Presidente admite negligência em surto de Covid-19 no elenco do Guarani

Falta de vigilância da diretoria causou o surto e a derrota do Bugre em Cuiabá

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 15 (AFI) - Ricardo Miguel Moisés, presidente do Guarani, até tentou apontar o dedo e sair de vítima do grave surto de Covid-19 que atingiu o elenco, mas no final das contas admitiu negligência. O Bugre ficou com apenas 13 jogadores, na última quinta-feira, e foi surrado pelo Cuiabá (4 a 0), ficando mais longe do acesso na Série B do Campeonato Brasileiro.

"A gente tem uma ideia de como isso começou. A gente foi para São Luís, no Maranhão, fazer o jogo contra o Sampaio Corrêa, no dia 23, e o retorno seria no dia 24, com a chegada dos atletas por volta das 22h, na véspera de Natal. Diante dessa situação, a gente optou por dar descanso para os atletas no dia 25, e reapresentação no dia 26", disse o mandatário admitindo a falha no controle sobre o elenco.

"Alguns atletas partiram direto de São Luís para as suas residências em outros estados, e a gente acredita que, a partir daí, começou o surto de Covid no Guarani. Eles retornaram, fizeram a reapresentação no dia 26, trabalhando para o jogo no dia 2, e o exame foi realizado no dia 30, onde a gente teve os primeiros casos de Covid aqui dentro do Guarani", completou Ricardo Moisés.

Presidente admite culpa! (Foto: Thomaz Marostegan / Guarani)
Presidente admite culpa! (Foto: Thomaz Marostegan / Guarani)

EQUÍVOCO?
Ao longo da entrevista coletiva, nesta sexta-feira, Ricardo Moisés também tentou passar a culpa para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mesmo a entidade tendo seguido o protocolo à risca.

"Eu acho que após o jogo fica mais fácil falar, e ficou claro que os atletas do Guarani não tinham condições de realizar o jogo. Mas acredito que houve um equívoco e que se fosse reanalisado, seria adiado para o dia 27 conforme a solicitação do Guarani", opinou o presidente bugrino.

O protocolo da CBF garante a realização da partida desde que o time tenha 13 jogadores. O Guarani pediu o adiamento do jogo para dia 27, mas a CBF informou que só poderia adiar até esta sexta-feira. Diante disso, o Guarani enviou mais um atleta para Cuiabá e, com 13 jogadores, entrou em campo.

"Nessa parte, o protocolo tem uma interpretação dúbia. O Guarani tinha 13 atletas aptos, porém um estava em Campinas. E tinha apenas 12 na concentração em Cuiabá. Então vale aí uma reavaliação também do protocolo para esclarecer esse ponto, onde o ideal seria, eu acredito, que mais do que 13, porque 13 a gente já viu que não são suficientes. Mas 13 atletas aptos no local da partida, e não de atletas inscritos como consta hoje no protocolo", disse Ricardo Moisés.

FORA DA BRIGA?

A goleada derrubou o Guarani para o nono lugar com 48 pontos, a quatro do G4. Na quarta-feira que vem, às 16 horas, o Guarani receberá o ameaçado Vitória no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, pela 36ª rodada.


"Isso é um grupo mesmo de vencedores. Eu enalteço demais o trabalho dessa comissão técnica e dos jogadores. Ontem eles demonstraram de forma clara que são guerreiros e que honram a camisa do Guarani acima de tudo. É muito bom trabalhar com um grupo assim, que valoriza a instituição, que reconhece a camisa e que, mesmo diante de tantas dificuldades, se sacrificaram para honrar os compromissos do nosso clube", finalizou.