Atacante contratado pelo Palmeiras a mando de Felipão em 2011, hoje é soldador

Max Pardalziniho hoje é soldador no interior de Goiás e largou o futebol para cuidar da mãe e ficar com o filho

por Agência Futebol Interior

São Paulo, SP, 31 (AFI) - Elencos e salários milionários não são nem de perto a realidade vivida pela maioria dos jogadores de futebol que atuam no Brasil. Maximiliano Ezequiel dos Santos, o Max Pardalzinho, viveu um conto de fadas em sua carreira de jogador. Contratado pelo Palmeiras a mando do Felipão em 2011, hoje o ex-atacante é soldador no interior de Goiás.

Pardalzinho (de camiseta verde) hoje é soldador - Foto: Arquivo Pessoal
Pardalzinho (de camiseta verde) hoje é soldador - Foto: Arquivo Pessoal

INÍCIO METEÓRICO

Pardalziniho surgiu para o futebol em 2009, atuando pelo Morrinhos, time da cidade onde morava. O atacante se destacou na campanha do acesso para a elite do futebol goiano, chamando a atenção do Vila Nova, um dos grandes times do estado e que disputava a Série B do Brasileiro.

Disputando a Série B do Brasileirão de 2010, o Vila evitou a queda para a Série C na última rodada com um gol de Pardalzinho. Os 27 jogos e os cinco gols marcados pelo Vila Nova na temporada 2010 foram suficientes para o atacante chamar a atenção do Felipão, então treinador do Palmeiras. Sob aval dele, Max assinou um contrato de dois anos com o Palmeiras.

"Quando cheguei ao Palmeiras parecia que eu estava dentro de um sonho. Tinha três anos de contrato com o Vila Nova ainda quando me falaram do Palmeiras, que o Felipão queria minha contratação. Não acreditei. Quando cheguei, entrei na sala dele, quase não dei conta de tocar na mão dele. É um pentacampeão, um cara que aprendi muito. Vivi coisas realmente muito legais no futebol.", disse Max.

PROBLEMAS DE SAÚDE DA MÃE

Max abandonou a carreira de jogador oficialmente em 2020. Os problemas de problemas de saúde que a mãe enfrenta e saudade do filho foram fatores fundamentais para a decisão.

"Estava no Sergipe em 2020, e a minha mãe sofre de anemia profunda e Lúpus. Chegou o momento que achei que ia perder minha mãe. Ela não conseguia levantar da cama, a doença começou a atingir as cartilagens, articulações, e ela passava muito mal. Recebia essas notícias e fiquei sem cabeça para o futebol. Ficava muito longe do meu filho, que tem cinco anos. Queria viver mais com ele. Hoje posso ouvir que ele me ama, e isso não tem preço. Ouvir isso me faz entender que talvez eu tenha feito a coisa certa. Sinto falta de jogar futebol, aquele momento de vestiário e descontração, mas esses dois fatores me fizeram parar", explica o ex-atacante

PASSAGEM RÁPIDA

A passagem pelo Palmeiras durou apenas sete jogos em menos de um ano. O atacante marcou apenas um gol pelo clube, contra Ponte Preta, pelo Campeonato Paulista. Depois disso, rodou por Guarani, Goiás, Boavista-RJ, Luziânia-GO, Caxias-RS, Sampaio Corrêa-RJ, Olímpia-SP, Rio Preto, Morrinhos e Sergipe, seu último clube, em 2020.

REALIDADE HUMILDE

Hoje o ex-jogador de 33 anos voltou a viver do meio metalúrgico, é soldador na cidade de Morrinhos e vive uma vida convencional e sem as agitações da rotina do futebol.

"Não tenho mais nada planejado. Trabalho em uma empresa de ferragem, que constrói e monta galpões. Praticamente voltei a ser soldador, então não faço planos. Prefiro deixar nas mãos de Deus. Sinto muita falta do futebol, tem dias que bate a saudade, mas perto da minha mãe e do meu filho vale a pena,", declarou Max

Segundo o próprio ex-jogador, o dinheiro que ganhou serviu para comprar um terreno e construir a casa onde mora hoje. Não ganhou fortunas jogando futebol, o dinheiro que guardou foi acabando conforme ia pagando as contas ao longo dos anos.

"Ao contrário do que muitas pessoas acham, não ganhei fortuna no Palmeiras. Guardei um pouco. Tenho um terreno grande aqui em Caldas Novas, a minha casa e o que deu para guardar foi isso aí. Depois da morte do meu pai o futebol foi caindo e o salário também. Creio que o que deu para comprar, comprei", conta Max.

HOJE NÃO JOGARIA NO VERDÃO

Hoje não teria vaga nesse time, é muito milionário, cheio de peças de reposição. Não à toa foi campeão da Copa do Brasil e da Libertadores", analisa Pardalzinho, que relembra o elenco de 2011