol muito bonito. Em dois jogos na primeira fase foram dois empates. Serão dois jogos disputadíssimos, serão decididos no detalhe. Respeitamos muito eles, mas iremos jogar para colocar nosso jogo em prática. Vamos jogar bem e de forma segura para poder ir à final.

A Ferroviária sofreu 14 gols na competição e vocês 17. São duas boas defesas. Como vê esses dados?
JC:
Hoje no futebol é essencial ter uma defesa sólida. Todo time que conquista título tem uma força na defesa. O Gabriel é muito bom goleiro, já joguei muito contra ele, acompanho ele, é muito bom. Nossa defesa é muito boa também, estamos em um bom momento. Espero que nossa defesa seja sólida. Para esta fase é fundamental não sofrer gols.

Como você vê seu futuro no futebol?
JC:
Até uns 40 anos eu quero continuar jogando. Depois quero estudar sobre futebol, começar a me preparar. Ainda não sei o que vou fazer, mas a ideia é permanecer na área.

Qual seu maior momento na carreira?
JC:
Campeão da Libertadores. Era o sonho que eu tinha, pude jogar a primeira fase toda da competição. Fui criado no Corinthians, o clube tinha esse sonho e eu como torcedor também sonhava.

Seu melhor jogo na carreira?
JC:
Corinthians e Palmeiras na semifinal do Campeonato Paulista em 2011. Primeiro por ser contra o Palmeiras e eu fui muito bem nos 90 minutos e depois consegui pegar o pênalti decisivo.

Qual a melhor partida pelo Red Bull?
JC:
Eu tive boas partidas aqui pelo Red Bull. Mas escolher uma é difícil. Seria contra a própria Ferroviária na primeira fase em Araraquara.

Como torcedor qual foi o momento inesquecível?
JC:
A final do Campeonato Paulista deste ano foi especial. Quando você passa pelo clube o sentimento de torcedor passa um pouco, você vira profissional. Mas, por eu ter saído já há um tempo, o sentimento voltou e foi muito bom, uma final que não acontecia há anos.

Vini Bonadie,
Especial para Federação Paulista de Futebol (FPF)

 
 
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