Palmeirenses fazem petição contra violência policial e festa com Bolsonaro

Entre os nomes na carta aberta ao presidente Galiotte está o do Belluzzo

por Agência Futebol Interior

São Paulo, SP, 07 (AFI) – Em carta aberta ao presidente Maurício Gliotte, palmeirenses, conselheiros e até o ex-presidente Belluzzo, resolveram colocar em petição a indignação mostrada com a festa do decacampeonato, após a partida diante do Vitória, vencida pelo Verdão por 3 a 2.

A irritação se deu muito pelo fato do presidente eleito Jair Messias Bolsonaro ter se tornado protagonista, inclusive, levantando o troféu de campeão. Belluzzo chegou afirmar anteriormente que as ações do presidente vão contra a história do Palmeiras, que foi criado por imigrantes vindo da Itália.

Na petição ainda, os palmeirenses mostram irritação com a violência policial aos arredores do estádios, que tentaram dispersar os torcedores usando gás lacrimogêneo.

Confira!

Por um Palmeiras para todos – Carta aberta ao Presidente Maurício Galiotte

Prezado Presidente,

No último dia 2 de dezembro, o Palmeiras orgulhosamente celebrava nosso décimo título brasileiro. Era um dia apenas de celebrações, mas dois lamentáveis eventos levam os palmeirenses que assinam esta carta a expressar nossa profunda indignação e demandar respostas e ações da Sociedade Esportiva Palmeiras.

O primeiro e gravíssimo evento se deu nos arredores do estádio. Como já fartamente denunciado em outras ocasiões, a Polícia Militar novamente agiu com truculência contra crianças, idosos, mulheres e homens que se reuniam pacificamente para celebrar nossa importante conquista. São dezenas de relatos de violência gratuita, desnecessária e desproporcional. Novamente, o torcedor palmeirense foi submetido a ataques com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e golpes de cassetetes. Inocentes precisaram ser hospitalizados. Comércios tiveram que baixar suas portas. Gente feliz e pacífica, que aproveitava um raro domingo de tranquilidade e sorriso no rosto, não pôde vivenciar em paz a essência da festa de nosso deca.

Bolsonaro participou da festa de decacampeão do Palmeiras
Bolsonaro participou da festa de decacampeão do Palmeiras
Enquanto torcedores de todas as cores e visões políticas sofriam a truculência policial do lado de fora do estádio, o protagonismo de nossa festa foi inexplicavelmente transformado em um palanque político, em um ato que não encontra precedentes na história. Nem Médici, nem Figueiredo, nem Lula, políticos que manifestavam apoio declarado a um (e só um) time, tiveram a liberdade de invadir o momento sagrado de comunhão entre seus clubes e torcidas.

No domingo, dois políticos sequestraram nosso momento mais especial. O momento mais importante da sua gestão, Presidente, foi transformado em um palanque político (com direito a lema e número de candidato), gerando uma imensa onda de insatisfação em parte substancial de nossa torcida. A presença de políticos, estranhos à nossa história e a todos os esforços comuns de torcedores e jogadores em busca do título, provocou nos palmeirenses que assinam esta carta e em muitos outros torcedores o mais profundo incômodo.

O incômodo tem fonte não apenas no histórico de declarações xenofóbicas que desonram nossas tradições, mas também nas diversas e documentadas manifestações racistas, misóginas e homofóbicas, entre outras. O incômodo existe não apenas pelo curvar de nossa instituição ao poder e aos interesses políticos de ocasião, sabe-se lá em troca de quê. O incômodo também deriva do imenso desrespeito a todos aqueles que possuem opiniões distintas daquelas ali prestigiadas, justamente num momento de grave polarização. O incômodo se dá pela total ausência de contribuição daqueles personagens a nossa história, nessa e em todas as outras temporadas.

Consideramos um erro gravíssimo, que danifica nossa história, a presença de políticos de qualquer matiz ideológica em nossa celebração. Consideramos um erro ainda mais grave, a presença de um político sem qualquer ligação histórica com o Palmeiras, e que prega a truculência policial contra o torcedor. Consideramos um ultraje a nossa bonita história a conivência e subserviência ao poder de turno.

Ao longo de todo o espectro das entidades e grupos que assinam este manifesto de repúdio, nas suas vertentes mais radicais ou mais moderadas, este profundo incômodo nos une, em pedidos claros e objetivos dirigidos ao Palmeiras e ao seu atual mandatário.

Exigimos explicações sobre o ocorrido e uma declaração clara e cristalina de que a Sociedade Esportiva Palmeiras não endossa as posições políticas ali representadas, ou quaisquer outras, conforme sua postura apartidária declarada anteriormente. Demandamos o comprometimento da instituição de que atos lamentáveis como este jamais irão se repetir. Explicações e este comprometimento, reforçamos, é o mínimo que se espera como um gesto de respeito ao torcedor que não quer ver o seu time misturado a interesses que lhe são estranhos.

Demandamos que a Sociedade Esportiva Palmeiras repudie aberta e expressamente a truculência usada pelas autoridades e forças policiais contra o torcedor nas ruas que cercam nossa centenária instituição. Armas de verdade foram utilizadas, sem motivo e razão, contra pessoas em paz e festa no último domingo!

Exigimos medidas para reparar os danos causados à imagem da instituição. O Palmeiras deve sempre se posicionar como um clube livre de qualquer preconceito, em respeito aos seus torcedores de todas as crenças e origens. Para que não exista dúvidas, nosso clube, formado e fundado por imigrantes, precisa afirmar de maneira inequívoca sua opção pelo respeito, pela tolerância e pela democracia.

Ser grande, Presidente, é muito mais que ser apenas vencedor. Esperamos de sua administração, e do Palmeiras, gestos condizentes com a grandeza de nossa instituição.

É o que demandamos. Por um Palmeiras para todos. Pelo direito de celebrar nossa paixão em paz. Por um clube que não se curve aos interesses políticos de ocasião.

Convidamos a todos os demais que apoiem nossa reivindicação a assinar esta carta no site Petição Pública.

Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-presidente e conselheiro do Palmeiras

Fabiano Carrieri, conselheiro do Palmeiras

Felipe Giocondo, conselheiro do Palmeiras

José Guilherme Menani Junior, conselheiro do Palmeiras

Marcos Gama, conselheiro do Palmeiras

Sylvio Mukai, conselheiro do Palmeiras

Adriano Diogo, ex-deputado estadual por São Paulo

Cristiano Maronna, presidente do IBCCRIM

Cris Scabello, Bixiga 70

Dani Pimenta, Feminine Hi-Fi

Diana Bouth, atriz e apresentadora

Eloi Pietá, ex-prefeito de Guarulhos

Flávio de Campos, docente da Universidade de São Paulo

Fernando Cesarotti, jornalista

Gabriel Amorim, jornalista e repórter do portal Nosso Palestra

Gabriel Santoro, editor

Gustavo Petta, deputado estadual por São Paulo

Joana Monteleone, editora

José Roberto Manesco, advogado e conselheiro seccional eleito da OAB-SP

Karen Evangelisti, arquiteta

Lia Elazari Biserra, cantora e compositora

Lucas Afonso, MC

Luiz Villaça, cineasta

Marcelo Airoldi, ator

Marcelo Mendez, jornalista e co-autor do livro Palmeiras, 100 anos de academia

Marcio Boaro, ator e diretor teatral

Marcus Vinicius Damon, arquiteto e professor

Miguel Herzog, jornalista e escritor

Miguel Nicolelis, neurocientista

Rafael Evangelista, redator

Ricardo Lombardi, jornalista

Roseli Tardelli, jornalista e apresentadora

Simão Pedro, ex-deputado estadual

Tainá Fellipe Shimoda, Verdonnas

Thiago Rocha, jornalista

Bancada Alviverde

DiretasJáSEP

Espírito de Porco

Palmeiras Antifascista

Palmeiras Livre

Peppas na Língua

Porcominas

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