Natação: Cesar Cielo minimiza peso de título do Brasil no Mundial, em Doha

Nesta segunda-feira, no desembarque da delegação em São Paulo, o nadador falou que não se deve dar a tamanha importância à competição

por Agência Estado

São Paulo, SP, 08 - Se o título geral do Brasil no Mundial de Piscina Curta de Doha (Catar) foi bastante comemorado pela comunidade aquática, como um grande feito para a modalidade, Cesar Cielo tratou de colocar os pingos nos 'is'. Nesta segunda-feira, no desembarque da delegação em São Paulo, o nadador tratou de minimizar o peso da conquista.

"Acho que a gente não tem que tentar fazer um Mundial de Curta mais do que é. São resultados obtidos em um campeonato isolado. É como se fosse o Mundial Indoor de Atletismo. Não dá para dizer que vamos ao Mundial de Kazan para sermos os melhores do Mundial", disse ele, citando o Mundial de Esportes Aquáticos, disputado em piscinas de 50 metros, que vai acontecer na Rússia no ano que vem.

Cesar Cielo minimiza título do Brasil
Cesar Cielo minimiza título do Brasil

O nadador, que volta de Doha com cinco medalhas (três de ouro), porém, reconhece que a natação brasileira está em um novo patamar. "Subimos alguns degraus no Mundial de Curta. Para um país que ainda não tinha conseguido ser campeão do Mundial de Curta, agora nós conseguimos. É um passo de cada vez."

Com 10 medalhas, sendo sete de ouro, o Brasil liderou o quadro de medalhas do Mundial encerrado no domingo. De longe a maior potência da modalidades, os Estados Unidos ficaram apenas no nono lugar, desfalcados de praticamente todos seus nadadores de primeiro nível. Também França (sétimo lugar), Austrália (11.º) e China (19.º), os outros países que vêm acumulando mais medalhas em eventos de grande porte, ficaram muito longe de brilhar.

Três das medalhas de ouro e mais um bronze vieram de revezamentos, sendo que em três deles estava Cielo, um nadador que se acostumou a focar nas provas individuais em detrimento às coletivas. Para o atleta do Minas Tênis Clube, o Mundial de Doha deixa como legado para os brasileiros um novo conceito.

"Vimos uma energia diferente (da equipe brasileira). Antes cada um cuidava do seu. Desta vez tinha mais gente querendo participar do revezamento. As pessoas priorizavam as disputas individuais Indiretamente, vamos ver alguns resultados de (piscina) longa aparecendo", apontou.

Cielo vinha sendo bastante cobrado para estar presente nos revezamentos. Afinal, com Matheus Santana, Bruno Fratus, Marcelo Chierighini, João de Lucca e Nicolas Nilo Oliveira, o Brasil tem chances reais de título em Kazan e no Rio/2016 no 4x100m livre. A presença de Cielo pode ser a diferença de um quarto lugar para um título.

Afinal, ele é o atual campeão mundial de piscina curta nos 100m livre. Se falhou nos 50m, ficando com o bronze, deu o troco no francês Florent Manaudou para ganhar o ouro na prova mais longa. O brasileiro, entretanto, nega que exista rivalidade ou qualquer outro tipo de relacionamento com o campeão olímpico dos 50m livre em Londres.

"Não conheço pessoalmente, parece ser um grande competidor, mas ele não traz nada de (rivalidade de) fora da piscina. É um grande competidor e que tem boa educação. É mais um talento que a natação francesa forma. Há um tempos eu venho me virando para competir com eles (Frederick Busquet e Alain Bernard), mas a França continua produzindo grandes nadadores. Daqui a pouco vou ter de jogar o Matheus Santana na piscina e o Bruno Fratus para eles me ajudarem", brincou Cielo.

Fratus e Matheus serão rivais de Cielo no Open, que vai acontecer na piscina do Botafogo, na semana que vem. Enquanto seus adversários abdicaram do Mundial de Piscina Curta para pensar no evento nacional, em piscina de 50m, que já vale como seletiva para o Pan e para o Mundial, Cielo avisa que só vai competir para ajudar o seu clube, o Minas. "Ainda não estou de férias, mas será uma competição mais importante para o clube do que para mim mesmo."