Federação francesa abre investigação sobre racismo do PSG nas categorias de base

Clube foi denunciado por promover discriminação no recrutamento de jovens jogadores nos últimos anos

por Agência Estado

Campinas, SP, 09 - A Federação Francesa de Futebol (FFF) anunciou nesta sexta-feira que abriu um inquérito para investigar os casos de racismo praticados pelo Paris Saint-Germain. Na última quinta, o clube foi denunciado por promover discriminação no recrutamento de jovens jogadores para suas categorias de base nos últimos anos.

A entidade informou que seu conselho ético será o responsável pela investigação, e que poderá pedir para que a comissão disciplinar da Liga Francesa também averigue o caso depois que o inquérito terminar.

A denúncia partiu do portal francês Mediapart. De acordo com o veículo, documentos divulgados pelo "Football Leaks", portal responsável pelo vazamento de informações confidenciais, mostraram que a equipe parisiense possuía um método de classificação de atletas a serem recrutados com base nas suas etnias.

Gboho foi dispensado do PSG quanto tinha 13 anos por ser negro.
Gboho foi dispensado do PSG quanto tinha 13 anos por ser negro.
O portal afirmou que o PSG separava os possíveis atletas a serem recrutados pelos seus observadores em quatro subgrupos: "francês", "norte-africano", "das Antilhas" e "negro africano". E sob essa política, comandada pelo dirigente Marc Westerlopp - chefe do recrutamento de atletas das categorias de base -, apenas um atleta negro foi contratado entre os anos de 2013 e 2018.

CASO ACOBERTADO
Yann Gboho, meio-campista de 17 anos que hoje está no Rennes, chegou a integrar a base do Paris Saint-Germain, mas foi dispensado aos 13 anos por causa de sua cor - ele nasceu na Costa do Marfim. Na época, a dispensa do atleta foi encoberta pela diretoria do clube "para evitar escândalos".

O PSG soltou uma nota admitindo que praticou discriminação racial nas categorias de base. Disse, no entanto, não ter conhecimento de um sistema formado para registrar etnicamente os jogadores, creditando-o apenas a uma ação individual do dirigente em questão.

O caso repercutiu bastante na França, e a ministra do Esporte, Roxana Maracineanu, chegou a manifestar seu "desalento" diante das acusações. Já a presidente da Liga Francesa, Nathalie Boy de la Tour, afirmou que "estas práticas são inaceitáveis".

 
 
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