Recordar é Viver: O dia em que o Guarani enfiou 5 a 1 no Santos de Pelé e Cia

Este placar inesquecível foi comemorado pela torcida bugrina como a conquista de um título. Mas teve o troco na Vila Belmiro...

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 18 (AFI) – Todo torcedor do Guarani faz questão de lembrar a conquista do título brasileiro de 1978 e, ainda, se gaba ao dizer que é “o único clube do interior do Brasil campeão nacional”. Mas o grande feito do time nos anos 60, não foi nenhuma conquista de título, mas um resultado histórico: 5 a 1 em cima do Santos, maior time do mundo, em 1964. Portanto, há 56 anos.

A história registra este placar no Brinco de Ouro na noite de 18 de novembro de 1964. Um resultado que deixou o mundo todo de queixo caído, porque o fato teve repercussão nacional.

Era difícil entender como um modesto time do interior paulista enfiaria cinco gols em cima da "Máquina do Peixe' .

COMBINAÇÃO MÁGICA
Só mesmo num momento de encontro de estrelas ou da ação majestosa dos Deuses do Futebol. Foi fruo de uma combinação mágica, inimaginável.

O Santos tinha acabado de desembarcar no Aeroporto de Viracopos de mais uma excursão no exterior, onde fazia muito sucesso e arrecadava muito dinheiro.

FEDERAÇÃO CONFIRMA JOGO
A diretoria santista, na época, pediu o adiamento do jogo devido o atraso em dois dias na chegada ao Brasil, mas a Federação Paulista de Futebol (FPF) não abriu mão.

Cansados, aos frangalhos e sem fôlego o Santos foi para campo diante de um jovem time do Guarani, com muita disposição e gana para vencer. Na verdade, eles queriam apagar o vexame do primeiro turno, quando tinham levado 6 a 1 na Vila Belmiro, dia 19 de agosto, justamente alguns dias após o aniversário da rival Ponte Preta, fundada em 11 de agosto de 1900.

Tinha sido a maior gozação na cidade. Teve jogador que não saiu de casa o mês todo, de vergonha.

Os ‘garotos’ do Bugre tinham no comando Armando Renganeschi, considerado um dos técnicos revolucionários dos anos 60.

ACONTECEU DE TUDO

Em campo, aconteceu de tudo. O lateral Diogo brilhou em campo, imagem que não sai da memória de seu filho, o jornalista Roberto Diogo, 56 anos depois.

Roberto Diogo: noite mágica do Guarani
Roberto Diogo: noite mágica do Guarani

“E como é ...lindo lembrar. Nesta noite meu pai marcou o Peixinho, inesquecível!” – lembra Roberto.

O renomado comentarista da CBN Campinas, João Carlos de Freitas, também esteve neste jogo e testemunha.

“Com 10 anos, fui para ver Pelé, mas vi os meninos do Guarani comandados por Américo e Diogo.

A noite foi memorável, merece ser recordada. Para o Guarani valeu como título, a maior glória do clube nos anos 60”.

MARQUES, COUTINHO, PELÉ...
Como era mesmo uma noite negra para o Santos, o árbitro Armando Marques, considerado depois um dos melhores da história do futebol brasileiro, tirou uma casquinha. Expulsou o atacante Coutinho, aquele que imortalizou as tabelinhas com Pelé, o Rei do Futebol.

O goleiro Sidney defendeu um pênalti de Pelé e o meio-campista bugrino Américo Murollo fez um gol de pênalti em Gilmar (dos Santos Neves), bicampeão mundial com a seleção brasileira.

Os outros gols bugrinos foram marcados por Joãozinho, Nelsinho, Babá e Carlinhos. O gol de honra santista foi marcado por Mengálvio, num chute forte e que desviou em Ditinho.

PROMETEU O TROCO

João Carlos de Freitas: comemorado como título
João Carlos de Freitas: comemorado como título

Claro que Pelé não gostou da humilhação, ficou mordido e prometeu a vingança. E cumpriu, devolvendo no ano seguinte, no Paulistão de 1965: 7 a 0 na Vila Belmiro. Três gols do ‘negão’.

"Pelé foi mesmo um jogador fabuloso e, sem falsa modéstia, o melhor de todos os tempos. Brilhou com o Santos (bicampeão do mundo) e com a seleção brasileira (tricampeão do mundo) e, no final de carreira, ainda foi ensinar futebol aos gringos lá nos Estados Unidos, quando jogou pelo Cosmos de Nova York " - relata Freitas.