Robertinho Lazaretti, visão de bola e de comando

Bons tempos em que a Federação Paulista de Futebol até incentivava jogos dos juvenis nas preliminares - entre as décadas de 60 a 80

por ARIOVALDO IZAC - -

Campinas, SP, 10 (AFI) - Após pormenorizado texto do jornalista Artur Eugênio, o que cabe ressaltar sobre o especialista do futebol de base Robertinho Lazaretti, morto neste domingo?

Que foi um comandante que sabia mandar. Que tinha ascendência sobre o grupo de jogadores devido à liderança nata. A percepção para controlar caso a caso implicava em bom ambiente no grupo, e assim extraia o máximo possível dos jogadores.

Como era Robertinho no gramado? Valorizava sobremaneira fundamentos. Boleiro tinha que saber passar a bola, chutar e cabecear.

Quando você vê zagueiro espanando a bola sem direção, após cruzamento no alto, lembre-se que Robertinho ensinava aos seus zagueiros sobre o exato tempo de bola, para rebatê-la já direcionando preferencialmente o lateral. Assim, prezava que o desarme fosse contemplado com valorização de posse de bola.

E sabem por que Robertinho fazia isso? Porque com menos de 1,70m de altura foi zagueiro. Sim, zagueiro, com passagem pelo Mogi Mirim.

Roberto Lazaretti (único sem uniforme) foi treinador do juvenil do Guarani no início dos anos 1970
Roberto Lazaretti (único sem uniforme) foi treinador do juvenil do Guarani no início dos anos 1970
Foi zagueiro em época que não se exigia estatura elevada na posição, mas era imprescindível invejável impulsão.

Faltas ofensivas laterais, favoráveis à sua equipe, eram exaustivamente ensaiada, com alternância de bola alçada no primeiro e segundo pau.

PRELIMINARES
Bons tempos em que a Federação Paulista de Futebol até incentivava jogos dos juvenis nas preliminares - entre as décadas de 60 a 80 -, e o torcedor chegada mais cedo aos estádios, para se familiarizar à nova geração.

Ali via-se o frutífero trabalho de Robertinho Lazaretti, que do igualmente saudoso treinador Armando Renganeschi copiou o trabalho técnico que começava com tri-toque e terminava com um toque na bola, fato que obrigava o boleiro a pensar na sequência da jogada antes de a bola chegar aos seus pés.

Não adianta desejar ao bondoso Robertinho Lazaretti que descanse em paz, pois ele já não nos ouve e muito menos lê. Ficam apenas boas recordações daqueles que compartilharam de seu convívio.