Justiça nega recurso do Sport em ação milionária movida por atual zagueiro do Náutico

Ronaldo Alves, defensor de 30 anos, permaneceu na Ilha do Retiro entre julho de 2016 e o começo de 2019

por Agência Futebol Interior

Recife, PE, 19 (AFI) - O Sport, há uma semana, entrou com um recurso no Tribunal Regional do Trabalho da Sexta Região (TRT-6) pedindo a suspensão temporária do processo movido por Ronaldo Alves, atual zagueiro do Náutico.

O defensor de 30 anos, permaneceu na Ilha do Retiro entre julho de 2016 e o começo de 2019, quando, em fevereiro, solicitou a rescisão do contrato que iria até o final da temporada de 2020 com o Leão para acertar com o CSA.

Agora, ele cobra R$ 4.105,680,00 referentes a dívidas trabalhistas, como salários, 13º, FGTS, direitos de imagem e luvas pela renovação contratual. A desembargadora Dione Nunes Furtado da Silva, no último sábado, porém, negou o pedido do Sport, que pode ainda tentar um recurso.

Ronaldo Alves (d) - Foto: Caio Falcão/Náutico
Ronaldo Alves (d) - Foto: Caio Falcão/Náutico
O Leão da Ilha do Retiro argumentou no processo que "o mundo enfrenta um evento epidêmico, que não encontra precedentes na história mundial, a qual consiste na doença causada pelo chamado coronavírus (COVID19), que está desencadeando inúmeras mortes no Brasil, tendo acarretado o reconhecimento do estado de calamidade pública”.

“Todo o faturamento do clube foi suspenso, não há mais competições, logo inexiste renda de bilheteria, o pagamento pelo televisionamento das partidas foram suspensos, os patrocinadores também suspenderam os pagamentos, os sócios, também em situação financeira complicada, também deixaram de pagar as mensalidades associativas (não há jogos e clube fechado). (O clube) Não dispõe do seu pessoal para adotar todas as medidas necessárias para se defender neste processo", prossegue.

A desembargadora, porém, rebateu, afirmando que “Há também de se considerar que o demandante, parte hipossuficiente dessa relação, também foi surpreendido pela grave crise ocasionada pela pandemia, que aguarda o pagamento dos seus haveres trabalhistas (verbas de natureza alimentar) há aproximadamente um ano e três meses, e que possa se encontrar sem fonte de renda, principalmente considerando exatamente toda turbulência causada pela pandemia da COVID-19, impedindo a prestação de serviços por parte dos trabalhadores e gerando elevados índices de desemprego”, antes de completar.

“No caso em apreciação, não há necessidade de se declarar a suspensãodo processo, pois, além de se tratar de feito que tramita na via eletrônica, justamente para evitar prejuízo diante das circunstâncias fáticas acima mencionadas, a Administração deste Tribunal já expediu o Ato Conjunto TRT6-GP-GVP-CRT n.º 07/2020, no qual se suspenderam os prazos processuais no período de 13 a 31 de maio de 2020, o que implicou na prorrogação do prazo do ora requerente, no tocante ao próximo ato processual, para 2 de junho de 2020".