Promessas do apito revelam rotina e trabalho psicológico na quarentena

Formados em 2017, Matheus Delgado Candançan e Fabiano Monteiro dos Santos tiveram espaço durante a Copa SP

por Federação Paulista (FPF)

São Paulo, SP, 25 (AFI) - A temporada 2020 está sendo atípica para o futebol mundial, já que o esporte mais popular do mundo foi interrompido por conta da pandemia da Covid-19. Além dos clubes, a paralisação também afeta outros setores da engrenagem como a arbitragem. E como será que os árbitros enxergam e enfrentam o atual momento?

“O ano começou muito bom. Para uma primeira vez apitando a Copa SP, fiquei muito satisfeito com o resultado. Infelizmente veio essa pausa, mas não me desmotivei. Estamos tendo atividades constantes com a comissão (de árbitros) e é justamente para isso, não deixar que nos atrapalhe e principalmente para estar pronto quando os jogos retornarem”, explicou Matheus Delgado.

Foto: Marcos Limonti
Foto: Marcos Limonti
JOVENS!

Durante a Copa São Paulo de Futebol Júnior, dos 80 árbitros centrais, 14 deles tinham apenas 21 anos. E duas jovens apostas da Comissão Estadual de Arbitragem, presidida por Ana Paula Oliveira, se destacaram ao longo da competição júnior: Fabiano Monteiro dos Santos e Matheus Delgado.

Foto: Rodrigo Corsi/FPF
Foto: Rodrigo Corsi/FPF
“Tive grandes oportunidades e seria um ano que prometia. Acabou 'atrapalhando' na parte psicológica por saber que outras grandes oportunidades poderiam aparecer, por não poder estar fazendo aquilo que mais gosto, e por não saber até quando vai durar (pausa) e na parte física, por ter que adaptar curtos espaços de treino dentro de casa, sendo praticamente difícil manter o nível de antes”, disse Fabiano Monteiro dos Santos, ainda jovem no apito.

DESDE CEDO...
Fabiano dos Santos, de 22 anos, trabalha em uma empresa de transporte ao lado do pai, Carlos Alberto dos Santos, e iniciou a sua carreira na arbitragem aos 14 anos, em Santo André, onde o seu pai era presidente de clube amador da cidade. Formado em 2017, o árbitro superou o falecimento da mãe, Sonia Paiva Monteiro dos Santos, um dia antes da sua formatura para seguir na carreira.

Matheus, também com 22 anos, teve no pai, Demetrius Candançan, ex-árbitro da FPF, a inspiração para o apito. O jovem explicou sobre a rotina de treinamentos durante a quarentena.

“No início foi um pouco difícil, uma nova rotina, o tipo de treino, tudo isso influencia. Mas ao longo do tempo foi ficando melhor e vejo que não perdi nada em relação à parte física, estamos tendo um suporte do 'Pilar Físico' e recebendo treinamentos constantemente com exemplos de treinos, intensidade e duração".

"É uma fase diferente do que estávamos acostumados, mas não podemos deixar isso nos atrapalhar, portanto estamos dando nosso máximo para quando retornarmos aos gramados estarmos prontos”, disse.

PARTE PSICOLÓGICA!
De acordo com um estudo feito pelo Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o número de casos de depressão dobrou no Brasil desde o início da quarentena. Entre março e abril, alavancou de 4,2% para 8%, enquanto para os quadros de ansiedade o índice foi de 8,7% para 14,9%.

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal
Pensando na parte psicólogica, a FPF tem acompanhando, por reuniões virtuais, a rotina dos árbitros.

“A questão psicológica é fundamental também, de uma hora para outra a nossa rotina mudou completamente né? Os finais de semana quase sempre fora de casa, jogos, viagens, acredito que todos estranharam essa mudança no início. Tivemos o auxílio da comissão com atividades propostas, aplicativos e reuniões, visando amenizar os efeitos dessa quarentena e para mantermos o foco, já que é uma fase e tudo isso vai passar”, explicou Matheus.

MUITO BOM!
Assim como o seu companheiro, Fabiano também destacou a relevância do acompanhamento psicológico. “Estou sendo acompanhado com uma doutora particular, mas a comissão disponibiliza psicóloga para todos os árbitros do quadro. Sobre reuniões virtuais, a comissão está sempre fazendo lives conosco sobre regras, parte física e psicológica”, completou.

De olho na retomada das atividades profissionais, o início dos treinamentos dos clubes está previsto para o dia 1º de julho, Fabiano revelou a ansiedade para retomar o caminho do apito.

“Espero que tenhamos uma retomada em breve, obviamente com os devidos cuidados, até porque ficar sem futebol e sem apitar não dá certo (risos). Sempre almejei coisas grandes e espero voltar e manter o nível técnico, físico e psicológico que estava apresentando".

"Espero participar futuramente de uma pré-temporada dos árbitros no final do ano, para estar no quadro de elite da FPF”, afirmou o árbitro que esteve em seis partidas da última Copa São Paulo de Futebol Júnior.

APITO!
“Dono do apito” na semifinal entre Corinthians e Internacional, da Copa São Paulo, Matheus falou sobre o que esperar do período pós-pandemia. “Mesmo esse ano sendo interrompido, fico muito feliz com o início que tive".

"Sou novo, tenho uma carreira longa pela frente e estou usando esse tempo para me aprimorar e voltar ainda mais preparado. A minha carreira está apenas no início, então levo comigo que só conquistarei os meus objetivos trabalhando forte e estando sempre pronto paras novos desafios, e é isso que me deixa motivado e me faz querer sempre estar em evolução”, finalizou.

Por Luiz Minici