Bruno Betelli: Do vício à virtude, com independência e valorização do trabalho de base

Como uma técnica de geração de ideias criativas poderia ajudar o Futebol Brasileiro? Leia com atenção e entenda.

por Agência Futebol Interior

Por Bruno Betelli

Campinas, SP, 8 (AFI) - Já imaginou se o regulamento de todos os campeonatos de Futebol no Brasil mudassem e os times fossem obrigados a competir SOMENTE com jogadores formados no próprio clube?

Ou se houvesse uma norma FIFA que impedisse a transferência de jogadores com menos de 3 temporadas no profissional de uma mesma "liga".

Conversa de maluco. Sim, com certeza, mas aplicar restrições ou cenários extremos é prática comum em processos criativos utilizados nas grandes empresas globais, como Amazon, Google e Apple, e principalmente, em Startups, nas fases de ideação de produtos e estratégias de negócios para competir com os grandes players do mercado.

Lucas Paquetá foi vendido ao Milan - Itália
Lucas Paquetá foi vendido ao Milan - Itália

COMO USAR NO FUTEBOL
Muito bem, agora, como essa técnica de geração de ideias criativas poderia ajudar o Futebol Brasileiro?

Para começar a discutir vamos aos fatos:

No Seleção SPORTV do dia 08/09/20 o programa exibiu dados sobre o tempo de permanência dos últimos jovens talentos brasileiros. O tempo médio é de 2 temporadas, mas vemos casos de venda de talentos ainda na base e outros que ficam até 3 temporadas.

Isso quer dizer que a pressão financeira e outros fatores da gestão e contexto comercial forçam a saída dos talentos.Outro dado demonstrado hoje no mesmo programa foi a baixa eficiência comercial do Fluminense se comparada à do Flamengo, nas vendas desses jovens talentos.

No caso foram 18 atletas vendidos para somar R$ 280 milhões ao contrário do Flamengo que totalizou R$ 340 milhões somente com Paquetá e Vinícius Júnior.

E o que mais chamou à atenção foi a venda de 60% dos direitos do Evanilson, recém vendido ao Porto, para um empresário da Tombense. Sim, um empresário da Tombense.

TRIANGULAÇÃO COMERCIAL
Essa triangulação comercial evidencia o priorização do retorno financeiro sobre o retorno de performance, que é a expectativa da massa de torcedores que sustenta o clube, e de patrocinadores que apostam em associar sua marca à times vencedores e momentos marcantes entre clube, jogadores e torcida.

E, ao mesmo tempo, também evidencia a ineficiência no retorno financeiro, pois a projeção de receita versus o risco acaba pendendo muito para a decisão de manter o jogador no elenco para capitalizar em sua valorização.

Além disso, o fato permite especulação de interesses duvidosos da gestão dos clubes nas negociações de seus jogadores, muitas vezes encobertos pela dita pressão financeira vivida pela maioria dos clubes.

QUAL A SOLUÇÃO ?
Com os vilões e os problemas apresentados, nós podemos falar um pouco da solução.

Sabendo que a primeira justificativa para venda precoce é a pressão financeira, a necessidade de caixa para pagar as contas do ano, e as principais receita dos clubes são: os direitos de transmissão, venda de jogadores, patrocínio e bilheteria; vou explicar como mudanças como essa poderiam resolver esse problema crônico.

Do vício a virtude.

Com mais talentos permanecendo por mais tempo no Brasil, nós fortalecemos o Futebol, pelo aumento da qualidade do espetáculo. Maior qualidade, mais destaque, mais atenção, mais valorização nacional e internacional e mais audiência e mais negócios com patrocínios.

E ainda, maior tempo de maturação dos jovens talentos causa maior valorização do passe e maior receita com a venda.

OUTROS NA FRENTE
Pode dizer que é sonho, alucinação ou ingenuidade, mas o que não faz nenhum sentido é continuar vendo o crescimento da NBA e outras modalidades, do eSports, das ligas de Futebol europeias pelo mundo, o avanço do Futebol Asiático, do Futebol Norte Americano e continuar vendendo Evanilson's, Rodrygo's e Vinícius Júnior's, tão cedo.

Vinícius Junior defende o Real Madrid, na Espanha
Vinícius Junior defende o Real Madrid, na Espanha

A estratégia de negócio do Futebol Brasileiro segue as raízes do Brasil colônia. O modelo de negócio é faturar com "exportação" ao invés de priorizarmos o mercado interno, tirar vantagem da demanda para inverter a vantagem cambial e conseguir financiar nossa evolução visando a supremacia nesse segmento de mercado global.

O Brasil não lidera muitas áreas em nível internacional.

E o Futebol, que uma vez foi o nosso forte, agora é uma total incerteza.

E só nos resta acreditar que o talento pode superar o processo para voltarmos a viver a glória de sermos campeão da Copa do Mundo.

Bruno Betelli
Bruno Betelli

Por Bruno Betelli
Bacharel em Esporte pela EEFE-USP . Na vida profissional comecei no Tênis, com 4 anos no marketing da CBT. Organizou de torneios profissionais e internacionais de 2009 a 2012.

Depois passou rapidamente pela Koch Tavares, em seguida foi contratado pela BRP, multinacional canadense do segmento de Powersports.

Atualmente atua como consultor de inovação e designer de produtos e negócios digitais pela Buildbox.