Ícone carioca, ídolo de Palmeiras e Santos completaria 99 anos

Jair Rosa Pinto ou Jajá de Barra Mansa, foi ídolo e polêmico por onde passou; em São Paulo fez história nos rivais Palmeiras e Santos

por Agência Futebol Interior

São Paulo, SP, 21 (AFI) - Ídolo e polêmico. Estivesse vivo, Jair Rosa Pinto completaria 99 anos neste sábado, 21 de março. Ícone do futebol carioca na década de 1940, fez história -e confusões- nos rivais Vasco e Flamengo, foi um dos grandes nomes da Seleção no Maracanazzo de 1950, virou ídolo do Palmeiras e, já veterano, participou do maior ataque de todos os tempos do futebol mundial com a camisa do Santos.

Jajá de Barra Mansa não era de brincadeira e, mesmo já considerado veterano, conquistou quatro paulistas e dois Rio-SP por times de São Paulo.

Jair Rosa Pinto brilhou com a camisa do Palmeiras
Jair Rosa Pinto brilhou com a camisa do Palmeiras
Natural de Quatis, distrito de Barra Mansa, no Rio de Janeiro, em 1921, Jair deu seus primeiros passos no clube da cidade e passou pelas categorias menores do Vasco da Gama antes de se destacar com a camisa do Madureira entre 1938 e 1943. Voltou ao time da Cruz de Malta em 1943 para fazer parte do histórico time que ficou conhecido como ‘Expresso da Vitória’.

Ídolo vascaíno, campeão carioca de 1945, mudou de camisa e foi jogar no Flamengo, em 1947, já que, segundo ele, seu salário estava defasado em relação a outros jogadores cruz-maltinos. A passagem pelo já rival rubro-negro foi mais curta, menos intensa e acabou de forma ruim. Acusado de ter se vendido em uma derrota flamenguista para o Vasco por 5 a 2, teve sua camisa queimada pela torcida. O jeito foi mudar de estado.

Em 1949, Jair Rosa Pinto chegou ao Palmeiras, clube em que mais jogou em sua carreira. Antes de conquistar qualquer título com a camisa alviverde, era o representante do clube na Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil. Seu desempenho no Mundial lhe rendeu presença no selecionado dos melhores do torneio, eleitos pela FIFA.

CRAQUE PALESTRINO
Pós Maracanazzo, Jair viveria grande momento na carreira. Primeiro com a conquista do Paulista de 1950, no que ficou conhecido como ‘Jogo da Lama’ diante do São Paulo. Precisando apenas do empate para ser campeão, o Palmeiras via o tricolor vencer por 1 a 0 ao fim do primeiro tempo. Um fotógrafo registrou Jair esbravejando com o resto do time numa imagem histórica, principalmente após o Palmeiras empatar e ficar com a taça.

Mais tarde vieram os títulos da Copa Rio e do Torneio Rio-SP, ambos em 1951. No primeiro, considerada a maior conquista palestrina, Jair foi fundamental, especialmente no confronto diante da Juventus de Turim, que decidiu a taça em favor dos brasileiros no estádio do Maracanã, palco de tanta tristeza e lágrima um ano antes. Era a volta por cima de Jair diante de quem o viu nascer para o futebol e testemunhou sua maior tristeza em campo. Era a volta por cima de boa parte dos brasileiros.

O MELHOR ESTAR POR VIR
Atuou pelo Palmeiras até 1955, quando já com 35 anos se transferiu para o Santos, então atual campeão paulista. Ele não sabia, mas viveria o seu melhor momento da carreira, sendo a experiência em meio a garotos que mais tarde formariam o melhor time do Mundo.

O time santista que buscava o inédito bicampeonato estadual em 1956, tinha uma linha ofensiva formada por jovens. Os pontas Dorval e Pepe tinham 21 anos, Pagão 22, enquanto Pelé apenas 16. Caberia ao experiente Jair conduzir essa molecada, algo que fez com maestria.

Na Vila Belmiro ganhou os estaduais de 1956, 1958 e 1960, além do Torneio Rio-SP de 1958 e a Taça dos Campeões Estaduais Rio-SP de 1957. Sob sua regência, o jovem ataque santista marcou 143 e 151 gols no Paulistão de 1958 e 1959, respectivamente. Recordes absolutos até os dias de hoje.

INTERMIVÁVEL
Jair ainda atuou pelo São Paulo entre 1961 e 1963, tendo somado 31 partidas nas três temporadas pelo clube tricolor. Encerrou sua carreira com 43 anos, atuando pela Ponte Preta nas temporadas de 1963 e 1964. Faleceu em 28 de julho de 2005, aos 84 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma embolia pulmonar.
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