Série A2: FPF promete "visibilidade" e clubes seguem com migalhas

Federação Paulista quer fazer uma Série A2 melhor apenas com a "visibilidade"

por Agência Futebol Interior

São Paulo, SP, 27 (AFI) – Na teoria, o discurso parece bonito, mas na prática pode ser o famoso “ouro de tolo”. Durante o Conselho Arbitral do Campeonato Paulista da Série A2, nesta quarta-feira, o vice-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos (foto), disse que os clubes terão mais visibilidade, com a confirmação das transmissões dos jogos através da Rede Vida e da BandSports.

“Queremos mais visibilidade. Queremos que os clubes possam vender os seus ativos em melhores condições, que possam divulgar melhor os seus jogos, ter um público maior, ter uma receita maior e fazer um campeonato melhor”, afirmou o dirigente.

O problema é que o acerto com estes dois canais, ao contrário do que ocorre no Paulistão, não renderá cotas de TV aos clubes. Rede Vida e BandSports não pagarão nada para transmitirem aos jogos da Série A2. Na visão da FPF, o “ganho” dos clubes seria, não a cota, mas sim o espaço para divulgar seus patrocinadores.

Esse tiro, contudo, pode sair pela culatra, uma vez que os dois canais não possuem grandes audiência. A Rede Vida raramente ultrapassa a marca de 1 ponto nos institutos de pesuisa, como o Ibope, enquanto a Globo chega manter média de 30 pontos. Enquanto isso, a BandSport está entre as cinco piores audiências da TV por assinatura, com 0,04%, atrás de canais como SescTV, TV Senado e TV Justiça.

Ao que tudo indica, os clubes que disputarão a Série A2 continuarão tendo de sobreviver com migalhas durante mais de quatro meses. Em 2011, as cotas de participação foram de apenas R$ 100 mil. Neste ano, ainda não houve uma definição, mas se ocorrer um aumento, não deverá ser muito significativo.

Uma saída para aumentar, ao menos um pouco a receita dos clubes, seria arrumar um patrocinador para a competição. Algo que a CBF e a Conmebol já fazem com suas competições. Neste ano, por exemplo, o Grupo Santander bancou milhões para ver seu nome na Copa Santander Libertadores. Por enquanto, algo similar sequer foi cogitado na FPF.

Não bastasse a falta de apoio da entidade na busca de recursos, ainda há um novo artigo no Regulamento Geral das competições paulista que deve comprometer os clubes. Quem atrasar salários correrá risco de perder três pontos por jogo que tenha atuado nestas condições. O clube terá 15 dias para acertar a situação, após isso o caso será julgado no Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP).

 
 
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