Presidente da Uefa critica pressa da Fifa para adotar árbitro de vídeo

No total, 25 competições em 15 países diferentes estavam participando da fase de testes, entre eles a CBF

por Agência Estado

São Paulo, SP, 15 - O esloveno Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, criticou a pressa da Fifa em adotar o árbitro de vídeo (VAR, na sigla em inglês) e insiste que na Liga dos Campeões da Europa não há plano, por enquanto, para embarcar por esse caminho. "Nós não vamos adotar por enquanto", disse o cartola ao Estado. "Não está certo a maneira que está sendo realizada. Isso não pode ser algo imposto de forma tão acelerada", insistiu o dirigente, que também acumula o cargo de vice-presidente da Fifa.

Apesar de dois anos de provas e testes, inclusive pela Europa, Aleksander Ceferin acredita que é ainda prematuro e arriscado adotar a tecnologia já na Copa do Mundo deste ano, na Rússia. "Precisávamos de mais uns dois ou três anos de testes para saber exatamente qual é o impacto. Não estava na hora", afirmou. "Até mesmo os árbitros estão vindo para alertar sobre os problemas. Não é algo tão fácil e óbvio", alertou.

Na avaliação da Uefa, existe ainda confusão sobre os procedimentos, sobre o que fazer quando existem dúvidas e mesmos sobre o impacto no jogo. Em março, a International Board (Ifab) realizará uma reunião e irá declarar que o período de testes com a tecnologia funcionou. O anúncio permitirá que, pela primeira vez, uma Copa do Mundo seja equipada com o vídeo. "Eles (Fifa) irão adiante com o plano, não há dúvida sobre isso", disse Aleksander Ceferin.

Presidente da Uefa critica pressa da Fifa para adotar árbitro de vídeo
Presidente da Uefa critica pressa da Fifa para adotar árbitro de vídeo
No total, 25 competições em 15 países diferentes estavam participando da fase de testes, entre eles a CBF. O cartola europeu se surpreendeu diante da decisão dos clubes brasileiros de interromper o uso da tecnologia para 2018. Mas insistiu que isso não fará diferença para os planos da Fifa.

O Brasil foi o primeiro caso de um país que fazia parte do grupo de campeonatos que testavam o sistema a optar por abandonar a tecnologia, antes mesmo de sua aprovação oficial. Os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro decidiram que, por conta dos custos, não haverá árbitro de vídeo no torneio deste ano. O sistema custaria R$ 20 milhões e, para a CBF, caberia aos clubes bancar o investimento. Doze deles votaram contra, com uma abstenção e sete a favor.

No caso da Fifa, a introdução da tecnologia tem ainda uma outra dimensão: a financeira. A entidade espera que possa, já para a Copa do Mundo, obter patrocínios específicos para bancar o VAR.