FPF rechaça comparação com outros países e explica objetivo de pesquisa da USP

'Em nenhum momento o estudo foi realizado com objetivo de comparação com outros centros'

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 30 (AFI) - A Federação Paulista de Futebol emitiu uma nota oficial para dar explicações sobre a pesquisa da USP. Segundo a entidade, a pesquisa tinha objetivo de detectar eventuais comorbidades em atletas que testaram positivo para covid-19. Não tinha objetivo de comparar com dados de outros países, até porque as enormes diferenças 'inviabiliza, do ponto de vista científico, essas correlações'.
A FPF cita a comparação entre períodos diferentes, protocolos distintos entre países, características sociais, velocidade de transmissão do vírus, entre vários outros pontos, para reforçar seu argumento.
CONFIRA A NOTA OFICIAL:

COMITÊ MÉDICO DA FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL - NOTA DE ESCLARECIMENTO
A Federação Paulista de Futebol, obedecendo critérios exclusivamente científicos, forneceu para estudo da USP informações quantitativas sobre os exames de RT-PCR realizados durante oito competições de categorias distintas (masculino, feminino e base) no Estado de São Paulo, entre 01/07/20 a 30/12/20.
Tal pesquisa tem como principal objetivo a detecção de eventuais comorbidades, principalmente cardíacas, respiratórias ou neurológicas, em atletas profissionais de futebol com RT-PCR positivos assintomáticos ou oligosintomáticos. Trata-se de um estudo ainda inédito no futebol mundial.
Em nenhum momento o estudo foi realizado com objetivo de comparação com outros centros, afinal, existem enormes diferenças entre os países/ligas que inviabilizam, do ponto de vista científico, essas correlações. Elencamos abaixo as razões:
1- As características dos Protocolos de Saúde aplicados em cada país são diferentes;
2- A comparação envolve períodos distintos de análise dos dados;
3- O momento da evolução da pandemia em cada local também envolve diferenças relevantes para esse tipo de comparação;
4- As características sociais de cada país têm enormes distinções;
5- A velocidade da transmissão do vírus é diferente entre os países;
6- A frequência da realização dos testes em algumas ligas foi distinta;
A comparação com qualquer outro setor no Brasil também é cientificamente incorreta, pois seguramente a testagem frequente em todos os atletas possibilitou maior número de diagnósticos, principalmente por serem assintomáticos. Ou seja, o futebol realiza muito mais testes do que a grande maioria dos segmentos econômicos, e de maneira mais frequente, se contrapondo à grande subnotificação pregada pela grande maioria dos cientistas quanto ao número de contaminados no país.
Desta maneira, do ponto de vista médico e científico, a comparação com outros países/ligas e setores é completamente descabida e desinforma as pessoas.
O Comitê Médico da FPF ressalta que o protocolo da FPF é fundamental para o controle da pandemia no esporte, uma vez que a imensa maioria dos atletas é assintomática, e o diagnóstico precoce por meio dos 31.632 testes de RT-PCR, levou ao rápido isolamento desses indivíduos e evitou a disseminação exponencial do vírus.
Todos os envolvidos no futebol paulista foram rigorosamente orientados para os devidos cuidados de prevenção, constantes no protocolo. Entretanto, a maior parte dos testes positivos está relacionada ao não cumprimento do protocolo, cujas contaminações se dão essencialmente fora do ambiente do futebol. Por isto, inclusive, a FPF estuda com os clubes estabelecer punições aos profissionais que descumprirem os protocolos de saúde estabelecidos.
Cabe salientar que o Comitê Médico da FPF e os médicos dos clubes do Campeonato Paulista são absolutamente sensíveis ao momento atual da pandemia no Estado de São Paulo e que os protocolos são dinâmicos. Por esta razão, para a volta dos jogos nesta Fase Emergencial, defendem a concentração no modelo de “bolha” em ambiente controlado, com testes seriados, avaliação médica diária e rastreamento de contato dos eventuais casos positivos.
São Paulo, 30 de março de 2021
Comitê Médico da FPF