Patrocinadora do Palmeiras, Leila Pereira avança em novas frentes no clube

Empresária viu a escola de samba da Mancha Verde garantir o título do carnaval paulistano graças ao aporte de R$ 3,4 milhões que fez

por Agência Estado

São Paulo, SP, 10 - Na fria Nova York, a empresária Leila Pereira vestiu o agasalho do Palmeiras na terça-feira de carnaval para comemorar. O time não estava em campo, muito menos era dia de final, mas a dona da Crefisa vibrou com mais uma conquista, outra vitória dos seus investimentos. Além de contribuir para os títulos da equipe nos últimos anos nos papéis de patrocinadora e torcedora, ela viu a escola de samba da Mancha Verde garantir o título do carnaval paulistano graças ao aporte de R$ 3,4 milhões que fez.

O inédito triunfo carnavalesco é o símbolo da vitória mais recente da conselheira no Palmeiras. Leila começou a ganhar espaço no clube em 2015, ao iniciar o maior contrato de patrocínio de clubes na América do Sul. Em 2017, a empresária se elegeu para o Conselho Deliberativo e passou a ser ativa na vida política palmeirense. O provável passo seguinte nos bastidores será "fazer membros" no COF, órgão que aprova as contas do clube, e depois se candidatar à presidência, em 2021.

Seja no patrocínio, ao ajudar com reforços, na política do clube, no camarote dentro do Allianz Parque ou no vínculo com a torcida, Leila garante não ter restrições quando o assunto é participar da vida ativa do Palmeiras. "Eu não tenho limite. O meu limite está dentro das minhas possibilidades de colaborar com meu time e a escola de samba. Meu limite é ajudar a ganhar títulos", disse ao Estado.

INVESTIMENTO PESADO
As empresas de Leila bancam o patrocínio master de R$ 81 milhões por ano do time. Outra verba contempla a participação nos salários de Lucas Lima e Borja. Também há um bônus de R$ 34 milhões por temporada em premiação por taça. Entre os palmeirenses, Leila é popular. Assídua nas redes sociais, ela tem quase 400 mil seguidores no Instagram e 1 milhão no Facebook.

A empresária e o marido, José Lamacchia, dizem adorar carnaval e passaram a apoiar a escola Mancha Verde em 2016. Os repasses via Lei de Incentivo à Cultura aumentaram ano a ano. Em retribuição, a diretoria da escola batizou a quadra com seus nomes. "Eu me casei com o Palmeiras, com o clube, e me casei com a escola de samba. Vai ser um casamento para o resto da vida. É o meu desejo", diz.

Foto: Divulgação / Palmeiras
Foto: Divulgação / Palmeiras
QUEDA DE BRAÇO
Nos quatro anos assinando os cheques, a empresária cresceu de importância e ofuscou figuras imponentes do clube, como ex-presidentes. Leila brigou com o antigo padrinho político, Mustafá Contursi, e o fez perder força. Ele não quis falar sobre o assunto com o Estado.

A principal queda de braço entre os dois ocorreu em maio do ano passado. A proposta defendida pela empresária de mudar o tempo de mandato do presidente de dois para três anos foi aprovada pela maioria dos integrantes do Conselho Deliberativo, em votação acirrada.

Sua participação no Palmeiras também lhe rende críticas. A alteração no estatuto foi apelidada por rivais como "Emenda Leila". A empresária sempre rebate quem lhe acusa de estar "comprando" o clube. "Deveriam se preocupar com quem tira dinheiro do Palmeiras, não com quem põe. Fico tranquila, estou feliz em ajudar. Vou continuar ajudando", diz. O acordo com a Crefisa vai até 2021. Aliada do presidente Mauricio Galiotte, Leila costuma reunir conselheiros em jantares e levá-los no avião particular para ver jogos do time fora de São Paulo.

QUESTIONAMENTOS
Dentro do clube, houve protestos no ano passado pelo novo formato dos contratos que viabilizam o aporte para a chegada de jogadores. Após a Receita Federal multar a Crefisa, os acordos deixaram de ser categorizados na contabilidade como compra de propriedades de marketing e viraram empréstimo.

A situação causou questionamentos de um dos mais altos órgãos do clube, o Conselho de Orientação e Fiscalização (COF), que chegou a pedir para o Palmeiras vender os reforços trazidos pela patrocinadora, como forma de abater dívida de R$ 120 milhões.

O órgão fiscal, aliás, é o único reduto político do Palmeiras ainda com resistência à força de Leila, por ser dominado por conselheiros aliados a Mustafá. Porém, a situação pode mudar nesta semana, quando será realizada uma reunião para escolher novos membros. "Dizem que faço esse investimento todo porque quero ser presidente, mas se todo mundo que quisesse ser presidente colocasse metade (do dinheiro) do que coloco lá, o Palmeiras seria um dos maiores do mundo", provoca Leila.