'Questão não foi levada a sério o suficiente', diz jogador italiano com Covid-19

Itália possui o segundo maior número de casos registrados e a maior taxa de letalidade do vírus

por Agência Estado

Campinas, SP, 20 (AFI) - A Itália sofre com o novo coronavírus (Covid-19) e é considerada, atualmente, o novo epicentro da doença, que surgiu em Wuhan, na China, no final de 2019. O país possui o segundo maior número de casos registrados e a maior taxa de letalidade do vírus.

De acordo com mais recente levantamento, 3.405 pessoas morreram. O primeiro episódio registrado em solo italiano aconteceu no final de janeiro e, naquela época, Alessandro Favalli, zagueiro recém-contratado do Reggio Audace, de 27 anos, não tinha ideia que se tornaria o segundo jogador do país a contrair a doença.

Em entrevista à BBC Sport, o atleta relatou quais foram os seus primeiros sintomas e sua reação imediata perceber que poderia estar com a doença. Vale lembrar que, no momento, o Campeonato Italiano não havia sido suspenso.

"Acordei na segunda-feira, 2 de março, me sentindo desconfortável. Eu estava com febre, dor de cabeça e meus olhos estavam ardendo. Eu já tinha sintomas durante a noite, tremendo de frio. Suspeitei. Eu já tinha gripe em janeiro", disse.

"Liguei para minha família e todos tiveram os mesmos sintomas. Jantamos juntos alguns dias antes. O coronavírus já era grande naquele momento na mídia e pessoas já haviam sido infectadas na minha área, eu tive imediatamente o que todos nós tínhamos ", afirmou o jogador, por telefone.

Fala, Favalli. (Foto: Divulgação/Reggio Audace F.C.)
Fala, Favalli. (Foto: Divulgação/Reggio Audace F.C.)
ISOLAMENTO!
O resultado do teste foi divulgado, confirmando a infecção por Covid-19, no dia 6 de março. O atleta contou que, imediatamente, se isolou dentro de seu quarto para não colocar sua esposa, Miriam Favolli, em risco. Para o atleta, o isolamento mental é bastante difícil.

"Miriam não tinha sintomas. Eu não queria machucá-la. Eu nunca tive um problema com meu apetite, eu sempre podia comer. Eu não podia provar ou cheirar nada, mas eu sabia disso pela gripe comum também", reportou o atleta, que prosseguiu:

"O isolamento é mentalmente bastante difícil. Estou acostumado a uma vida mais social. Vivo com minha esposa, tenho minha família e amigos aqui na área. Treino todos os dias com companheiros de equipe".

ATÉ ENTÃO...
Somente no dia 10 de março, os atletas tiveram que se auto isolar. Na data, o futebol italiano, que acontecia sob portões fechados há cinco dias, foi oficialmente suspenso.

"Eu estava envolvido pessoalmente e fiquei surpreso ao ver clubes e ligas profissionais querendo continuar jogando. Mesmo fazendo isso a portas fechadas, foi uma decisão errada. Um jogador também tem uma vida pessoal, ele pode ser infectado fora do campo e levá-lo para dentro. Acho que a questão não foi levada a sério o suficiente".

"Tenho certeza de que se um jogador da Série A tivesse testado positivo, naquele momento, ele teria parado imediatamente. A única coisa que conta é combater esse vírus juntos, ser responsável e ficar em casa. Espero que possamos começar a jogar novamente em breve, mas isso é secundário e é bastante difícil de imaginar agora", concluiu Favolli.

No Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) suspendeu, por prazo indeterminado, todas as competições nacionais sob sua coordenação, na última segunda-feira, quase um mês após o primeiro caso ser registrado no país. As demais federações seguem, por conta própria, suspendendo, ou não, os campeonatos estaduais.