Ex-presidente orienta credor a entrar com ação milionária contra o Guarani

Na última quinta-feira, a 2ª Vara Cível de Campinas determinou o bloqueio de R$ 1,5 milhão de valores que o Bugre tinha a receber

por Agência Futebol Interior

Campinas, SP, 24 (AFI) - Uma declaração do ex-presidente Álvaro Negrão, evidencia a existência de sérias irregularidades durante a gestão de Palmeron Mendes Filho (2017/2019) no Guarani. Na última quinta-feira, a 2ª Vara Cível de Campinas determinou o bloqueio de R$ 1,5 milhão de valores que o Guarani tenha a receber da CBF e FPF por televisionamento de partidas em razão de uma ação proposta justamente por Negrão.

Após a divulgação da existência dessa ação judicial, Álvaro Negrão, que presidiu o Guarani entre o final de 2012 até meados de 2014, quando renunciou ao cargo, deu uma declaração que comprometem Palmeron Mendes Filho e Anailson Neves, esse eleito para fazer parte do novo Conselho de Administração do Guarani.

"Na época (da propositura da ação) o Palmeron e o Anailson me procuraram pedindo ajuda para poder se manterem no cargo quando teve aquela briga com a chapa do Horley (Horley Senna, ex-presidente) e eu tive que tomar um partido", disse Álvaro Negrão, enfatizando que:-

Álvaro Negrão cobra questionáveis R$ 1,5 milhão do Guarani
Álvaro Negrão cobra questionáveis R$ 1,5 milhão do Guarani

"Importante é eu deixar bem claro aqui que foi o próprio Palmeron, como presidente do clube, que falou para eu ajuizar (a ação contra o Guarani)", conclui Negrão em entrevista ao site Planeta Guarani.

NEGRÃO ENTRA COM A AÇÃO E PASSA A APOIAR PALMERON, ANAILSON E RICARDO MOISÉS
Álvaro Negrão deixou claro que, após essa orientação e a propositura da ação, passou a ajudar o Grupo de Palmeron e Anailson nas votações internas do Guarani, inclusive nas assembleias de aprovação de contas, na que rejeitou o impeachment e na que elegeu o atual Conselho de Administração no último dia 15 de março.

Esses valores cobrados por Negrão são questionáveis, já que não teve aprovação de nenhum órgão do Guarani e os valores não entraram na conta do clube.

CONFISSÃO DE DÍVIDA É ASSINADA PELO GRUPO POLÍTICO QUE COMANDA O GUARANI
Além disso, a confissão da dívida existente é assinada por pessoas que fazem parte ou apoiam a atual diretoria, como Felipe Roselli, eleito junto com Anailson Neves e Ricardo Moisés para o novo Conselho Administrativo; Adriano Hintze, conselheiro eleito com na chapa que administra o Guarani e Cris Siqueira, que faz parte do Conselho Fiscal e integrante da corrente política "Renova" que vem dando suporte a atual diretoria do Guarani tendo, inclusive, apoiado a chapa de Ricardo Moisés e Anailson Neves.

Também é curiosa a postura processual do Guarani na ação promovida por Negrão. Representado pelo advogado André Torquato Gomes, vice-presidente do Conselho Deliberativo do clube e também apoiador da atual gestão, o Guarani não fez qualquer impugnação aos valores, a origem do dinheiro emprestado e a forma que a dívida foi contraída.

Além disso, Negrão usou índice de CDI para fazer a correção dos valores, quando o comum em termos jurídicos é o IPCA.

GUARANI ESTÁ COM COTAS DE TELEVISÃO PENHORADAS POR CAUSA DESSA AÇÃO
Essa ação levou o Guarani a ter um bloqueio, determinado pelo Juiz Fábio Henrique Prado de Toledo, da 2ª Vara Cível de Campinas, no valor de R$ 1.506.000,00 em qualquer recebimento que venha a ter da CBF ou da Federação Paulista em termos de cotas de televisão do Campeonato Brasileiro da Série B e do Campeonato Paulista.

Eles valores bloqueados comprometem o orçamento para as disputas do Campeonato Brasileiro da Série B e representam dois meses da folha de pagamento do atual futebol bugrino.

Ouça a declaração do ex-presidente Álvaro Negrão ao site Planeta Guarani: