Em nota, Federação Paraibana questiona MP e se coloca à disposição da Justiça

A Operação Cartola cumpriu 34 mandados de busca e apreensão em João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Campina Grande e Cajazeiras

por Agência Futebol Interior

João Pessoa, PB, 09 (AFI) – Investigada por um esquema de manipulação de resultados e falsidade ideológica, a Federação Paraibana de Futebol (FPF) se manifestou publicamente na tarde desta segunda-feira e se colocou à disposição do Ministério Público e da Polícia Civil. Em nota oficial, a entidade questionou a operação deflagrada durante a madrugada e revelou estar colaborando com as investigações há mais de um mês, alegando transparência da atual gestão. A Operação Cartola cumpriu 34 mandados de busca e apreensão em João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Campina Grande e Cajazeiras.

De acordo com a FPF, o presidente Amadeu Rodrigues da Silva Júnior, um dos alvos da investigação, colaborou espontaneamente com a justiça e disponibilizou, em março deste ano, “a abertura dos sigilos bancários (entre janeiro de 2015 a dezembro de 2017), telefônicos e fiscais, não só da FPF, como também de seu presidente, demonstrando a completa tranquilidade e apoio às investigações”.

Para o Ministério Público, a organização investigada trabalha em dois núcleos, com aproximadamente 80 membros já identificados. O primeiro é formado por membros da Federação, da Ceaf e os dirigentes de clubes. O segundo é formado por membros da Ceaf, funcionários da FPF e de clubes de futebol, que atuam segundo a determinação do núcleo principal. Dentre as principais condutas investigadas, destacam-se a manipulação de resultados, adulteração de documentos, interferência em decisões da justiça desportiva (TJD) e desvio de valores oriundos de partidas de futebol profissional.

Presidente da Federação, Amadeu Rodrigues da Silva Júnior, colabora com as investigações há mais de um mês
Presidente da Federação, Amadeu Rodrigues da Silva Júnior, colabora com as investigações há mais de um mês
Em nota, a Federação alegou que a Comissão de Arbitragem e o Tribunal de Justiça são instituições autônomas e desvinculadas da FPF, sem a participação do presidente Amadeu Rodrigues. “É da praxe da nova administração a completa isenção e apoio a autonomia dos participes do nosso futebol”, destacou. Por fim, a entidade tratou de deixar claro que não recebeu verbas públicas durante a atual gestão (janeiro de 2015 a dezembro de 2017):

“No que concerne à prestação de contas e demais atos de gestão da FPF (PB), apesar de ser entidade privada sem recebimento de verbas públicas entre 2015 a 2017, período da atual administração, sempre prezou pelo respeito aos princípios da administração, tais como publicidade, eficiência, legalidade, impessoalidade e moralidade”.

CONFIRA NA ÍNTEGRA A NOTA DA FEDERAÇÃO PARAIBANA:

“A Federação Paraibana de Futebol, através de seu presidente Amadeu Rodrigues da Silva Junior, considerando as notícias publicadas acerca da OPERAÇÃO CARTOLA realizada pela Delegacia de Defraudações e Falsificações de João Pessoa e Grupo de Atenção Especial contra o Crime Organizado através da 4ª Vara Criminal de João Pessoa (PB), vem ao público, aos desportistas, filiados e demais interessados informar o que se segue.

Inicialmente, destaque-se que, dado o sigilo da operação, todo o corpo de dirigentes e funcionários da Federação Paraibana de Futebol foi surpreendido com a atitude drástica realizada, posto que o corpo jurídico disponibilizou antecipadamente (Março/18) e de forma espontânea a abertura dos sigilos bancários, telefônicos e fiscais, não só da FPF (PB), como também de seu presidente, demonstrando a completa tranquilidade e apoio às investigações.

Outrossim, talvez por desconhecimento do organograma funcional do futebol paraibano e a mudança de rumo na gestão da FPF (PB), as informações passam a sensação de que todos os órgãos investigados são elementos de uma mesma instituição.

Mister esclarecer que a Federação Paraibana de Futebol e o Tribunal de Justiça Desportiva são órgãos autônomos, assim como a Comissão de Arbitragem (CEAF), inexistindo qualquer ingerência por parte do Presidente da FPF (PB) nas instituições citadas. Ao inverso, é da praxe da nova administração a completa isenção e apoio a autonomia dos participes do nosso futebol.

Ato contínuo, pontue-se que a partir da nova administração os árbitros não são escolhidos, mas sorteados publicamente, antes das rodadas, com transmissão ao vivo pelo Facebook e a abertura para a imprensa e os desportistas presenciarem no local.

Ademais, no que concerne à prestação de contas e demais atos de gestão da FPF (PB), apesar de ser entidade privada sem recebimento de verbas públicas entre 2015 a 2017, período da atual administração, sempre prezou pelo respeito aos princípios da administração, tais como publicidade, eficiência, legalidade, impessoalidade e moralidade.

Após mais de duas décadas da gestão anterior, faz-se necessária uma modificação completa da cultura e dos caminhos outrora seguidos pela Federação Paraibana de Futebol.

Não se olvida ser um percurso doloroso e difícil, mas abraçado como causa justificadora maior do trabalho realizado com afinco e apreço, colocando-se à disposição de seus filiados e principalmente da Justiça, confiando na solução célere para que os problemas da gestão anterior tornem-se, de uma vez por todas, águas passadas, e o futebol paraibano alcance o lugar de destaque desejado por todos nós.”