Árbitro agredido processa Paysandu por tentativa de homicídio: 'Vi a morte de perto'

Rafael Bastos trabalhava como assistente em partida do sub-20 quando foi atacando por jogadores e dirigentes bicolores

por Agência Futebol Interior

Belém, PA, 28 (AFI) - O árbitro assistente Rafael Bastos entrou com um processo contra o Paysandu, por tentativa de homicídio, e usou as redes sociais para expressar todo o trauma sofrido por ele no último domingo. O profissional trabalhava no jogo entre Papão e Carajás, pelo Campeonato Paraense Sub-20, quando atletas bicolores se revoltaram com a marcação de um pênalti para o adversário e usaram a violência contra a equipe de arbitragem.

Em postagem no Instagram, Rafael relatou como foi o ato de ‘selvageria de mais de 15 pessoas’. Ele foi jogado ao chão e recebeu socos, pisões e chutes. Além de jogadores, um diretor do Papão, que ainda não teve o nome divulgado, também teria participado da agressão.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
“Tenho fé em Deus que os culpados pagarão por isso, que todos serão punidos como merecem, não só pela justiça dos homens, mas também pela justiça divina. Não é justo eu ficar 3 dias sem poder trabalhar, tendo que passar por acompanhamento psicológico, ficar gastando o meu dinheiro com medicamentos, sentindo dores pelo corpo e esses covardesficarem impunes”, escreveu Rafael.

Um vídeo que circula pelas redes sociais mostra o momento em que um dos atletas passa uma rasteira no assistente. Em nota oficial, o Paysandu afirmou que “que não houve nenhum ato de covardia dos seus atletas”. O comunicado, inclusive, deve ser utilizado pelo advogado do árbitro para sustentar o processo.

Espaço incorporado por HTML (embed)

CONFIRA O RELATO DE RAFAEL:
Finalmente decidi me pronunciar sobre o ocorrido lamentável do último domingo (24/11) na categoria Sub-20, algo que jamais imaginaria vivenciar nesses quase 9 anos de carreira dentro da arbitragem. Quem me conhece sabe o quão a sério eu levo a minha profissão, o quanto me dedico para ser um bom árbitro e como lutei para chegar e me manter onde eu estou hoje. São 9 anos de uma carreira ilibada, sem nenhum tipo de conduta que desabone o meu nome e o meu caráter.

Sou profissional e imparcial, respeito aqueles que respeitam o meu trabalho, mas, o que está acontecendo nos dias de hoje? Até quando pessoas desqualificadas e descontroladas estarão atuando nas categorias de base? Até quando irei sair da minha casa sem saber se voltarei bem ou vivo?

O que aconteceu no domingo foi de uma COVARDIA sem igual, nunca vista em lugar algum! Quem estava lá, infelizmente presenciou cenas de selvageria de mais de 15 pessoas contra apenas uma, que tentou de todas as formas se defender e não conseguiu, que foi jogada no chão e agredida sem piedade com socos, pisões e chutes (inclusive no rosto) por "animais" que ali estavam.

Até quando, meu Deus? Será que jamais conseguirei fazer o meu trabalho com segurança? Tenho fé em Deus que os culpados pagarão por isso, que todos serão punidos como merecem, não só pela justiça dos homens, mas também pela justiça divina.

Não é justo eu ficar 3 dias sem poder trabalhar, tendo que passar por acompanhamento psicológico, ficar gastando o meu dinheiro com medicamentos, sentindo dores pelo corpo e esses COVARDES ficarem impunes. Vamos dar um BASTA nisso! Sim, eu vi a morte de perto e irei até o fim para que a justiça seja feita.

Espaço incorporado por HTML (embed)

LEIA A NOTA PUBLICADA PELO PAYSANDU:
Sobre os fatos ocorridos durante e após o jogo disputado na manhã deste domingo (24), no Estádio da Curuzu, entre Paysandu e Carajás, pela semifinal do Campeonato Paraense de futebol sub-20, o Paysandu Sport Club esclarece que a confusão começou ao final do primeiro tempo, depois que o quarteto de arbitragem não aceitou as cobranças do time bicolor, que se sentiu prejudicado e contestou as expulsões dos atletas Talles Diego, aos 35, e Everaldo Brasil, aos 44 minutos. Também foram expulsos antes do intervalo o técnico Ronaldo Couto (Nad), o auxiliar-técnico Paulo Sérgio e o fisioterapeuta Tiago Esteves, todos por reclamação.

Na descida para os vestiários, alguns integrantes da equipe de arbitragem ofenderam a comissão técnica e o diretor da base, Alessandro Cavalcante, com palavras de baixo calão e ainda proferiram as seguintes palavras: “Isso aqui é uma porcaria, vocês são um bando de amador”. Em seguida, todos foram para o intervalo e a situação foi normalizada.

No início do segundo tempo, o policiamento chegou ao estádio, mas antes mesmo o Paysandu tomou todas as providências para resguardar a segurança de atletas, arbitragem e torcedores, com o auxílio de seguranças particulares.

A etapa final ocorreu sem grandes ocorrências. Aos 47 minutos, a arbitragem marcou um pênalti para os visitantes. Depois do gol, o juiz encerrou a partida e houve muita reclamação no gramado por parte da equipe bicolor, que se sentiu prejudicada com as marcações.

O Paysandu Sport Club ressalta que não houve nenhum ato de covardia dos seus atletas. A Diretoria Jurídica do clube informa que já houve registro de boletim de ocorrência policial e tomará todas as providências necessárias.

Por fim, o clube lamenta o ocorrido e é contra qualquer tipo de violência, independentemente de onde quer que parta, e já apura internamente o ocorrido para no futuro tomar as devidas providências.