'Futebol tem dever de olhar', diz Ferguson sobre demência entre ex-jogadores

Ex-treinador estará em um evento para levantar fundos para a batalha contra a demência

por Agência Estado

Campinas, SP, 06 (AFI) - Ex-técnico do Manchester United e considerado uma lenda do clube, Alex Ferguson pediu mais atenção das autoridades do futebol para os problemas de ex-jogadores com demência, que acredita-se serem causados pelos constantes choques de cabeça e cabeceios na bola.

"Tem sido muito triste. O Bobby (Charlton) não está bem há algum tempo. Os portões (para a discussão) se abriram com a morte do Nobby (Stiles) e com o diagnóstico do Bobby (Charlton). Eles são figuras enormes, isso precisa criar uma conscientização", comentou Ferguson em entrevista ao jornal Daily Mail.

Ex-técnico na linha de frente. (Foto: Divulgação)
Ex-técnico na linha de frente. (Foto: Divulgação)
"Precisamos ver o que podemos fazer para ajudar. O futebol tem o dever de olhar para a situação. Pessoas como eu devem ao futebol ver se tem algo que possamos fazer", acrescentou o ex-treinador escocês.

BOA AÇÃO!
O ex-técnico do Manchester United estará em um evento online neste mês de janeiro ao lado de Kenny Dalglish, ídolo do Liverpool, e Gareth Southgate, treinador da seleção inglesa, para levantar fundos para a batalha contra a demência.

"Não sei o que a PFA (sindicato de jogadores profissionais da Inglaterra) está fazendo, mas a LMA (sindicato de treinadores do país) está preocupada, e o Richard Bevan (diretor-executivo da entidade) tem sido fantástico", comentou.

COMPLICADO!
Ferguson prevê, no entanto, que será difícil lidar com os cabeceios, por serem tradicionais no jogo. "O cabeceio é uma parte do futebol que existe há mais de 100 anos, e não dá para você tirá-lo do jogo. Mas acho que seria fácil reduzir os cabeceios em treinos", opinou.

Recentemente, a Associação de Futebol da Inglaterra publicou uma diretriz recomendando que crianças de menos de 11 anos não devem praticar cabeceios nos treinos. No Brasil, a CBF fez recomendação parecida para crianças com menos de 12 anos.