ESPECIAL PONTE PRETA: Milagre quase salvou o ano da Macaca!

A Ponte escapou do rebaixamento no Paulistão na última rodada e não subiu para a elite por causa do número de vitórias

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 24 (AFI) - Todo alvinegro sabia que 2018 não seria fácil. O rebaixamento no Campeonato Brasileiro depois de três anos seguidos na elite deixou marcas na Ponte Preta. Tanto dentro, quanto fora de campo. A crise financeira voltou a rondar o Moisés Lucarelli e campanha no Paulistão foi decepcionante. Um milagre na reta final da Série B quase salvou o ano da Macaca. De bom? A invencibilidade diante do maior rival.

O Portal Futebol Interior fez um balanço da temporada pontepretana, que trouxe muito mais preocupação do que alegria para o seu fiel torcedor. A expectativa é que o presidente José Armando Abdalla e sua diretoria tenha aprendido com os erros - e foram muitos! - para que 2019 seja mais tranquilo e termine com o acesso à elite do Brasileirão. Mas que fique claro: as mudanças começar de fora para dentro.

CRISE POLÍTICA E FINANCEIRA
Não era segredo para ninguém que o rebaixamento no Brasileirão de 2017 ia interferir diretamente no planejamento do ano seguinte. E foi justamente isso que aconteceu. Com a diminuição da cota de televisão - de aproximadamente R$ 30 milhões para R$ 8 milhões -, a Ponte Preta passou por uma profunda reformulação no elenco e optou por economizar no Paulistão. O barato quase custou caro!

O atacante André Luis foi o principal destaque da Ponte Preta nesta temporada
O atacante André Luis foi o principal destaque da Ponte Preta nesta temporada
Sem investir em jogadores experientes, a Ponte Preta teve muitas pratas de casa e só foi escapar do rebaixamento na última rodada. Nem mesmo a conquista do Título do Interior apagou o sofrimento da torcida. A Série B do Brasileiro exigiu um investimento maior, mas mesmo assim a campanha foi marcada por altos e baixos apesar do acesso ter escapado na última rodada. Tudo isso graças a um milagre que será falado mais para frente.

Em dezembro do ano passado, José Armando Abdalla foi eleito presidente da Ponte Preta até 2021. Mesmo com o candidato sendo da situação, nascia ali uma nova diretoria. O novo mandatário sempre deixou claro que tinha como objetivo fazer a Macaca andar com as próprias pernas. Ou seja, não depender mais do dinheiro de Sérgio Carnielli, presidente de honra do clube.

Sem colocar dinheiro, Carnielli começou a perder espaço e suas opiniões passaram a não ser mais determinantes. O auge da crise foi durante uma reunião do Conselho Deliberativo. O presidente de honra acusou José Armando Abdalla e os demais dirigentes de negligência e omissão de informações para os conselheiros. Depois disso, o distanciamento de Sérgio Carnielli só aumentou e parece que a Ponte, finalmente, está andando com as próprias pernas.

SUFOCO NO PAULISTÃO

A Ponte Preta apostou na manutenção de Eduardo Baptista, mesmo após o rebaixamento no Brasileirão do ano passado, e também optou por economizar, apostando principalmente em jogadores jovens, como o goleiro Ivan, os laterais Emerson, Jeferson e Orinho, o volante Marciel, o meia Léo Artur e os atacantes Felipe Saraiva, Yuri e Fellipe Cardoso, entre outros.

A campanha, porém, foi decepcionante e o rebaixamento para a Série A2 do Campeonato Paulista só não aconteceu porque Linense e Santo André fizeram campanhas piores. Eduardo Baptista foi demitido dias antes da última rodada, quando a Ponte Preta, sob o comando de João Brigatti, empatou sem gols com a Ferroviária, no Moisés Lucarelli. A Macaca, inclusive, não conquistou nenhuma vitória como mandante na fase de grupos.

A Macaca sofreu no Paulistão e quase conquistou o acesso na Série B do Brasileiro
A Macaca sofreu no Paulistão e quase conquistou o acesso na Série B do Brasileiro
Livre do rebaixamento e sem conseguir a classificação para as quartas de final, coube a Ponte Preta se contentar com a disputa do Título do Interior. Ainda na reta final do torneio, a diretoria anunciou o acerto com Doriva para a Série B do Brasileiro, mas manteve João Brigatti como interino e ele foi coroado com essa "pequena" conquista ao bater o Mirassol na decisão. O mais importante foi a premiação de R$ 360 mil.

BATEU NA TRAVE... MAS MERECIA?

A campanha da Ponte Preta na Série B foi um reflexo do que aconteceu ao longo de toda temporada. Para começar, o time sentiu demais as cinco partidas que fez com os portões fechados por conta da invasão de torcedores na derrota para o Vitória, que decretou o rebaixamento no ano passado. Se não bastasse, a Macaca perdeu dois mandos de campo por conta de um rojão atirado pela torcida do lado de fora do Majestoso durante o confronto contra o Oeste e realizou duas partidas em Araraquara.

Não é a toa que o desempenho como mandante deixou muito a desejar. Ao longo da Série B, a Ponte teve oito vitórias, seis empates e cinco derrotas. Quase todos os resultados positivos aconteceram quando a torcida já estava liberada para frequentar o Moisés Lucarelli. Longe dos seus domínios, porém, a Macaca fez bonito e terminou com a segunda melhor como visitante: o aproveitamento foi igualzinho ao de mandante.

O início da Série B, sem o apoio da torcida e ainda com o grupo em formação - peças importantes chegaram após os estaduais, como Igor Vinícius, Reginaldo, Danilo Barcelos, Ruan, André Luis e Júnior Santos -, foi irregular e Doriva durou apenas sete jogos. A diretoria mais uma vez resolveu dar uma chance para João Brigatti, que com seu jeito elétrico, acordou o time e recolocou a Macaca na briga por uma vaga no G4.

Uma sequência ruim, porém, faria com que a diretoria apostasse em Marcelo Chamusca para comandar o time na reta final do campeonato. A passagem do treinador, porém, foi breve: três empates e duas derrotas. A Ponte passou a se preocupar com a zona de rebaixamento e foi aí que José Armando Abdalla finalmente acertou ao apostar em um velho conhecido da torcida.

Gilson Kleina chegou com a missão de livrar a Macaca do rebaixamento, mas foi além. Sob seu comando, a Ponte Preta embalou e conquistou sete vitórias e um empate - contra o líder Fortaleza, na capital cearense. A sequência incrível fez o clube chegar na última rodada precisando de uma vitória contra o Avaí, em Florianópolis, para conquistar o acesso. A torcida fez sua parte e dois mil pontepretanos foram até a Ressacada, mas o empate sem gols manteve a alvinegra campineira mais um ano na Série B.

O técnico Gilson Kleina quase levou a Ponte para a elite com sete vitórias e dois empates
O técnico Gilson Kleina quase levou a Ponte para a elite com sete vitórias e dois empates
O acesso só não veio por causa do número de vitórias. A Ponte Preta terminou na quinta colocação, com os mesmos 60 pontos que o quarto colocado Goiás. O Avaí teve 61, o vice-líder CSA 62 e o campeão Fortaleza 71. Por tudo que apresentou ao longo da Série B, a Macaca foi mais longe do que merecia. Mas ficou aquele "gostinho de quero mais".

ÚNICA ALEGRIA?
Nem tudo foi tristeza para os pontepretanos em 2018. O tradicional dérbi campineiro voltou a ser realizado depois de cinco anos e a Macaca termina o ano invicta. No primeiro turno da Série B, diante de um Brinco de Ouro da Princesa lotado, a Ponte contou com uma atuação inspirada do artilheiro André Luis - autor de dois gols - e venceu o Guarani, por 3 a 2.

No segundo turno, também diante de um Moisés Lucarelli lotado, o dérbi terminou empatado sem gols. O duelo, porém, foi marcado por muita polêmica e reclamação dos pontepretanos com a arbitragem, que deixou de expulsar o lateral-esquerdo Pará ainda no primeiro tempo e depois não deu um pênalti claro de Ferreira em cima de André Luis na etapa final - o próprio zagueiro bugrino assumiu que fez a falta.

Mercado da Bola
Ponte Preta-SP
Elenco ainda não definido
  • Goleiros

    Guilherme, Ivan, Luan, Pedrão e Ygor Vinhas

  • Laterais

    Guilherme Lazaroni, Jeferson, Matheus Alexandre e Yuri

  • Zagueiros

    Alisson, Cléber Reis, Henrique Trevisan, Léo, Wellington Carvalho

  • Volantes

    Bruno Reis, Danrley, Dawhan e Vander

  • Meias

    João Paulo e Vinicius Zanocelo

  • Atacantes

    Alisson Safira, Apodi, Bruno Rodrigues, Felipe Saraiva, João Veras, Mateus Anderson e Roger

  • Técnico

    Gilson Kleina