Libertadores começa com premiação recorde, mas brasileiros acham pouco

O vencedor do torneio vai embolsar US$ 12 milhões (R$ 45,2 milhões, na cotação de segunda-feira)

por Agência Estado

Campinas, SP, 22 - Começa nesta terça-feira, com a disputa de uma das três partidas da primeira fase, a Copa Libertadores mais milionária da história, com premiação ao campeão dobrada pelo segundo ano consecutivo. O vencedor do torneio vai embolsar US$ 12 milhões (R$ 45,2 milhões, na cotação de segunda-feira). Ao todo, US$ 161,9 milhões (R$ 610,2 milhões) vão ser distribuídos aos 47 participantes. O jogo inaugural será entre Delfin, do Equador, e Nacional, do Paraguai.

Na edição passada, a Conmebol pagou US$ 98,9 milhões (R$ 372,5 milhões), sendo US$ 6 milhões (R$ 22,6 milhões) ao campeão, o River Plate. Foi o dobro do valor ganho pelo vencedor de 2017 (US$ 3 milhões ou R$ 11,3 milhões). Será também a estreia da final em partida única, marcada para 23 de novembro, em Santiago, capital do Chile.

Libertadores começa com premiação recorde, mas brasileiros acham pouco
Libertadores começa com premiação recorde, mas brasileiros acham pouco
Vale lembrar que a decisão de 2018, entre os argentinos Boca Juniors e River Plate, acabou tendo um campo neutro (o Santiago Bernabéu, em Madri) como palco do segundo duelo devido a problemas de segurança.

ABAIXO DO ESPERADO
Apesar do upgrade financeiro, os clubes brasileiros ainda reclamam da desvalorização do principal torneio do continente. Basta comparar com o que faturou o campeão da última Copa do Brasil: o Cruzeiro ganhou R$ 50 milhões, ou seja, cerca de R$ 5 milhões a mais do que receberá, em tese, o time mais importante da América do Sul neste ano.

Se a base de comparação for a Europa, então, o dinheiro distribuído pela Conmebol parece troco perto dos euros que saem dos cofres da Uefa para os bolsos dos participantes da Liga dos Campeões.

A estimativa feita pela Uefa para a temporada 2018/19 é de destinar nada menos do que 2,04 bilhões de euros (aproximadamente R$ 8,7 bilhões) apenas para a sua competição mais nobre. Cada um dos 32 integrantes da fase de grupos da Liga dos Campeões embolsa 15,25 milhões de euros (mais de R$ 65 milhões).

Se na Libertadores cada mandante recebe US$ 1 milhão de dólares (R$ 3,769 milhões) por partida em casa, na Liga dos Campeões o prêmio por uma vitória na fase de grupos rende 2,7 milhões de euros (R$ 11,5 milhões).

AUMENTOU, MAS NÃO MUITO
Mesmo com uma distância ainda abissal entre as duas realidades, a Conmebol comemora o aumento da premiação. "O dinheiro agora chega a quem realmente faz as competições, que são os clubes. São as estrelas da competição e o que fazemos na Conmebol quando se fala de Libertadores e Sul-Americana é pensando no que é melhor para os clubes", defende Frederico Nantes, diretor de competições de clubes da entidade.

De acordo com o dirigente, que é brasileiro, a elevação do montante desembolsado foi possível "com mudança de gestão do Presidente Alejandro Domínguez, já que os contratos eram antigos", afirma, referindo-se especialmente aos acordos de direitos de transmissão. Questionado se a expectativa era por novas majorações nas temporadas seguintes, ele disse não ter como responder: "Não podemos garantir".

Fato é que tem ocorrido uma evolução, ainda que lenta, nos patamares da grana envolvida na Libertadores, que tenta justamente cada vez mais se parecer com o badalado "primo europeu". As mudanças no formato - torneio durante a temporada inteira, final única - são indício dessa "europeização" do torneio sul-americano.