Coração alvinegro: a intensa relação de João Brigatti com a Ponte Preta

Revelado nas categorias de base do clube de Campinas, Brigatti assume pela primeira vez como técnico efetivo

por Federação Paulista (FPF)

Campinas, SP, 13 (AFI) - A identificação de um atleta com o clube sempre foi algo muito valorizado no futebol. Muito maior que a 'segunda pele', é o fato de assumir que está atuando pelo seu time do coração e confirmar isso por meio de suas ações. Dentro deste cenário aparece a história de João Brigatti, atual comandante da Ponte Preta, criado na base do clube ainda como goleiro e que nunca escondeu seu amor pontepretano.

“Jamais neguei que é time do meu coração, que eu sou torcedor da Ponte Preta. Na verdade, eu comecei a torcer pela Ponte no Campeonato Paulista de 1977. Fui em alguns jogos e também fui nas finais, contra o Corinthians. Sempre na companhia do meu pai, foi com ele que aprendi a torcer pela Ponte. Eu não nego. Como eu poderia negar, se eu tenho toda uma trajetória de vida aqui?”, revelou abertamente Brigatti.

Desde as categorias de base, o então goleiro já se destacava. Inclusive, foi atuando pelos juniores, chamou atenção de Jair Pereira, técnico da Seleção Sub-20 da época, o que lhe rendendo a convocação para a Copa da categoria em 1983. A disputa do Mundial foi sediada no México, e o Brasil foi campeão da edição ao vencer a Argentina na final, por 1 a 0, com gol de Geovani, que atuava pelo Vasco. Depois de fazer parte do elenco campeão do mundo, o jovem goleiro assinou contrato com o time profissional da Ponte Preta.

Revelado nas categorias de base do clube de Campinas, Brigatti assume pela primeira vez como técnico efetivo
Revelado nas categorias de base do clube de Campinas, Brigatti assume pela primeira vez como técnico efetivo
COMEÇO DA CARREIRA
Toda essa ascensão teve o auxílio de uma peça fundamental: Dimas, o preparador de goleiros ponte pretano, que proporcionava a integração de goleiros da base com o elenco profissional. Isso, segundo Brigatti, fez toda a diferença.

“A oportunidade de treinar com eles me trouxe muito aprendizado, mesmo sendo novo na época. Por ter todo esse convívio, tinha o sonho em ser jogador profissional pela Ponte. Com isso, você acaba logicamente, virando torcedor. Se cria um laço de amor com seu clube. Foi importante essa integração proporcionada pelo Dimas. Todos os goleiros que passaram por ele chegaram à Seleção Brasileira, e não fui diferente”, ressaltou.

Como jogador, atuou no clube até 1986, quando foi emprestado ao Bandeirante de Birigui, retornado em 1989. Depois disso, defendeu times como América-RJ, Rio Branco, Ferroviária, Caldense-MG, até encerrar a carreira, em 1996, no Santa Cruz-PE.

“Quando encerrei minha carreira profissional, tive o convite logo em seguida do Sérgio Carnielli e do Marcos Eberlin, que era o diretor executivo do clube, para ser preparador de goleiros do Sub-20. Naquela época era dirigido pelo Marco Aurélio, para disputar a Copa São Paulo. Chegamos à final e perdemos nos pênaltis para o Internacional. E logo em seguida, tive a oportunidade de subir para o profissional. Tiveram algumas mudanças na comissão técnica do profissional e iniciei ali, minha trajetória como preparador de goleiro. Foram 10 anos atuando na função pela Ponte Preta. Depois tive a oportunidade de virar assistente-técnico efetivo”, relembrou.

COMANDO TÉCNICO
Desde então, João Brigatti chegou a comandar o time como interino em quatro ocasiões, entre março de 2017 e setembro de 2018. Hoje, em sua quinta passagem pelo clube, sendo a primeira como treinador de fato, explica a realização de um sonho.

“Eu sempre tive como objetivo de ser comandante técnico, não só da Ponte, mas de outros clubes também. É um sonho de garoto, na verdade. O que aconteceu que fui muito feliz em relação a ter a oportunidade. De passar em várias funções, dentro de uma comissão técnica. Comecei como preparador de goleiros, fui auxiliar-técnico, depois interino e hoje sou contratado como treinador. É uma experiência adquirida e hoje eu consigo levar perfeitamente a minha profissão”, disse o comandante.

BOM RENDIMENTO
Desde que teve a primeira oportunidade de comandar a equipe à beira do gramado, o apaixonado treinador colheu bons desempenhos. Ao todo foram 34 partidas, contando com o atual retorno, quando estreou contra o Vila Nova, pela Copa do Brasil, em vitória na decisão por pênaltis. São 14 vitórias, 11 empates e nove derrotas.

“Sempre tive um bom desempenho no comando como interino da Ponte, e espero ter um aproveitamento muito melhor nesta temporada. Espero que o futebol volte logo e que a gente possa, para o futuro, ter um aproveitamento muito bom, junto com os atletas, ao longo dos campeonatos como, Copa do Brasil, Campeonato Paulista e Brasileiro”, afirmou.

E O FUTURO?
Além do bom rendimento à frente da equipe, o treinador conquistou o Título do Interior, em 2018, quando era técnico interino. Ainda este ano, também levou a equipe à quarta fase da Copa do Brasil, vencendo o Sampaio Corrêa, mais uma vez nas penalidades máximas. Na fase seguinte, Doriva assumiu o comando do clube.

“Eu não espero só repetir os feitos, como também temos bem definido os objetivos para o restante da temporada. Primeiro, caso volte o Campeonato Paulista, entrar muito bem preparados, até porque temos duas difíceis partidas. Mas temos condições de vencer e também de conseguir sair dessa situação incomoda que a gente se encontra e, quem sabe, conseguir a classificação", projetou Brigatti, que completou.

"Temos o objetivo de ir o mais longe possível na Copa do Brasil, já que temos uma boa vantagem frente ao Afogados, mas não podemos relaxar. Mas o nosso maior objetivo é o acesso para a principal à elite em 2021. Estamos montando uma equipe qualificada, com atletas com poderio de força física e experiência muito boa".

"Tenho certeza que jogar com a camisa da Ponte Preta pesa demais, não é para qualquer um. Estamos atentos a todos esses detalhes, por isso essas contratações estão sendo pontuais. Tenho certeza que os atletas que hoje não estão rendendo tudo que podem render, com a chegada desses reforços vão apresentar um melhor futebol e ajudar a alcançar nossos objetivos”, finalizou.

Mateus Bezerra, especial para a FPF