ESPECIAL PONTE PRETA: Choque de realidade em 2014 acaba com ressaca pós-festa!

Em 2014, Ponte Preta fez campanha apenas razoável no Paulistão, foi discreta na Copa do Brasil e subiu na Série B

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 20 (AFI) – A Ponte Preta viveu um ano de 2013 intenso. Houve de tudo: campanha quase perfeita e eliminação amarga no Paulistão, a histórica decisão da Sul-Americana, e o rebaixamento no Brasileirão. Se 2013 foi de fortes emoções, pode-se dizer que 2014 foi muito menos contagiante. Na verdade, foi um ano que serviu de “choque de realidade” e também de reconstrução. Em suma, o clube bebeu mais do aguentava e acordou com uma bela ressaca.

O início do trabalho, contudo, não foi nada animador. A “aventura” na Sul-Americana, como sempre cita o presidente de honra Sérgio Carnielli, deixou um grande rombo na Macaca. Afinal, a queda no Brasileirão resultou em um déficit de quase R$ 30 milhões. Afinal, estas seriam as cifras da cota de TV se o clube continuasse na elite nacional. Na Série B, a “esmola” foi de apenas R$ 3 milhões.

Sérgio Carnielli rompeu com Della Volpe, mas voltou à Ponte Preta no segundo semestre
Sérgio Carnielli rompeu com Della Volpe, mas voltou à Ponte Preta no segundo semestre

Não bastasse a queda vertiginosa nas receitas, o afastamento de Carnielli potencializou a crise financeira. Após um “racha” com o presidente Márcio Della Volpe, o presidente de honra parou de colocar seus “famosos” aportes financeiros. Fato que fez o clube voltar a atrasar salários. Algo que não acontecia há anos.

Sem dinheiro em caixa, o elenco pontepretano teve uma queda brusca de qualidade. Com a saída do tetracampeão Jorginho Campos, a Ponte contratou o jovem Sidney Moraes. Trata-se de um técnico promissor, mas que não estava preparado para encarar uma reformulação do tamanho que o clube estava preparando.

Do elenco de 2013, saíram grandes destaques, seja para “fazer caixa” ou para desonerar a folha salarial. Foram os casos de jogadores como o lateral-esquerdo Uendel, o volante Fellipe Bastos, os meias Chiquinho e Elias, e os atacantes Rildo, William e Leonardo. Em contrapartida, chegaram outros de qualidade questionável como os laterais Neílson e Magal, os zagueiros Luan e Gabriel, os volantes Bida e Dodó e o meia Tchô.

SAI SIDNEY, ENTRA E SAI VADÃO!
O resultado não poderia ser outro. O início ruim no Paulistão, somado às péssimas atuações, fez Sidney Moraes durar apenas três rodadas. A saída foi apostar em um velho conhecido do futebol campineiro: Vadão. Mesmo com um elenco limitado, o experiente treinador conseguiu resultados suficientes para levar o time às quartas-de-final, quando fora atropelado pelo Santos, por 4 a 0. Ainda assim, as atuações nem de longe foram brilhantes.

Vadão arrumou o time da Ponte Preta no Paulistão e saiu para assumir a Seleção Brasileira feminina
Vadão arrumou o time da Ponte Preta no Paulistão e saiu para assumir a Seleção Brasileira feminina

Com Vadão no comando, a esperança era de que o grande objetivo da temporada, o acesso no Brasileiro da Série B, se concretizasse no final do ano. O que a diretoria alvinegra não esperava era perder Vadão às vésperas da estreia na Série B. O treinador recebeu convite irrecusável da Seleção Brasileira feminina. Horas depois, Dado Cavalcanti foi anunciado às pressas para assumir o clube.

Dado Cavalcanti era um antigo sonho de consumo do clube. Desde o início de 2013, ele chegou a entrar na mira da Macaca, mas o negócio não fora concretizado à época. Por conta deste prestígio com a diretoria alvinegra, a expectativa em torno de Dado era grande.

SONHO OU REALIDADE?
Como já era de se esperar, o início de Dado Cavalcanti na Ponte não foi nada empolgante. Com apenas alguns dias para conhecer o elenco antes da estreia na Série B, ele empatou os cinco primeiros jogos à frente do time. Três deles em casa, contra Icasa (1 x 1) e Luverdense (2 x 2) pela Série B e contra o Paraná (1 x 1) pela Copa do Brasil. A primeira vitória veio apenas no sexto jogo, com um sofrido 2 a 1 sobre o ABC, em Campinas.

Apesar de chegar com grande expectativa, Dado Cavalcanti não vingou na Ponte Preta
Apesar de chegar com grande expectativa, Dado Cavalcanti não vingou na Ponte Preta

Se o elenco que disputara o Paulistão era limitadíssimo, na Série B as coisas melhoraram ao menos um pouco. O atacante Edno chegou do Tigres-MEX com “status” de craque. Juntamente com ele, foram anunciados outros bons nomes como os volantes Elton e Juninho, e os atacantes Cafu e Alexandro.

Mesmo com um time mais encorpado, Dado Cavalcanti não conseguiu emplacar no time campineiro. Se no início do trabalho teve pouco tempo de preparação, a parada para a Copa do Mundo deu tempo suficiente para o treinador conhecer o elenco. Após o retorno às atividades, a diretoria alvinegra aguardou apenas duas rodadas para demitir o técnico: empate sem gols com a Lusa em casa e derrota para o Avaí, por 1 a 0.

O ERRADO QUE DEU CERTO

Apesar dos inúmeros erros de planejamento e da falta de dinheiro – sim, o clube foi alvo de reclamações públicas dos jogadores por conta dos salários atrasados -, a Ponte começou a ajeitar-se entre o final de julho e o início de agosto, com a chegada de reforços pontuais, o pagamento dos salários atrasados, a chegada do técnico Guto Ferreira e o ressurgimento do presidente de honra Sérgio Carnielli, que havia se distanciado no segundo semestre de 2013.

Em meio a esta transição de Dado Cavalcanti e Guto Ferreira, alguns bons nomes foram contratados. Entre eles, o lateral-direito Rodinei, o zagueiro Tiago Alves, os meias Roni e Renato Cajá, além do atacante Rafael Costa. Mais tarde, ainda chegariam outros bons nomes como o meia Thomás e o lateral-esquerdo João Paulo.

Para contribuir ainda mais, Sérgio Carnielli voltou ao clube. No dia 28 de agosto, o mandatário se reuniu com os jogadores no Centro de Treinamento do Jardim Eulina e garantiu que os problemas financeiros não iriam mais atrapalhar a Macaca durante a Série B. O assunto "salários atrasados" não foi mais comentado nos bastidores do Majestoso. Além disso, no dia 29 de outubro, ele voltou a reunir-se com o elenco para discutir as premiações.

Os reforços e Carnielli, contudo, não diminuem o fator Guto Ferreira. Apalavrada com Ricardinho, a Ponte simplesmente cancelou o acordo com o ex-meia e, três dias depois da saída de Dado Cavalcanti, anunciou oficialmente a chegada de Guto Ferreira. A decisão foi tomada às pressas, já que enquanto negociava com Ricardinho soube da demissão de Guto no Figueirense

Ponte Preta bateu Bragantino e conquistou acesso com quatro rodadas de antecedência na Série B - Rodrigo Villalba/AFI
Ponte Preta bateu Bragantino e conquistou acesso com quatro rodadas de antecedência na Série B

O treinador estreou na derrota para o Vasco, por 2 a 1, em São Januário, na Copa do Brasil. O tropeço eliminou o time do torneio na terceira fase, após uma participação apenas discreta. Na Série B, ele pegou a Ponte na décima colocação. E foi aí que conquistou seu grande feito.

Depois da estreia com derrota para o Vasco, ele emplacou uma sequência incrível na Série B. Foram 16 vitórias, quatro empates e duas derrotas, com um aproveitamento que beirou os 80%. Esta marca foi conquistada até a fatídica vitória sobre o Bragantino, por 2 a 0, que garantiu o acesso com quatro rodadas de antecedência.

APÓS A BEBEDEIRA, VEIO A RESSACA!
Depois de um ano turbulência, a campanha histórica de reação deveria ser motivo para muita festa. E foi por vários dias. O grande problema da diretoria da Macaca, mais uma vez, foi criar uma ilusão desnecessária. Assim como ocorrera no Paulistão de 2013, quando fez grande campanha e julgou-se candidata ao título, dirigentes, comissão técnica e jogadores criaram a fantasia de que levariam o título da Série B para o Majestoso.

O ambiente de decisão tomou conta dos torcedores. Até os pontepretanos mais desconfiados passaram a crer no título inédito da Série B. Foi a partir de então que aquele final de ano, que tinha tudo para ser uma “lua de mel”, acabou terminando de forma negativa.

Depois de bater o Braga, os campineiros perderam a decisão para o Joinville, por 3 a 1, na Arena Joinville. Depois, vieram mais três tropeços. Em casa, empatou com o América-RN, por 2 a 2, e perdeu para o América-MG, por 1 a 0. Na última rodada, ficou só no empate com o Náutico, por 1 a 1.

Derrota em decisão para o Joinville, iniciou derrocada da Ponte Preta no final da Série B
Derrota em decisão para o Joinville, iniciou derrocada da Ponte Preta no final da Série B

O sentimento de frustração só aumentou pelo fato de o Joinville também ter uma queda de rendimento, após a vitória por 3 a 1. Com duas derrotas e um empate, os catarinenses terminaram com 70 pontos contra 69 da Ponte. Apenas uma vitória nos últimos três jogos seria suficiente para o título alvinegro.

A taça, pelo segundo ano seguido, não desembarcou ao Majestoso. A revolta e os protestos dos torcedores foram inevitáveis. Mas isso é apenas aquele sentimento, após a briga entre irmãos. Logo, isso passa. O certo é que, se aprender as lições dos últimos dois anos, a Ponte continuará caminhando para dar o tão sonhado salto de qualidade e, quem sabe, o título inédito.

Mercado da Bola
Ponte Preta-SP
Elenco ainda não definido
  • Goleiros

    Guilherme, Ivan, Luan, Pedrão e Ygor Vinhas

  • Laterais

    Guilherme Lazaroni, Jeferson, Matheus Alexandre e Yuri

  • Zagueiros

    Alisson, Cléber Reis, Henrique Trevisan, Léo, Wellington Carvalho

  • Volantes

    Bruno Reis, Danrley, Dawhan e Vander

  • Meias

    João Paulo e Vinicius Zanocelo

  • Atacantes

    Alisson Safira, Apodi, Bruno Rodrigues, Felipe Saraiva, João Veras, Mateus Anderson e Roger

  • Técnico

    Gilson Kleina