Com Felipão, Marcos e axé, Palmeiras completa 20 anos do título da Libertadores

Antes de erguer a taça em São Paulo na fria noite de 16 de junho de 1999, o Palmeiras penou

por Agência Estado

São Paulo, SP, 16 - Para colocar a bandeira alviverde no topo da América do Sul, o Palmeiras misturou em 1999 a tradição italiana, a "santidade" de um goleiro, a influência baiana e o comando de um gaúcho. Um time com tamanha variedade de ingredientes se tornou imbatível no continente naquele ano e fechou a jornada vitoriosa com título da Copa Libertadores e uma imensa festa há exatos 20 anos, em 16 de junho de 1999, quando deu volta olímpica no antigo Palestra Itália.

O Palmeiras de 1999 se tornou o campeão continental ao se fortalecer ao longo da competição e presenciar naquele torneio a consolidação de um ídolo. O então goleiro reserva Marcos ganhou chance ao substituir Velloso e terminou a campanha como um ídolo "canonizado", sendo chamado de santo pela torcida após ser decisivo durante a campanha. As mãos dele seguraram, por exemplo, um pênalti diante do Corinthians nas quartas de final, um dos duelos mais marcantes da competição.

Com Felipão, Marcos e axé, Palmeiras completa 20 anos do título da Libertadores
Com Felipão, Marcos e axé, Palmeiras completa 20 anos do título da Libertadores
"Nosso time era muito bom tecnicamente. Muitos jogadores praticamente de seleção, que estavam direto nas convocações", disse Marcos na última quinta-feira, quando o Palmeiras reuniu os campeões de 1999 para uma festa no Allianz Parque. O time deste ano sonha em repetir a façanha e conta, inclusive com o mesmo técnico daquela época - Luiz Felipe Scolari.

"Encontrar os jogadores é sempre muito bom. São lembranças boas, histórias engraçadas, detalhes que são relembrados", relembrou o meia Alex.

CAMPANHA
Antes de erguer a taça em São Paulo na fria noite de 16 de junho de 1999, o Palmeiras penou. O time passou pela fase de grupos em segundo lugar, atrás do rival Corinthians, e teria pela frente nas oitavas de final o Vasco, então campeão da Libertadores. Para piorar, os times empataram por 1 a 1 no Palestra Itália no jogo de ida, em atuação ruim do clube alviverde.

Antes da partida em São Januário, na volta, o zagueiro Junior Baiano conversou com o técnico Luiz Felipe Scolari e levou ao centro de treinamento o grupo de axé Chiclete com Banana. Os integrantes da banda eram amigos do defensor, divulgavam na época um novo álbum e distribuíram camisas ao elenco da época. Dias depois, em um jogo muito movimentado, o Palmeiras fez 4 a 2 no Vasco e se classificou.

A vaga foi motivo de vibração no elenco. Até mesmo a camisa entregue pelos integrantes da banda virou uma espécie de talismã na noite de classificação, pois a peça era na cor verde e tinha no centro uma flor na cor branca. O Palmeiras resgatou a confiança e teria nas quartas de final o aguardado encontro com o rival, Corinthians. Seriam dois jogos no Morumbi.

Com uma vitória por 2 a 0 para cada lado, a disputa por classificação à semifinal foi para os pênaltis. A épica noite marcaria a carreira de Marcos. O goleiro defendeu a cobrança de Vampeta e colocou o time na fase seguinte. Após anos anteriores de parceria vitoriosa com a Parmalat, o Palmeiras se aproximava do título da Libertadores, mas teria pela frente um dos rivais mais perigosos.

O River Plate, da Argentina, era um time técnico, experiente e temido. O Palmeiras perdeu por 1 a 0 na ida, em Buenos Aires, e até comemorou. A desvantagem era pequena, pois com um time talentoso e a força da torcida, a virada em São Paulo, na semana seguinte, parecia viável. Não deu outra. Alex sobrou na partida, marcou duas vezes, Roque Junior fez o outro e, com o placar de 3 a 0, o time alviverde chegou à decisão como favorito.

Do outro lado estava o Deportivo Cali, da Colômbia. A equipe havia passado por adversários menos badalados no caminho até a decisão e abriu vantagem no primeiro jogo, ao ganhar por 1 a 0. Ainda assim, o Palmeiras estava confiante. Felipão e os demais jogadores celebraram a pequena desvantagem, pois confiavam novamente na força do Palestra Itália para a grande decisão.

O jogo não foi tão fácil quanto contra o River Plate. Tenso, o Palmeiras saiu na frente no segundo tempo, com Evair, e levou o empate logo depois. Porém, novamente a influência baiana resolveria. Oséas fez 2 a 1 e levou a decisão para os pênaltis. Apesar de começar a série com um revés, com o erro na cobrança de Zinho, o Palmeiras fechou a disputa com vitória por 4 a 3.

A América do Sul se tornou alviverde em 1999, temporada inesquecível para os torcedores. O Palmeiras superou dificuldades, misturou diferentes influências e fez reforçar na torcida desde então o desejo de rever o clube dominar novamente o continente.