Vagner Mancini lembra amizade com Vadão e lamenta perda: 'Guardemos as boas memórias'

O treinador campeão da Copa do Brasil de 2005 com o Paulista contou detalhes da relação com o 'Rei do Dérbi Campineiro'

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 26 (AFI) - Ao longo de décadas de futebol, Oswaldo Fumeiro Alvarez, o Vadão, colecionou amizades. Um dos que mais se aproximou dele foi Vagner Mancini, apesar dos quase dez anos de diferença entre eles.

Por isso, o Portal Futebol Interior falou com Vagner Mancini, que contou detalhes da relação com Vadão, morto nesta segunda-feira, decorrente de complicações relacionadas a um câncer no fígado, que acabou evoluindo para outros órgãos.

Vagner Mancini
Vagner Mancini
CONFIRA O DEPOIMENTO DE VAGNER MANCINI SOBRE O AMIGO

A CONSTRUÇÃO DA RELAÇÃO
A amizade veio do futebol. Quando ele montou o timaço do Mogi Mirim, em meados dos anos 1990, nós jogamos contra, eu ainda era atleta profissional. Depois, já na época em que morei em Campinas, encontrei algumas vezes com ele. Aí continuamos a amizade depois que eu me torneio treinador, ele técnico de grandes trabalhos. Tivemos muitos encontros e conversas. Ele tinha uma essência muito pura, incapaz de ser grosseiro ou realizar atos contrários a tudo aquilo que ele acreditava.

ENSINAMENTOS DENTRO DE CAMPO
Aprendi muito no aspecto tático com ele também. O Vadão foi um dos primeiros a utilizar o esquema 3-5-2 com sucesso. Aquele Paulista de 2005, campeão da Copa do Brasil, em vários jogos, usou esse sistema, até por conta das opções que uma dupla como o Léo Aro e o Márcio Mossoró, por exemplo, me davam. Tinha visto isso com aquele Mogi Mirim, com as movimentações de Leto, Rivaldo e outros craques daquele time. Ele, de certa forma, influenciou muitas pessoas, mostrou que dava para mudar o esquema durante a partida, dependendo também de como estava o adversário.

TRABALHOS NO NORDESTE
Engraçado que ele subiu com o Vitória em 2007 e eu o substituí na sequência e também subi o Vitória em 2015. Então, ao longo desse percurso, nos encontramos. Eu acho que, pela maneira de ser, ele sempre priorizou o bom relacionamento, situação que eu também prezo, à parte a questão tática e de treinamentos. O Nordeste te ensina muita coisa. Você se encontra com pessoas vindo de grandes lugares, com uma exigência muito grande. Às vezes, com muita disparidade técnica, mas tendo grande desafios contra clubes de muito maior poderio financeiro.

Oswaldo Fumeiro Alvarez, o Vadão
Oswaldo Fumeiro Alvarez, o Vadão
DIÁLOGOS PELA CATEGORIA
Nos últimos anos, mantivemos contato também pela Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol (FBTF). Alguns técnicos, até pela forma de ser, se destacam no diálogo, e eu e o Vadão sempre falamos e escutamos bastante. Lá, eu sempre estou com o Zé Mário e o Alfredo Sampio, na frente dessas reuniões. Quando ele estava na CBF, sempre nos ajudou bastante. É fundamental que mantenhamos contato com os diversos setores. E o Vadão sempre foi um que as pessoas sempre gostaram de ouvir.

A PERDA DO AMIGO
Foi muito triste. Além de perder um amigo, companheiro de trabalho que sempre andou certo, tudo foi muito rápido até o falecimento. A gente esperava que o organismo reagisse. Temos que aceitar os desígnios de Deus, apesar de lamentarmos a perda. Tomara que a família seja reconfortada por Deus, que guardemos as boas memórias tanto dentro quanto fora dos gramados.