A3: Auxiliar do Lemense fala de campanha no estadual e futuro

por Teste

Leme, SP, 03 (AFI) – Depois de não fazer uma boa estreia no Campeonato Paulista da Série A3, perdendo para o Juventus, por 1 a 0, em casa, o Lemense já vira seus olhos para o futuro e conta com experientes profissionais para isso.

O auxilixar técnico Eduardo Bernardo (foto) é um exemplo de acadêmico boleiro. “Acadêmico” aqui significa o treinador que aprendeu a dirigir um time através dos bancos escolares. O time dos “acadêmicos” está bem representado no futebol. Temos Carlos Alberto Parreira, Paulo Autuori, Oswaldo de Oliveira, Luis Carlos Ferreira e outros desse naipe, culminando com o exemplo de José Mourinho, no futebol mundial.

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“Boleiro”, para simplificar, é o ex-jogador que se aposenta, após trabalhar com grandes técnicos, e passa a dirigir times, com base na experiência obtida na carreira e nos bastidores. O time de exemplos também impressiona: Muricy Ramalho, Zagalo, Felipão, Pepe Guardiola na Espanha e o nosso Dunga na seleção brasileira, entre outros tantos. Há o “boleiro acadêmico” como o caso do Mano Menezes e Alex Ferguson, só para citar alguns.

Repórter: Conte-nos sua trajetória como “acadêmico”.
Eduardo Bernardo: É a tradicional de quem quer seguir essa carreira: Faculdade de Educação Física, cursos da SITREPESP três vezes, da Associação Brasileira de Treinadores de Futebol no Rio de Janeiro, extensão na UNICAMP, Fundação Getúlio Vargas, FOOTCOM também no Rio duas vezes, cursos com Parreira, cursos na Austrália, nos Estados Unidos.

Repórter: Estados Unidos?!
Eduardo Bernardo: Os americanos sabem explorar o ramo acadêmico. A National Soccer Coaches Association of America – NSCAA - tem certificados de treinadores que vão do nível “F”, futebol colegial se não me engano, até o nível “A”, primeira liga. Já tenho o certificado da categoria “C” e estou inscrito no curso “B” deste ano. Esses certificados são considerados em países da Europa e Oceania. Em 2.011 pretendo fazer o curso “A”.

Repórter: E sua carreira como boleiro?
Eduardo Bernardo: É curioso você me falarem disso, mas faz sentido. Em 2003 fui campeão invicto nos jogos regionais, numa final histórica contra o Guarani. Eu era técnico com 20 anos, idade em que os “boleiros” jogam e não treinam equipes. De 2004 a 2008 fui técnico ou coordenador da equipe na Copa São Paulo Juniores. Não deu título porque a Copinha é outra realidade: são equipes menores contra a liga principal, não há surpresas. Mas em 2006, fui vice-campeão paulista dirigindo o sub-20 do Lemense. Em 2009 fui auxiliar do Luis Carlos Ferreira e participei da campanha do acesso do Lemense para a A3. Este ano continuei na equipe, agora como auxiliar do técnico Edson Vieira.

Repórter: Quais outros técnicos você teve oportunidade de observar?
Eduardo Bernardo: Cada curso ensina algo, cada técnico acrescenta alguma coisa. No Lemense, como parte da equipe, ainda que não fosse auxiliar técnico, pude observar o trabalho do Alemão, do Edson Boaro, Nei Silva, Varlei de Carvalho, Wálter Zaparolli, além do trabalho como auxiliar de que já falei com o Luis Carlos Ferreira e o Edson Vieira. Também fiz um estágio no União São João, quando acompanhei o trabalho do prof. César Rizzo, hoje no exterior. Trabalhei nos Estados Unidos durante o verão de 2007, na Eurotech, uma empresa especializada em futebol para a base. Conheci um belga talentoso, Arnie Bolle, que entende muito de futebol e de quem algum dia haveremos de ouvir por aqui.

Repórter: Acadêmico ou “boleiro”. O que você prefere?
Eduardo Bernardo: Prefiro como vocês colocaram: acadêmico boleiro. Cursos de futebol e vivência nos campos com grandes professores. O futebol está sempre se renovando, seja quanto aos jogadores ou quanto aos treinadores. Eduardo Bernardo é uma promessa de treinador, que demonstra vocação e comprometimento.